Atual situação econômica do Brasil – Carta do Gestor

  • 17/02/2022
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“O mercado é um pêndulo que sempre oscila entre o otimismo insustentável e um pessimismo injustificável”. Essa frase de Benjamin Graham deve ter quase um século, foi repetida à exaustão por seu mais brilhante aluno, Warren Buffett, e até hoje não foi, de fato, assimilada pelos investidores.

Continuamos vendo o mercado agindo de forma irracional e, junto com ele, investidores excitados em ciclos de alta e apavorados nos momentos de baixa. E, na maioria das vezes, esquecendo dos fundamentos.

O ano de 2021 foi muito ruim para os ativos brasileiros. A guinada populista do governo e o receio com a trajetória fiscal fez os juros voltarem a patamares elevados e afugentou investidores.

Primeiro ponto interessante: investidores brasileiros deixaram a bolsa. Não há estatística para isso, mas considerando que o número de CPFs cadastrados na B3 duplicou nos últimos anos e considerando a base de investidores em fundos de ações, podemos afirmar com certeza que essa é a primeira grande crise para a maioria dos investidores.

Outro ponto é que, enquanto investidores domésticos (brasileiros) saíram da bolsa, o estrangeiro foi comprador. Isso justifica o fato de que muitas das ações ligadas ao mercado doméstico (e que são compradas por fundos de investimento e investidores locais) tiveram desempenho ainda pior do que a bolsa em 2021.

E temos um agravante. Se surfar a volatilidade do mercado já é difícil, muito pior é fazer isso num momento em que a informação circula em quantidade e velocidade inimagináveis há pouco tempo.

O melhor exemplo disso foi no final do ano passado, quando nossa bolsa, depois de seis meses de queda, voltou a operar perto dos 100.000 pontos. Na mídia se via memes e piadas catastróficas, comparações com o mercado exterior e desinformação de todo tipo.

Nesse momento, pouca gente falava que muitas empresas brasileiras estavam com um dos melhores múltiplos da história (mesmo com todo movimento de juros e reprecificaçao de valuations).

Aí começou 2022. O banco central americano inicia o tão comentado ciclo de alta de juros e retirada de estímulos. Por mais que fosse esperado, essas fases são muito sensíveis ao mercado e geram, inevitavelmente, volatilidade. Vimos queda acentuada nas bolsas americanas e perdas ainda maiores nas gigantes de tecnologia.

Para piorar, crise geopolítica na Ucrânia com a possibilidade de uma guerra entre as maiores potências mundiais. Prato cheio para uma debandada dos ativos de risco, queda na Bolsa e alta do dólar em terras brasileiras, certo? Errado!

O que vimos foi a queda acentuada do dólar e alta da bolsa, na contramão dos principais mercados.

Mas por que? O Brasil melhorou? Há mudança de cenário?

Não. A resposta é objetiva, mas seu entendimento, nem tanto.

O Brasil é o mesmo de sempre, com seus problemas de sempre. O pêndulo se tornou otimista demais desde quando Michel Temer fez uma série de reformas micro e macro, que permitiram ancorar as expectativas de inflação e trazer a taxa de juros para patamares de primeiro mundo. Bolsonaro até iniciou no mesmo caminho, mas com a pandemia e a pressão política, deu uma forte guinada que nos trouxe de volta para juros de dois dígitos.

Um dos drivers que mais assustava era a eleição deste ano. Boa parte do mercado já dá como certa a vitória de Lula, mesmo sem saber se ele será o Lula sindicalista dos discursos recentes ou o aliado do mercado que tem o Alckmin como vice.

Qualquer outra possibilidade de terceira via também deverá ser vista como positiva, portanto, o maior risco são os lampejos populistas de Bolsonaro que podem comprometer ainda mais a trajetória fiscal.

Lá fora o cenário deve ser bem mais volátil. A redução dos balanços do FED e a alta de juros americana deve trazer volatilidade. Por mais bem planejado e transparente que seja, um processo de alta de juros é sempre sensível ao mercado. Já a China talvez traga alguma surpresa positiva, com crescimento mais forte e sem o problema da inflação. 

Mas, mesmo com a volatilidade lá fora, o Brasil continua sendo um lugar interessante, especialmente com taxas de juros tão altas. A alta recente da bolsa também não foi sistêmica, ou seja, as ações mais líquidas (especialmente ligadas à commodities e setor financeiro) são as mais procuradas pelos gringos no início do ciclo, mas ainda há excelentes pechinchas (ou guimbas do charuto como dizia Graham) por aí.

Por fim, a pandemia ficou para trás. As economias começam a reabrir e os gargalos logísticos e de produção devem começar a se normalizar. Só falta nos livrarmos das máscaras.

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Comentário(s): 210

       
  1. Gostei do artigo ,falou resumido a situação econômica do Brasil e sobre inflação e desenvolvimento da B3

  2. Necessito desta atualização em decorrência de esta aposentada e nosso recebivel perde constantemente o valor de compra diária para o sustento familiar.

    1. Olá, Telma!

      Ficamos felizes que tenha gostado do conteúdo! Uma atualização é sempre um aspecto positivo para melhorar a vida financeira. O que acha de se manter ainda mais informada com relação a investimentos e cenário econômico? Te convidamos para conhecer nosso blog https://www.parmais.com.br/blog/ , com mais de mil artigos e também acompanhar nosso Instagram .

      Sucesso!

    1. Simone, boa tarde!

      Ficamos felizes pelo seu interesse, pois a educação financeira é revolucionária na vida de todos!
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      Desejamos sucesso!

  3. Olá.
    Quero fazer um investimento de 2 milhões em um galpão para confinamento de vacas leiteiras juro 6% seria o momento ou a tendencia dos materias de construção irá reduzir?

    1. Rodrigo, boa tarde!
      Nesse momento, ainda vemos uma conjuntura macroeconômica bem conturbada, com bastante pressão e volatilidade nos preços das commodities. Logo, os materiais de construção poderão ser bem impactados e não vislumbramos, em um curto período de tempo, uma diminuição nos preços como um todo.
      Todavia, a decisão de você realizar o investimento para o confinamento de gado não deve ser tomada unicamente baseada no custo. Sabemos sim que ele impacta na viabilidade final, mas o seu produto final (leite) também é uma commodity agropecuária importante e também deve estar em alta nesse momento. Logo, esperar uma baixa no mercado de material de construção poderá impactar no preço atual de seu produto final também (ou seja, a ponto que o material de construção fica mais barato, o seu produto final também ficará mais barato).
      Portanto, aconselhamos que você faça um planejamento para o investimento que deseja fazer considerando não somente o custo, mas a oportunidade que a alta nas commodities representam em termos de lucratividade para o seu negócio. Se mesmo com um custo elevado o retorno do seu investimento for significativamente positivo, valerá a pena correr os riscos de uma nova alta dos custos. Mais uma vez, um planejamento é ideal para a gestão dos riscos do investimento que você deseja fazer.
      Sucesso!

  4. O nosso país deve investir bastante na educação caso a elite dominante queira progresso. Em educação ampla que abra os horizontes do povão, e´a unica e primordial formula para superar a pobreza. Enquanto os economistas ficarem fazendo só estatística o progresso econômico fica intimidado.

    1. Zoraia, boa tarde!
      Não entendemos a sua dúvida. Poderia nos explicar melhor para que possamos te ajudar de forma mais assertiva?
      Até mais!

    1. Luciano, boa tarde!
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