O que são fundos de investimentos?

  • 08/12/2016

o que são fundos de investimentos

Os fundos de investimentos são aplicações financeiras, onde o dinheiro de diversas pessoas é gerido de forma comum, fazendo com que eles sejam comparados a condomínios, em que esse patrimônio é dividido em cotas. Sendo assim, quando alguém deseja investir, seu capital é transformado em cotas, as quais sofrerão alterações de preço conforme a valorização ou desvalorização do patrimônio total do fundo.

O que são fundos de investimentos?

Entender o que são fundos de investimentos é fundamental para que o investidor possa criar uma carteira diversificada e com rentabilidade satisfatória. Os fundos de investimentos são comparados a condomínios, onde os investidores compram cotas e conseguem investir em diversos produtos financeiros mesmo sem ser necessário um valor alto de investimento.

Em um fundo de investimento, os investidores são donos das suas cotas, mas a propriedade dos bens pertence ao fundo. Os cotistas podem solicitar o resgate de seus valores aplicados a qualquer tempo.

A seguir vamos explorar dois tipos de classificações dos fundos de investimentos: i) quanto à possibilidade de os investidores realizarem investimentos e ii) quanto ao tipo de produtos financeiros que o fundo pode investir.

Fundos de investimentos abertos e fechados

Em relação à possibilidade de os investidores realizarem investimentos, um fundo de investimento poderá ser aberto ou fechado.

Se o fundo for aberto, significa que a entrada e saída de investidores é permitida a qualquer tempo, bem como o aumento de participação dos antigos cotistas. Em um fundo aberto o resgate de cotas é permitido, sendo que o fundo pode vender parte de seus ativos para entregar o valor correspondente ao cotista.

Um fundo fechado, por sua vez, possui um período de captação de recursos e depois disso ele é fechado para novos investidores. Após esse período, alguns fundos permitem que suas cotas sejam negociadas no mercado secundário, como é o caso das bolsas de valores.

Os fundos de investimentos fechados também trazem algumas vantagens, especialmente tributárias, por isso acabam sendo escolhidos quando se tem apenas um investidor (fundo exclusivo) ou grupo de investidores (fundo restrito).

Tipos de fundos de investimentos quanto à composição da carteira de ativos

Em relação à forma de remuneração de um fundo de investimento, existem diversos tipos. No entanto, trataremos de alguns principais: renda fixa, ações, cambial, multimercado, imobiliário, previdenciário e ETF’s.

Com exceção dos ETF’s, essa classificação é dada pela Instrução CVM 555, responsável por ditar as regras dos fundos de investimentos registrados na CVM – Comissão de Valores Mobiliários.

Fundos de investimentos de renda fixa

Fundos de renda fixa devem aplicar pelo menos 80% dos seus recursos em ativos relacionados à variação da taxa de juros ou índice de preços (inflação). Essas informações sobre remuneração podem ser encontradas na lâmina de informações essenciais ou na própria plataforma online do banco ou corretora.

Os fundos de renda fixa poderão remunerar conforme o andamento de indexadores, os quais geralmente são índices que servem de referência para o mercado financeiro, como é o caso da taxa SELIC ou do CDI.

Outro exemplo são os fundos de investimentos de inflação, que costumam ser indexados ao IMA – Índice de Mercado Anbima – série B, ou simplesmente IMA-B. Este indexador contempla a remuneração das Notas do Tesouro Nacional, uma série de títulos do Tesouro que paga uma taxa fixa, pré-definida, mais a variação do IPCA, índice de inflação.

Fundos de Investimentos de ações

Devem ter como principal fator de risco a variação de preço de ações. Nos fundos de ações, no mínimo 67% do patrimônio líquido deve ser composto por ações.

Na verdade, a instrução CVM 555 permite que estes 67% sejam distribuídos em ações, mas também em ativos financeiros, como bônus de subscrição, cotas de outros fundos de ações e BDR’s – Brazilian Depositary Receipts, por exemplo. Os recursos que excederem 67% poderão ser aplicados em quaisquer outras modalidades de ativos financeiros.

Fundos de investimentos cambiais

Esses fundos normalmente são utilizados caso o investidor queira se proteger diante de possíveis desvalorizações do real, mantendo seu poder de compra em moeda estrangeira.

No entanto, ao contrário do que muitos imaginam, fundos cambiais não investem diretamente em moeda estrangeira.

Os fundos de investimentos classificados como cambiais devem investir, principalmente, em ativos relacionados diretamente com a variação de preços de moeda estrangeira ou com a variação de cupom cambial. No mínimo 80% da carteira deve ser composta por este tipo de ativos ou derivativos relacionados.

Na prática, os fundos cambiais realizam operações nas quais eles constroem uma estrutura de carteira que troca a remuneração de títulos públicos – indexados à SELIC ou prefixados – pela variação cambial (normalmente do dólar), acrescida de uma taxa de juros.

Fundos de investimentos multimercado

Os fundos de investimentos multimercado devem possuir políticas de investimento que envolvam diferentes tipos de ativos financeiros. Não há o compromisso de concentração em nenhum tipo específico, diferente dos demais fundos explicados anteriormente.

São os que possuem maior liberdade para definir estratégias variadas de investimentos. Eles podem combinar os ativos de suas carteiras de diversas maneiras, comprando ações, títulos públicos, cotas de fundos cambiais, realizar operações com derivativos, entre outros.

Fundo de investimento imobiliário (FII)

Esses fundos são destinados para investimentos em empreendimentos imobiliários e remuneram seus cotistas com uma taxa pré-definida referente aos aluguéis e ganhos de capital obtidos com operações no mercado imobiliário.

São constituídos sob a forma de condomínio fechado. Suas cotas não podem ser resgatadas, mas podem ser negociadas em bolsa de valores ou no mercado de balcão – normalmente são negociadas na BM&FBovespa.

Fundos de investimentos de previdência (PGBL, VGBL, FAPI, etc)

Possuem características de longo prazo e foco em complementar a aposentadoria do investidor. São fundos constituídos para aplicação de recursos de entidades abertas ou fechadas de previdência.

Cada tipo de fundo previdenciário possui peculiaridades. No momento da aposentadoria o investidor poderá optar entre realizar o resgate ou receber valores mensais para complementar sua renda de aposentadoria do Regime Geral de Previdência Social.

Entre os fundos de investimentos de previdência mais conhecidos estão: plano gerador de benefício livre – PGBL; vida gerador de benefício livre – VGBL; e fundo de aposentadoria programada individual – FAPI.

Fundos de Índice: ETF’s – Exchange Traded Funds

Outros fundos interessantes são os ETF’s: são fundos de índices, que possuem cotas também negociadas em bolsa de valores, assim como os fundos imobiliários.

No Brasil existem alguns ETF’s, mas em outros países onde o mercado de ações é mais desenvolvido, como os EUA, por exemplo, existem inúmeros ETF’s, aplicando em diversas segmentações diferentes de empresas – startups, grandes empresas, empresas com alto nível de governança corporativa, entre outros.

Quem são os envolvidos nos fundos de investimentos?

Existem 5 personagens principais envolvidos em um fundo de investimento. Veja uma explicação breve sobre cada um deles:

  • Administrador: responsável por diversas atividades do dia a dia do fundo, como por exemplo: calcular e divulgar o valor da cota e do patrimônio líquido; disponibilizar extrato mensal aos cotistas; manter o registro dos cotistas; elaborar os livros e atas de assembleias, receber recursos em nome do fundo, custear despesas de publicidade; prestar informações à CVM; entre outros.
  • Gestor: profissional contratado pelo administrador, podendo ser pessoa física ou jurídica. O gestor é quem emite as ordens de compra e venda dos ativos da carteira do fundo. Essas operações deverão estar alinhadas com a política de investimento e o tipo do fundo (renda fixa, ações, cambial ou multimercado, por exemplo)
  • Custodiante: responsável pela guarda dos ativos que compõem a carteira do fundo. Também é quem envia dados e informações sobre o fundo para o gestor e administrador.
  • Distribuidor: responsável por vender as cotas do fundo, podendo ser o próprio administrador do fundo ou terceiros contratados por ele. Os maiores distribuidores de fundos no Brasil são os bancos de varejo. Contudo, os fundos também são distribuídos por corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários.
  • Auditor independente: é figura fundamental para transmitir maior credibilidade e transparência para os investidores. O auditor independente é responsável por emitir relatório sobre as demonstrações financeiras do fundo e sobre o cumprimento das normas operacionais por parte do fundo de investimento.

Leia nosso artigo “Como funcionam os fundos de investimentos?” para saber mais detalhes sobre cada um dos envolvidos no dia a dia dos fundos de investimentos.

Custos de investir em fundos de investimentos

Ao investir em fundos de investimentos existem alguns custos:

  • Taxa de administração: serve para cobrir os gastos com a prestação de serviços do administrador, gestor, distribuidor, custodiante e demais instituições envolvidas na operacionalização do fundo. É expressa em termos anuais (exemplo: 2% ao ano), mas cobrada diariamente. O valor da cota já é líquido da taxa de administração.
  • Taxa de performance: quando um fundo é vinculado a um indexador – chamado de benchmark – e a rentabilidade do fundo em determinado período excede a deste indexador pode ser cobrada a taxa de performance, apenas referente à parcela que excede o indexador.

Também há a incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o IR (Imposto de Renda).

O IOF incide com uma alíquota regressiva, que vai de 100% do rendimento no primeiro dia até zero no trigésimo dia.

Já quanto ao imposto de renda (IR), a tributação nos fundos de renda fixa segue a tabela regressiva comum aos investimentos de renda fixa em geral, variando de 22,5% até 15% sobre os rendimentos.

Já os fundos de ações possuem alíquota única de 15% de IR independente do prazo de aplicação. Muitos fundos multimercados, por manterem 67% do patrimônio líquido em ações, têm essa mesma tributação de 15% de IR. Nos fundos de ações não há IR na fonte, ou seja, não há come cotas, conforme será explicado a seguir.

Em alguns fundos há também o come-cotas. O come-cotas (IR na fonte), é recolhido antecipadamente no último dia útil dos meses de maio e novembro, em um sistema denominado “come-cotas”. Para essa cobrança, é usada a menor alíquota de cada tipo de fundo: 20% para fundos de tributação de curto prazo e 15% para fundos de tributação de longo prazo. Dessa forma, a cada seis meses os fundos deduzem esse imposto dos cotistas automaticamente, em função do rendimento obtido durante o período. Não há incidência de “come-cotas” nos fundos de ações.

Veja mais sobre as vantagens e desvantagens de investir em fundos de investimentos no nosso artigo.

Agora, você já sabe o que são fundos de investimentos?

Esperamos ter esclarecido o que são e quais as principais modalidades de fundos de investimentos. É muito importante que você se empodere financeiramente e conheça os produtos mais comuns do mercado financeiro, para que possa se posicionar diante das diversas ofertas que surgem no dia a dia. Caso tenha dúvidas ou deseje se aprofundar em determinado assunto, entre em contato conosco.

Baixe nosso [eBook] Entenda o que é o mercado financeiro.

Empodere-se financeiramente e seja mais feliz!

Deixe um comentário