Investimentos em 2020: acontecimentos do ano e impactos na economia

  • 26/01/2021
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Os investimentos em 2020 foram afetados pela incerteza e por muitos fatores que abalaram os mercados mundiais. Certamente, o ano não deixará saudades. Vários foram os eventos que aconteceram e mesmo assim, conseguimos nos reinventar e nos mostrar resilientes. Vivemos novas experiências e mantivemos a confiança.

2021 chegou cheio de expectativas por mudanças e com muita esperança de que 2020 e todos os seus eventos inesperados fiquem para trás. Sabemos que na prática, a vida continua a mesma, mas acreditamos que teremos de volta a liberdade e temos esperança que o mundo volte ao seu ritmo normal.

Para lembrarmos do ano que passou, reunimos neste artigo os principais acontecimentos e os impactos deles nos investimentos em 2020.

Janeiro de 2020

O primeiro dia do ano foi mais tranquilo. China e EUA haviam chegado a um acordo comercial e, por ser ano de eleição, não se esperava nenhuma grande polêmica de Donald Trump. Mas, no segundo dia do ano, os EUA foram acusados de um atentado contra um líder iraniano, gerando apreensão no mundo e, dias depois, um vírus diferente, identificado pela primeira vez em dezembro de 2019, começou a se propagar rapidamente na China.

Aqui no Brasil o clima era positivo no início de janeiro. Agenda reformista na pauta, inflação baixa, taxas de juros baixas e clima de otimismo no mundo empresarial. Nosso congresso se mostrava muito mais responsável – parecia que finalmente tinha entendido que o problema fiscal brasileiro era sério e que a solução era, de fato, diminuir o tamanho do estado brasileiro. Iniciamos o ano com a taxa Selic em 4,5%, um patamar baixo e muito importante para a estrutura financeira das empresas.

Porém, quando os números da Covid-19 na China davam sinais de controle, começou a disseminação na Europa, de forma mais rápida e com letalidade superior às informações e estatísticas que se tinham até então. No início da pandemia, as previsões foram catastróficas. Com poucos dados disponíveis, as previsões feitas projetavam quedas imensas na atividade econômica.

E sabemos que a incerteza é o pior cenário para os investidores, que logo tentam proteger suas posições. Dessa forma, o mês de janeiro foi de muita volatilidade e com uma forte saída de estrangeiros da nossa bolsa.

Fevereiro 2020

O mês de fevereiro começou sem muito “gás”. Por um lado, preocupações com Brexit e guerra comercial deixaram de existir. Por outro, os sinais de atividade na China e na Europa ficaram aquém das expectativas – mas nada demais.

O coronavírus já preocupava no início do mês. A principal dúvida era sobre o tamanho do impacto que as medidas de controle tomadas pela China teriam no resto do mundo.

Porém, na última semana do mês, contágios fora da China começaram a crescer e, literalmente, o pânico tomou conta dos mercados. As bolsas caíram forte ao redor do mundo. O receio vinha de uma série de fatores, passando pelas medidas adotadas para controle da proliferação, até a forma como os sistemas de saúde estavam preparados para lidar com a situação.

Neste cenário, os bancos centrais já estavam atentos e preparando medidas para mitigar os impactos econômicos. Em fevereiro, o COPOM cortou a taxa Selic para 4,25% ao ano.

Na semana anterior ao carnaval, já convivíamos com o Coronavírus há mais de um mês. As bolsas operavam normalmente, os índices na China, Europa e EUA batiam máximas recentes e nosso CDS (o risco Brasil) em mínimas históricas. Com a notícia da expansão dos casos na Coreia do Sul e Itália o pessimismo tomou conta. Nos últimos dias do mês, os investidores pareciam estar vivendo uma crise sem precedentes.

Março 2020

O mês de março foi marcado pela agitação nos mercados em relação aos efeitos da Covid-19. A pandemia causou muita volatilidade, apreensão e medo nos mercados.

Essa foi, de fato, a primeira crise na era digital. A quantidade de informações e dados circulando pelo mundo afora não teve precedentes. E, como se sabe, essas informações nem sempre são verídicas, muitas vezes, mais desinformando do que informando.

Por fim, no início havia o consenso de que era uma crise com começo, meio e fim. Porém, com a velocidade de transmissão da doença em outros países, os dados da curva da doença na China começaram a ser contestados. Então o mundo começou a parar, literalmente, com pouca clareza de quanto tempo isso duraria e quais seriam as consequências futuras.

A soma de todos esses fatores – um mundo alavancado e demasiadamente “comprado” em investimentos, somado a um fato desconhecido e com potencial de parar a economia mundial por um tempo desconhecido – gerou uma fuga dos investimentos em 2020 numa velocidade nunca vista antes.

Em momentos de incerteza, os grandes investidores correm não só para investimentos mais seguros, como também buscam ter liquidez, ou seja, “dinheiro na mão”.

E dessa vez o movimento foi ainda mais intenso. Após um grande rally de alta no mundo inteiro e diante de um problema que literalmente parou a economia mundial, o movimento nos mercados foi muito intenso.

Isso acabou gerando uma das quedas mais rápidas já vistas nas bolsas de valores, com reflexos em vários mercados. A bolsa brasileira, em poucas semanas, acumulou queda de 40% sendo que, apenas em um dia, chegou a cair quase 20%. Vimos o aumento da volatilidade e a irracionalidade tomando conta do mercado, ou seja, operações sem lógica, sem parâmetro. Resultado disso foram os inúmeros circuit breakers que vimos na bolsa de valores.

A reação dos mercados foi intensa, contundente e generalizada. Todas as bolsas de valores no mundo tiveram queda, o dólar se valorizou frente a outras moedas e o mercado de juros ficou completamente imprevisível. Isso teve impacto em todas as classes de ativos. Mais uma vez, o Copom cortou a taxa Selic, que chegou a 3,75%.

O momento foi de grande cautela, ajustando as carteiras apenas com movimentos de “ajuste de ponteiros”. Nada de apostas. O momento pedia estratégia.

Abril 2020

Depois da insanidade vista em março, o mês de abril foi marcado pela retomada dos mercados.

A pandemia foi uma coisa diferente de tudo o que já se viu. Pela primeira vez na história recente, o mundo, literalmente, fechou. Por conta disso, não se sabia qual seria o impacto nas economias, as previsões eram as mais catastróficas possíveis e mesmo assim, não mostravam qualquer firmeza nos números.

E no mês de abril, mesmo com o mundo ainda fechado, as coisas começaram a ficar mais claras.

Além disso, os estímulos fiscais, a injeção de liquidez e inclusive a distribuição de dinheiro para as pessoas mais afetadas com o lockdown, somadas a todas as medidas econômicas de forma rápida e efetiva, também trouxeram um pouco mais de calma.

Nos investimentos, as coisas começaram a voltar ao normal. A corrida por liquidez e segurança diminuiu, investidores começaram novamente a “precificar” os ativos, os compradores reapareceram e a volatilidade diminuiu.

Em abril, ainda tivemos algumas surpresas, como o preço negativo do barril de petróleo, coisa que nunca tínhamos visto anteriormente. Essa foi mais uma daquelas insanidades que só se vê em momentos de crise.

Porém, é na crise que aparecem as oportunidades. Quando alguns vendem a qualquer preço, outros podem aproveitar essas “pechinchas”. Foi o que acabou sendo visto nos mercados de debêntures e letras financeiras aqui no Brasil, por exemplo.

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Mas havia muita incerteza sobre o futuro e muitos fatores poderiam balançar o mercado nos próximos meses.

Maio 2020

Contrariando as estatísticas, maio acabou sendo um mês muito positivo para os mercados no mundo inteiro. Mas, apesar do final ter sido muito positivo, não foi necessariamente um mês calmo.

Ao longo do mês, tudo o que foi acontecendo ficou dentro ou até melhor do que as expectativas. Os impactos econômicos foram grandes, mas não tão catastróficos como se chegou a prever durante março e abril. A taxa Selic foi para 3% ao ano.

Saíram muitas pesquisas de medicamentos e vacinas em estágios avançados e com resultados promissores. Por fim, a curva de contágio realmente diminuiu na Europa e estabilizou nos EUA. No Brasil, continuávamos com a eterna novela política e seus desdobramentos.

No cenário de investimentos, podemos dividir maio em semanas.
Na primeira, agenda fraca de indicadores e nenhum dado positivo.
Na segunda semana, a agenda continuou fraca, mas o aumento da tensão entre EUA e China pesou nos mercados. Além disso, a expectativa da divulgação integral do vídeo da reunião ministerial, que os críticos do governo nomeavam de “vídeo bomba”, fez o Ibovespa cair mais de 3% na semana.

Na terceira semana tivemos a divulgação do chamado “vídeo bomba”, que poderia acabar com o governo, mas que no fim das contas acabou tendo efeito inverso. Com isso, na abertura de segunda-feira, os ganhos já superaram as perdas da semana anterior.

A última semana foi muito mais tranquila. Nossa bolsa finalmente ultrapassando os 83.000 pontos e se firmando acima disso.

Neste momento, já percebíamos que o mercado não era o mesmo de antes. Vários eram os riscos, mas o remédio estava fazendo efeito – a liquidez injetada na economia estava fazendo a roda girar.

Junho 2020

O mês de junho foi marcado pela reabertura das principais economias do mundo, o controle praticamente total dos casos da Covid-19 na Europa e o aumento das expectativas por uma vacina no curto prazo.

Os dados econômicos e resultados divulgados ao longo do mês, em geral, vieram melhores do que as expectativas, alguns até muito fortes, mostrando a força da retomada econômica. Muitos desses dados deixam a impressão de que os números negativos tinham ficado para trás e que teríamos um segundo semestre de atividade bem mais forte.

Mas claro, foi um momento de retomada com características específicas. Esse foi o dilema do Banco Central (e do próprio mercado) nas decisões da taxa básica de juros. Em junho, a Selic teve mais um corte de 0,75%, chegando ao patamar de 2,25% ao ano – algo completamente inimaginável até pouco tempo atrás.

Entretanto, num mercado movido pelo fluxo e não necessariamente por fundamentos, é comum a volatilidade imperar. E foi isso que vimos ao longo de junho: a diminuição do ritmo dos mercados e o aumento da volatilidade.

Um ponto importante: junho foi marcado pela entrada de capitais estrangeiros no mercado brasileiro. O mês fechou como o primeiro do ano em que o fluxo de estrangeiros foi positivo.

Nos investimentos, apesar da volatilidade, foi um mês positivo para os ativos brasileiros. Nossa bolsa de valores fechou pelo terceiro mês consecutivo com ganhos significativos e os juros tiveram um belo alívio, também gerando bons resultados.

Julho 2020

No mês de julho vimos o número de contágios por Covid-19 crescer significativamente ao redor do mundo. Mas apesar dos números altos da Covid, os dados econômicos continuaram em recuperação. Os suportes monetários e fiscais, que ocorreram de forma rápida e contundente, deram suporte a essa recuperação.

No Brasil, os holofotes começam a se voltar para a agenda de reformas. Foi apresentada uma proposta de reforma tributária e algumas pequenas reformas também começaram a voltar à pauta, entre elas, a votação do marco do saneamento e a discussão em relação ao marco do gás natural.

Outra discussão do mês foi sobre o orçamento de 2021. Depois de achar uma brecha para “reabrir a torneira” de recursos públicos, o congresso começou a se mobilizar para manter o estado de emergência até 2021, o que representaria um sério problema fiscal para o Brasil.

Nos investimentos, os mercados ao redor do mundo continuaram seus movimentos de recuperação ao longo do mês. Os dados positivos da retomada econômica bem como impactos menores da Covid-19 foram importantes para a melhora do humor dos investidores.

A temporada de balanços do segundo trimestre também foi determinante para medir o tamanho do impacto, bem como a reação das empresas com a crise. Com as divulgações dos balanços, a volatilidade aumentou, o que exigiu mais dos gestores e investidores, visto que boas escolhas fazem toda a diferença.

Chegamos ao fim de julho e, assim, encerramos o semestre mais estranho e tumultuado que nossa geração já viveu.

Agosto 2020

Agosto foi um mês bem diferente dos anteriores. No cenário internacional, foi mais um mês positivo. No Brasil, o cenário político esteve em foco e pesou sobre os mercados. A constante batalha por dinheiro público colocou em xeque o teto de gastos e trouxe à tona a discussão sobre o problema fiscal brasileiro.

O governo seguia comprometido com a responsabilidade fiscal e com a agenda de reformas. Além da tributária, foi apresentada a reforma administrativa – que surpreendeu os mercados – e aprovação de pautas importantes, como o marco do gás.

Apesar das turbulências, os indicadores continuam mostrando uma retomada significativa da economia brasileira.

Ao longo do mês, foi observada uma forte volatilidade, mas sem uma tendência definida. Surgiram grandes oportunidades e as medidas tomadas na pandemia garantiram a manutenção do emprego e distribuição de renda. O brasileiro gastou menos e aumentou a poupança. Somado a tudo isso, o cenário de juros baixo fez muita gente investir na economia real.

Como forma de estímulo à economia real, a taxa Selic – que iniciou o ano em 4,50% e teve cortes sequentes em fevereiro, março, maio e junho – foi reduzida para 2% ao ano, seu menor patamar histórico. Várias aplicações financeiras são indexadas à taxa Selic, por isso, mudanças nas taxas impactam diretamente no resultado dos investimentos em 2020.

Setembro 2020

Setembro foi marcado pela volatilidade – e correção – nos mercados ao redor do mundo, com o primeiro mês de correção generalizada após a Covid-19. No Brasil, esse movimento já havia começado anteriormente e, desde a segunda metade do mês de julho, já tínhamos visto os mercados apresentando maior estresse.

Os motivos acabaram pesando sobre a eleição americana, o aumento de casos da Covid no mundo e um esperado pacote de estímulos nos EUA. Como se não bastassem os problemas lá fora, aqui no Brasil o clima político ficou agitado em relação aos riscos fiscais.

O mês de setembro foi realmente ruim para os investimentos, com os mercados apresentando volatilidade ao longo do mês e com o risco fiscal em foco aqui no Brasil. Com o mundo volátil e os investidores receosos com o cenário fiscal brasileiro, foi difícil para praticamente todas as estratégias encontrar um caminho de gerar retorno no mês.

Para ter noção da magnitude, o Tesouro Selic – que é o investimento mais seguro e conservador – teve resultado negativo no mês. Até mesmo o ouro, que normalmente tem comportamento inverso aos ativos de risco, também caiu no mês.

Outubro 2020

Depois de três meses de volatilidade, outubro vinha se desenrolando de forma muito tranquila. Mas na última semana, os mesmos temas que causaram volatilidade no mês de setembro voltaram à tona.

No Brasil, o debate acerca do financiamento do Renda Cidadã foi arrefecido e adiado, mas não se tornou menos importante. Se por um lado o auxílio emergencial garantiu – em alguns casos – aumento de renda durante a pandemia, por outro, teve um impacto enorme no lado fiscal do país e a necessidade de se pensar na continuidade do programa para 2021, sem furar o teto de gastos.

O Bacen manteve inalterada a taxa básica de juros da economia em 2% a.a. e teve leves mudanças em seu forward guidance destinado ao mercado.

Nos investimentos, o mês foi marcado pela tranquilidade e pelo retorno da busca por ativos de risco na maioria dos mercados. Porém, a volatilidade ocorrida no final do mês acabou prejudicando a rentabilidade da maioria dos investimentos de risco.

Novembro 2020

Novembro iniciou com dois eventos que marcaram o mês. O primeiro foi a eleição americana, que elegeu Joe Biden. A vitória de Biden foi bem vista pelos investidores pois, em tese, suas relações comerciais e diplomáticas serão menos turbulentas do que foram com Trump, o que pode significar maior crescimento mundial.

O segundo fato foi os resultados divulgados sobre as vacinas. Muitos testes foram encerrados com eficácia muito alta em novembro e com isso, os países afetados começaram a arquitetar seus planos de vacinação.

Nos investimentos, o mês foi marcado pela tranquilidade e pelo retorno da busca por ativos de risco, só que desta vez em escala muito maior. O mês de novembro teve altas expressivas nas bolsas mundiais, com o dinheiro migrando para os ativos de risco.

Enquanto ativos de risco tiveram retorno muito positivo, os ativos de proteção, como o ouro, tiveram queda acentuada no mês. Com o fluxo de investimento vindo para nossa bolsa, o Ibovespa teve uma das maiores altas mensais da história, enquanto o dólar teve queda significativa.

Os juros também tiveram forte recuo, mas não tão grande, pois ainda estavam em cena os riscos fiscais. Com isso, os ganhos foram generalizados no mês. Porém, sabemos que o cenário de investimentos nunca é tranquilo quando o movimento é ditado pelo fluxo.

Dezembro 2020

O último mês do ano mais incomum da história recente foi marcado pelo otimismo e a consequente volta do apetite ao risco ao redor do mundo. Nem mesmo os recordes de casos e internações e as medidas de restrição impostas em alguns países foram capazes de desanimar os investidores.

Mesmo com o agravamento da pandemia, o cenário econômico continua bastante favorável, com menores riscos de tensões comerciais e geopolíticas, com o início das vacinações e, claro, impulsionado pelo fluxo abundante de recursos no mercado. Com isso, os investidores continuam buscando oportunidades e ajustando suas carteiras.

Ao que tudo indica, o movimento de apreciação dos ativos de risco deve se manter para o ano de 2021. Com taxas de juros baixas e muito dinheiro em circulação, a tendência é que os ativos ligados à economia real tenham maior procura.

Conclusão

Não restam dúvidas de que 2020 foi um ano atípico, com um acontecimento inesperado que gerou diversos tipos de reações e que terá consequências ainda imprevisíveis. Os investimentos em 2020 passaram por diversos acontecimentos que trouxeram incertezas e tiveram impacto direto no rendimento dos ativos.

Provavelmente, esse foi um dos anos mais intensos de nossas vidas. Incertezas, tensão, medo… Uma série de emoções que ninguém imaginava que iria experimentar.

Porém, entramos nessa crise de uma forma relativamente confortável e, pela primeira vez na história, pudemos acompanhar as economias desenvolvidas e baixar as taxas de juros em meio a uma crise.

Mas os desafios estão longe de acabar. No Brasil, o ano de 2020 trouxe de volta uma série de problemas políticos e decisões contestáveis nos três poderes.

Torcemos para que o país tome rumo. Que em breve possamos olhar para o que passou e ver, de uma perspectiva bem melhor, que tudo isso ficou para trás.

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