Série Estratégias de Investimento – FIDCs

  • 29/05/2018

direitos creditorios - FIDC

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, também conhecidos como FIDCs, são fundos de renda fixa de baixa volatilidade e com rentabilidade bastante atraente, muitas vezes ultrapassando os 120% do CDI. No entanto, esses são fundos muito complexos, por isso é importante entender as particularidades e os riscos desse tipo de investimento.

O que são FIDCs – Fundos de investimento em direitos creditórios?

Os FIDCs são fundos que investem no mínimo 50% do seu patrimônio em direitos creditórios. Os direitos creditórios, por sua vez, são provenientes de créditos que uma empresa tem a receber, como duplicatas, aluguéis, cheques, pagamentos de cartão de crédito, entre outras possibilidades.

Imagine, por exemplo, o caso de uma empresa que vende um produto ou um serviço com pagamento a prazo. Ela terá o direito de receber em 30 dias, o valor referente à venda efetuada. Essa empresa, no entanto, precisa desse valor hoje para tocar a sua operação e decide antecipar o recebimento desse pagamento.

Uma das maneiras de fazer isso é vendendo o crédito para investidores através de um FIDC. A dívida que será paga em 30 dias torna-se um título através de um processo de securitização. A empresa vende esse título ao FIDC, recebendo assim o valor hoje com uma taxa de desconto. Em 30 dias o título será pago e vai remunerar o FIDC e seus investidores. A taxa de desconto do título, nesse caso, equivale à rentabilidade que o fundo vai auferir.

Uma característica dos FIDCs são a existência de cotas seniores e cotas subordinadas. As cotas seniores são cotas que tem preferência nos recebimentos do fundo. Esse tipo de cota tem um rendimento fixo, previamente acordado no regulamento do fundo. Além disso, elas não sofrem diretamente o impacto da inadimplência pois tem as cotas subordinadas que servem como “colchão” de garantia.

Uma emissão de FIDC pode ter diferentes níveis de subordinação, tendo cotas mezanino e subordinadas que estão ambas abaixo das cotas seniores na preferência de recebimento. Além de não ter preferência de recebimento, também não há garantia dos valores a serem recebidos, mas elas têm um potencial maior de rentabilidade. Dessa forma, as cotas subordinadas recebem o diferencial de rentabilidade caso esta seja maior ou menor que a prevista. As cotas subordinadas são diretamente impactadas no caso de inadimplência.

Devido às especificidades desse tipo de fundo, uma análise apenas da sua rentabilidade e volatilidade torna-se muito superficial, mascarando alguns riscos específicos. Um indicador importante na análise dos FIDCs é o Índice de Subordinação. Ele determina o tamanho das garantias que os cotistas seniores têm no caso de eventuais inadimplências. Fora isso, indicadores como Grau de Perda e Grau de Recompra também são muito importantes. O primeiro, ajuda a analisar se o fundo se encontra em uma situação financeira saudável e o segundo indica se a real situação financeira do fundo não está sendo mascarada pela recompra de títulos pelo cedente.

Vantagens de um FIDC

As principais vantagens de um FIDC são a sua rentabilidade e volatilidade. Devido à natureza desse fundo e à sua baixa liquidez, esses são fundos que praticamente não tem volatilidade, tendo um comportamento bastante previsível caso não sofra um forte evento de inadimplência. Além disso esses são fundos que costumam pagar mais de 120% do CDI, que é bastante superior à rentabilidade de outros fundos de renda fixa de pouca volatilidade.

Outro ponto positivo desse tipo de fundo é a sua forte estrutura de governança. Além das figuras de gestor, administrador e custodiante, que são comuns aos outros fundos, estes fundos ainda tem na sua estrutura de governança as companhias securitizadoras, escritórios de advocacia para cobrança de inadimplentes, agências de rating, entre outras instituições. Essa estrutura maior ajuda na prevenção de fraudes e na diminuição dos riscos do fundo.

Finalmente, esse tipo de fundo costuma ter muitos cedentes (que são as empresas que cedem os seus créditos) e sacados (que são as pessoas que pagarão os títulos). Essa baixa concentração faz com que o risco específico de um título não ser pago tenha pouco impacto na rentabilidade do fundo, ajudando assim na diversificação do risco de crédito.

Desvantagens de um FIDC

Apesar de ter pouca volatilidade e risco de mercado, os FIDCs são fundos com alto risco de crédito. Por ser um fundo que faz desconto de duplicatas, as empresas que vendem os seus créditos ao fundo costumam ser de pequeno e médio porte, sendo difícil realizar uma análise profunda da sua situação financeira. Da mesma forma, os responsáveis por pagar os títulos da carteira de um FIDC são muitas vezes pessoas físicas ou pequenas empresas, sendo difícil avaliar também a sua capacidade de pagamento. Isso faz com que o risco de crédito desse tipo de fundo seja mais alto que a maioria dos fundos de renda fixa.

Outra desvantagem dos FIDCs são a sua liquidez. Devido à maneira como são estruturados, esses fundos muitas vezes são fechados, ou seja, só pagam de volta o capital em uma data pré-determinada, sem a possibilidade de resgate antecipado. Mesmo os fundos que tem a possibilidade de resgate costumam ter prazos mais longos que a média, podendo ir de 60 a 180 dias.

Outra questão negativa dos FIDCs são os custos da sua gestão. Devido à estrutura robusta de governança que esse fundo exige, se faz necessária a cobrança de taxas de administração maiores que a média, de forma a remunerar essa estrutura. Finalmente, outro ponto relevante é que esse tipo de fundo é acessível apenas a investidores qualificados, que são aqueles que possuem mais de 1 milhão de reais aplicados ou que tem qualificação técnica e certificação aprovadas pela CVM.

Para outras informações sobre investidores qualificados, acesse esse link.

Estratégias de FIDCs

Direitos Creditórios Performados

Um direito creditório está performado quando a operação (ou seja, a venda do produto ou execução do serviço) já foi entregue ou realizada. O contrato de compra e venda não pode ser desfeito. Dessa forma, não existe o risco de não-execução da operação, apenas o risco de inadimplemento do pagamento do mesmo. A maioria dos FIDCs tem essa estratégia pois ela é menos arriscada.

Direitos Creditórios Não-Performados

Nesse tipo de fundo, o direito creditório ainda não está performado. Um exemplo desse tipo de direito creditório seria a antecipação de recebíveis referentes a um apartamento comprado na planta. Neste caso, além do risco de inadimplência, existe também o risco do contrato de compra e venda deixar de existir caso o apartamento não seja construído. Esses FIDCs são mais arriscados, portanto devem oferecer um retorno maior.

Conclusão

Os FIDCs são fundos de baixa volatilidade e alto rendimento, o que faz deles bastante atraentes a um primeiro olhar. Apesar disso, eles são fundos de baixa liquidez e alto risco de crédito, por isso apenas investidores qualificados podem acessar esse tipo de fundo. A análise desse tipo de fundo deve ir além da rentabilidade e volatilidade, incluindo também indicadores como o índice de subordinação, grau de perda, grau de recompra, entre outros. Fique atento à série Estratégias de Investimento para saber mais sobre outros tipos de estratégia.

Resumo
Série Estratégias de Investimento – FIDCs
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Série Estratégias de Investimento – FIDCs
Descrição
Estratégias de Investimento: FIDCIs. São fundos que investem no mínimo 50% do seu patrimônio em direitos creditórios. Os direitos creditórios, por sua vez, são provenientes de créditos que uma empresa tem a receber, como duplicatas, aluguéis, cheques, pagamentos de cartão de crédito, entre outras possibilidades.
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