Por que o dólar subiu tanto com a crise?

  • 12/05/2020
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O dólar tornou-se a moeda referência da economia mundial e exerce influência em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. Em momentos de maior aversão ao risco, é comum identificarmos uma forte fuga de capitais dos países emergentes, visto que, em momentos de incertezas, os investidores buscam ativos mais seguros.

A moeda americana atua diretamente na nossa economia e nos valores dos produtos que consumimos, principalmente os produtos importados. Fatores como crises econômicas, instabilidade política, taxas de juros e incertezas no crescimento econômico influenciam diretamente no comportamento do dólar. Entenda porque o dólar subiu tanto com a crise causada pela COVID-19 e os principais fatores que causam a valorização da moeda.

Características do Câmbio Flutuante e o seu papel na política cambial

No câmbio flutuante, as taxas de câmbio são determinadas de acordo com a oferta e demanda do mercado. Desse modo, o governo permite que as moedas oscilem livremente e, em casos específicos, pode realizar intervenções na cotação do câmbio (vendendo ou comprando moeda). Atualmente, este é o tipo de política cambial adotado pelo Brasil.

O Banco Central do Brasil (BCB) possui papel essencial de execução de política cambial determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), além de regulamentação e fiscalização do mercado de câmbio.

Como instrumento de política cambial, o BCB atua na liquidez de moeda internacional, ou seja, ele pode comprar moeda (retirando dinheiro da economia) ou vender (injetando dinheiro na economia) através de movimentos na reserva de moedas internacionais do país. Essas operações ocorrem através de contratos futuros atrelados ao dólar, servindo como uma proteção cambial.

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O dólar e a crise COVID-19

Por causa da pandemia da COVID-19, o cenário mudou completamente e houve uma forte desvalorização das moedas de países emergentes, levando o dólar comercial a um patamar histórico inédito no Brasil – com seu maior fechamento a R$5,84, no dia 7 de maio de 2020. Desde o início de 2020, o dólar comercial apreciou cerca de 37%. Dados: Banco Central do Brasil.

Em momentos de crise econômica, grandes variações na cotação do dólar costumam ser normais. No Brasil, nessas situações, geralmente a tendência é que a cotação suba.

Leia mais: A trajetória do dólar desde o Plano Real

Quais os fatores e por que o dólar subiu tanto em 2020?

Além da crise econômica por causa da COVID-19 e da instabilidade política, outros fatores também podem influenciar a valorização do dólar:

Economia referência: a economia americana consolidou-se ao longo dos anos e, mesmo que o país enfrente uma crise econômica, o dólar continuará sendo considerado a moeda de confiança internacional, visto o tamanho de mercado da economia americana.

Risco-país: cenários instáveis costumam aumentar o risco-país – conceito econômico que mede a confiança do investidor estrangeiro para realizar transações internacionais em determinado país. Serve como uma orientação a situação financeira de país emergentes. Por isso, a indicação do risco-país em patamares mais altos, significa que os investidores estão receosos de investir em moeda estrangeira, pois o risco da operação está maior – levando a fuga de capital estrangeiro.

Taxa Selic: a queda da taxa de juro para o seu menor patamar histórico (3% ao ano) desestimulou os investidores estrangeiros a investirem no Brasil, visto a baixa remuneração comparado às taxas históricas, ao risco-país e as demais economias.

Leia mais: O que é Taxa Selic

Proteção de Capital: o aumento na cotação do dólar também se dá devido à grande procura pela moeda americana para a proteção de capital. Além de ser referência monetária, o dólar é uma das moedas mais fortes e sólidas do mundo, por isso, as pessoas costumam comprá-lo para hedge (proteção) aos momentos de incerteza.

Incertezas: a crise provocada pelo COVID-19 e a queda do preço das commodities, que desestabilizaram a balança comercial são fatores que geram incertezas no crescimento econômico dos países e, consequentemente, a forte valorização do dólar. Em momentos de incertezas, o mercado busca o que considera menos incerto e, atualmente, o dólar representa solidez.

Impactos da alta do dólar

A variação da taxa de câmbio impacta diretamente no preço e serviços dos bens importados (consumo final) e nos insumos utilizados na produção de diversos produtos. Com a depreciação do real, os produtos importados ficam relativamente mais caros, por isso, tendem a afetar a demanda por bens e serviços domésticos, aumentando a competitividade.

O tamanho do impacto irá depender do tamanho do mercado de bens e serviços importados no país, visto que quanto maior for o consumo desses produtos em dólar, mais impacto terá inflação (aumento de preços) – considerando o cenário de depreciação da moeda local.

Conclusão

O dólar tornou-se a moeda referência da economia mundial e exerce influência em diversos países do mundo, inclusive no Brasil.

Em momentos de maior aversão ao risco é comum identificarmos uma forte fuga de capitais dos países emergentes, visto que, em momentos de incerteza os investidores buscam ativos mais seguros. Nesse sentido, recentemente houve uma forte desvalorização das moedas de países emergentes, levando o dólar comercial a um patamar histórico inédito.

Vários são os motivos que justificam por que o dólar subiu tanto com a crise. Além da pandemia, fatores como instabilidade política, taxa de juros do país menos atrativa, proteção de capital dos investidores e, principalmente, as incertezas no crescimento econômico dos países influenciam na alta da moeda americana

Por fim, acreditamos numa tendência de queda na cotação do dólar à medida que surgirem respostas mais concretas sobre os impactos econômicos a longo prazo, ou seja, diminuição das incertezas no país.

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Comentário(s): 8

       
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