Como o investidor brasileiro está lidando com a queda da Selic?

  • 02/07/2020
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Por causa da pandemia causada pela Covid-19, o Banco Central do Brasil (BCB) reduziu mais uma vez a taxa Selic, que é a taxa básica de juros, usada como instrumento de política monetária expansionista a fim de estimular a economia real.

Esse novo cenário de manutenção de taxas de juros baixas no Brasil está levando o investidor brasileiro a realizar mudanças na carteira de investimentos em busca de maiores rentabilidades. Neste artigo, vamos falar sobre o histórico da taxa básica de juros, os impactos que a queda da Selic têm no rendimento dos investimentos e como o investidor brasileiro está lidando com o novo cenário.

Histórico da Taxa Selic

A Selic, taxa básica que indica a política de juros no Brasil, atingiu o menor percentual desde a sua série histórica: 2,25% ao ano. Este foi o oitavo corte consecutivo definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que vem cortando os juros desde a reunião de outubro de 2016.

Entre os anos de 2010 e 2016, a Selic ficou entre 7% e 14,25% ao ano. Sendo que sua máxima, desde o início da série histórica em 1986, foi atingida em 1997 com taxa de 38% ao ano e no início dos anos 2000 mantinha-se em patamares entre 15% e 19% ao ano. A queda da Selic vem acontecendo desde 2016 e atualmente alcançou seu patamar mais baixo – de 2,25% ao ano, com indicação do Banco Central de espaço para novos reajustes.

O Banco Central realiza projeções para taxa Selic através do relatório Focus, que resume as estatísticas calculadas, considerando as expectativas de mercado. Segundo a última publicação, a expectativa é que a taxa básica de juros permaneça neste patamar de 2,25% até o fim do ano. Para 2021, a expectativa é que a Selic ficará em 3% ao ano e em 2022 a 5% ao ano.

Impacto nos investimentos

Selic baixa significa estímulo à economia real, ou seja, o custo de crédito menor incentiva a produção e o consumo. Por sua vez, diante da pandemia da Covid-19, o cenário de recuperação econômica deve ser gradativo. Com o nível baixo de inflação, o Banco Central permanece com economia estimulativa de juros por meio de cortes na Selic.

Várias aplicações financeiras são indexadas à taxa Selic, por isso mudanças nas taxas impactam diretamente no resultado dos investimentos. Portanto, é momento de rever seus objetivos e sua carteira.

Investimentos com a queda da Selic

Diante do histórico de juros altos no Brasil, a queda da Selic traz ao investidor brasileiro muitas dúvidas de como realizar as mudanças na carteira para adequação da estratégia e, por fim, obter melhores resultados. Essas mudanças levam o investidor a observar com mais atenção as oportunidades de diversificação, atualizar a referência para comparação e validação de seus resultados – o chamado benchmark, como o CDI, por exemplo – e a importância de ter os objetivos da sua carteira bem definidos.

Saiba mais: O que é CDI?

Para os investidores mais conservadores, acostumados a investir principalmente em ativos de renda fixa, o objetivo de acumulação de patrimônio terá um ritmo diferente. As aplicações mais comuns dos brasileiros, como a Caderneta de Poupança, Fundos de Renda Fixa e Certificados de Depósito Bancário (CDBs), passaram a render menos e correm risco de perder para a inflação.

Nesse sentido, os investidores terão que poupar muito mais para ver o aumento de patrimônio em aplicações de perfil mais conservadores, correr mais risco em investimentos ou se acostumar ao novo cenário. Afinal, não estamos mais em 2016, quando a Selic estava 14,25% ao ano e não era difícil encontrar aplicações financeiras que rendessem acima de 10% ao ano. Para citar um exemplo, o investimento em Tesouro Selic representa uma drástica redução de rentabilidade.

Diversificar a carteira por objetivos pode ser uma boa alternativa para arriscar uma determinada parcela do seu portfólio em busca de melhores resultados, evitando que a volatilidade no curto prazo traga grande desconforto. Se o objetivo é de curto prazo, renunciar a rentabilidade em razão da segurança será inevitável.

Se você se considera conservador e não está disposto a correr risco na sua carteira, não tem problema. O importante é estar tranquilo com os resultados e ciente dos impactos dessa nova rentabilidade ao longo dos anos e, principalmente, analisar o ganho real da sua carteira. Esse é um dos principais pontos de atenção do investidor quando falamos em acúmulo de patrimônio. De forma breve e resumida, o ganho real presenta o ganho acima da inflação, ou seja, a taxa de remuneração que irá manter o seu poder de compra no longo prazo.

Saiba mais: Guia – Como analisar a rentabilidade dos seus investimentos

Exposição ao Risco

A queda da Selic e a manutenção em níveis reduzidos provoca um movimento que tem sido muito observado nesses últimos anos: o aumento da exposição ao risco na carteira dos investidores brasileiros. Isso significa que eles estão aprendendo a conviver com a volatilidade.

Diante da nova realidade, esse movimento de apetite por riscos leva o investidor a procurar investimentos alternativos à renda fixa. Entre as estratégias, os investimentos em renda variável, através de fundos de investimentos de ações ou ações diretamente, têm se destacado bastante durante os últimos anos. Essa procura por risco tem sido observada através do número de investidores pessoa física cadastrados na B3 (Bolsa de Valores Brasil). Em 2016, quando o Brasil atingia taxas elevadas de juros, o número de investidores na bolsa era pouco maior de 564 mil. Hoje, o número ultrapassa os 2 milhões e 400 mil.

Destinar parte dos recursos para investimentos com riscos maiores e, consequentemente, com potencial de valorização maior, pode trazer bons resultados para sua carteira de investimentos no longo prazo. É importante entender no que você está investindo e os riscos da operação. Lembre-se que não existe rentabilidade fácil no mercado financeiro.

Oportunidade em Renda Variável

O mercado de renda variável vai ganhar cada vez mais espaço na carteira dos investidores. A Bolsa continua trazendo boas oportunidades para quem faz seleção de ativos e mantém seu portfólio diversificado, buscando empresas com boa saúde financeira e que tendem a se beneficiar desse cenário de novo normal diante da pandemia. Se você não está confortável em investir sozinho em ações, investir através de fundos de ações ou ETFs podem ser uma boa alternativa para terceirizar a gestão de risco da sua carteira. Não deixe de pesquisar sobre o assunto e procurar por bons gestores.

Defina seus objetivos financeiros

Uma carteira com objetivos bem definidos de reserva de emergência e objetivos de médio e longo prazo, será essencial para o alinhamento de expectativa de rentabilidade e risco do seu portfólio. Diversificar seus investimentos visando diminuir os impactos de futuras oscilações de mercado são medidas importantíssimas quando falamos em exposição ao risco. Sem contar, é claro, que você respeita o seu perfil de investidor.

É natural que nesse momento aumente a procura por investimentos de maior exposição ao risco, em busca de maiores retornos. Esse movimento mostra o amadurecimento do investidor brasileiro em aprender a conviver com o novo cenário de juros baixos e com volatilidade.

Conclusão

Ainda há muitas incertezas sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus, tanto para a economia brasileira, quanto global. Sabemos que a recuperação da economia será gradual e os impactos são evidentes, a magnitude que ainda está incerta.

Os riscos sempre irão existir, seja por conta do cenário nacional – incerteza política, fiscal e econômica – ou global. Por isso, mantenha sempre sua carteira diversificada, tenha seus objetivos bem definidos e respeite seu perfil de risco. Além disso, busque orientação com profissionais qualificados, pois eles podem te ajudar a tomar as melhores decisões.

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