Circuit breaker: o que é e qual seu histórico na bolsa brasileira?

  • 12/03/2020
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Circuit breaker

O ano de 2020 iniciou turbulento por causa dos conflitos entre Irã e EUA em janeiro, seguido pelo surto de Coronavírus que teve origem na China e está se espalhando pelo mundo. Em março, Arábia Saudita e Rússia iniciaram uma guerra de preços do petróleo e a Organização Mundial de Saúde declarou a doença causada pelo novo Coronavírus como pandemia, acentuando o pânico no mercado e fazendo com que o circuit breaker fosse acionado mais de uma vez em apenas uma semana.

Esse mecanismo já foi utilizado diversas vezes em momentos de crise, mas desde 2008, quando ocorreu o início da última grande crise financeira mundial, a Bolsa brasileira não passava por tantos circuit breakers em tão pouco tempo.

O que é circuit breaker

O circuit breaker é o procedimento operacional que interrompe a negociação de ativos, das opções referenciadas em ações, sobre Ibovespa, sobre IBrX-50 e cotas de fundo de índice (ETF) renda fixa privada, em momentos atípicos de mercado em que há excessiva volatilidade.

São três regras para o circuit breaker acontecer, que seguem a sequência:

  1. Quando o Ibovespa desvalorizar 10% (dez por cento) em relação ao índice de fechamento do dia anterior, a negociação dos ativos, dos derivativos e de renda fixa privada é interrompida por 30 (trinta) minutos;
  2. Reabertas as negociações, caso a variação do Ibovespa atinja oscilação negativa de 15% (quinze por cento) em relação ao índice de fechamento do dia anterior, a negociação dos ativos, dos derivativos e de renda fixa privada é interrompida por 1 (uma) hora;
  3. Reabertas as negociações, caso a variação do Ibovespa atinja oscilação negativa de 20% (vinte por cento) em relação ao índice de fechamento do dia anterior, a B3 pode determinar a suspensão da negociação de ativos, de opções e de renda fixa privada por período por ela definido. Nesse caso, o mercado deve ser comunicado pelos canais usuais de divulgação das informações da B3.

As regras não se aplicam se a desvalorização de 10% acontecer nos últimos 30 minutos da sessão de negociação. Caso a interrupção da negociação ocorra na última hora da sessão de negociação, (entre 31 e 60 minutos do fechamento) o horário de encerramento será prorrogado por, no máximo, 30 (trinta) minutos, para reabertura e negociação ininterrupta dos ativos e dos derivativos.

Fonte: B3

Histórico dos circuit breakers no Brasil

Confira outros momentos em que o circuit breaker foi acionado na Bolsa brasileira:

1997 – Crise Financeira Asiática

  • 28/10/1997: +6,42%
  • 07/11/1997: -6,38%
  • 12/11/1997: -10,20%

28 de outubro de 1997 foi a primeira vez em que o circuit breaker foi acionado. A volatilidade se deu por conta da crise financeira asiática. Após vários pregões em baixa e 3 circuit breakers no período, o Ibovespa recuperou a pontuação aproximadamente 5 meses depois em 13/03/1998, fechando em 11.566 pontos.

1998 – Crise Russa

  • 21/08/1998: -2,85%
  • 04/09/1998: -6,13%
  • 10/09/1998: -15,82%
  • 17/09/1998: -4,84%

Em agosto de 1998 tivemos a crise russa, que novamente jogou as bolsas mundiais para baixo. A bolsa brasileira teve 4 circuit breakers em menos de um mês e diversos pregões negativos. No entanto, dois meses depois, em 05/11/1998 o índice voltou a ganhar força e fechou em 8.092 pontos, recuperando as perdas no período.

1999 – Adoção do Câmbio Flutuante

  • 13/01/1999: -5,04%
  • 14/01/1999: -9,96%

Em janeiro de 1999 tivemos a adoção do câmbio flutuante. Nos dois pregões anteriores à adoção, dias 13 e 14, o Ibovespa chegou a cair 5,04% e 9,96% respectivamente e o circuit breaker foi acionado nas duas ocasiões. Porém, no dia 15 a bolsa subiu 33,40%, recuperando toda a perda.

2008 – Crise Financeira Mundial

  • 29/09/2008: -9,36%
  • 06/10/2008: -5,43%
  • 10/10/2008: -3,97%
  • 15/10/2008: -11,39%
  • 22/10/2008: -10,18%

Em 2008, tivemos a crise financeira mundial causada pela bolha imobiliária nos EUA. Em menos de um mês, a bolsa brasileira teve de suspender as operações em cinco pregões diferentes entre setembro e outubro. Em dezembro do mesmo ano, o Ibovespa voltou a subir e em maio de 2009 voltou a pontuação pré-crise.

2017 – Delações Joesley Batista

  • 18/05/2017: -10,47%

Em maio de 2017 a bolsa voltou a suspender as operações por conta das delações de Joesley Batista, envolvendo o ex-presidente Michel Temer. Apenas três meses depois, em agosto, o índice recuperou as perdas dando sequência à alta do Ibovespa.

2020 – Pandemia do Coronavírus

  • 09/03/2020: -12,17%
  • 11/03/2020: -7,64%

Após um excelente ano de 2019 para as bolsas mundiais, 2020 começou muito mais turbulento por causa dos conflitos entre Irã e EUA em janeiro, seguido pelo surto de Coronavírus, que teve origem na China e tem se espalhado pelo mundo. Para piorar a situação, Arábia Saudita e Rússia iniciaram uma guerra de preços do petróleo, levando o Ibovespa para o pior pregão do século, ativando o circuit breaker e caindo 12,17% em 09 de março.

Após uma leve recuperação de 7,14% no pregão do dia seguinte, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara o novo Coronavírus como pandemia no dia 11, gerando grandes quedas nas bolsas de todo o mundo e forçando novamente a bolsa brasileira a suspender as operações.

Extra:

2001 – Atentado terrorista às Torres Gêmeas

  • 11/09/2001: -9,17%

Após os atentados terroristas às Torres Gêmeas nos Estados Unidos, a bolsa brasileira abriu em queda de 9,17% e tiveram as negociações paralisadas até o fim do dia, como a maioria das bolsas no mundo. Porém o circuit breaker não foi acionado.

A recuperação do índice veio apenas dois meses depois, em novembro do mesmo ano, após vários pregões em alta.

Conclusão

Além da declaração do novo Coronavírus como pandemia, a guerra do petróleo também influenciou fortemente a queda das bolsas mundiais, fazendo com o que o Ibovespa tivesse que acionar o circuit breaker em algumas ocasiões.

O circuit breaker, é a interrupção temporária dos negócios após fortes perdas e ocorre quando o Ibovespa desvaloriza 10%. As negociações ficam paralisadas por 30 minutos. Se após a abertura a queda chegar a 15%, é feita uma nova interrupção, de uma hora.

Esse mecanismo já foi utilizado diversas vezes em momentos de crise, mas desde 2008, quando ocorreu o início da última grande crise financeira mundial, a Bolsa brasileira não passava por dois circuit breakers em tão pouco tempo.

Por conta disso, é sempre importante ressaltar que as estratégias do investidor devem estar alinhadas ao perfil de investidor e ao momento de vida, para que em situações como esta as perdas não impactem significativamente em todo o patrimônio. Ter acompanhamento de um profissional especializado é fundamental para uma boa gestão de carteira, suavizando as perdas e maximizando os lucros. Conheça o modelo de negócios da ParMais.

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