O que é taxa nominal e taxa real de juros? Não seja mais enganado!

  • 21/07/2016

o que é taxa nominal e taxa real de juros
Presente em investimentos financeiros, negociações imobiliárias, empréstimos, simulações, financiamentos, enfim, nas mais diversas operações financeiras, o conceito de taxa nominal e taxa real normalmente gera confusão. Acompanhe nosso artigo e entenda na prática o que é taxa nominal e taxa real de juros e não seja mais enganado!

O que é taxa de juros?

Quando o assunto é dinheiro, um dos principais pontos a ser considerado é a taxa de juros. Conhecer a taxa de juros envolvida em uma operação financeira é fundamental tanto para quem tem recursos sobrando e precisa investir, quanto para quem está precisando captar dinheiro por meio de empréstimo ou de um financiamento.

Mas então, o que é taxa de juros? A taxa de juros nada mais é do que a remuneração do dinheiro. Quem possui recursos sobrando empresta para quem precisa e cobra um percentual sobre esse valor. Porém, no dia a dia normalmente nos deparamos também com os conceitos como “taxa nominal e taxa real”. Confira a seguir a diferença entre esses termos.

O que é taxa nominal e taxa real?

A taxa nominal é a taxa contratada ou declarada em uma operação financeira. Por exemplo, se um banco lhe oferece um fundo de investimento que remunera 15% ao ano, esta é a taxa nominal.

A taxa real de juros, por sua vez, será a taxa que realmente irá gerar riqueza ao investidor, pois é a taxa que remunera acima da inflação. Esse conceito normalmente gera confusão em um primeiro momento. Por isso, primeiro vamos lhe apresentar o que é a inflação e como ela afeta a rentabilidade de um investimento.

A inflação, em poucas palavras, expressa o aumento geral dos preços. Sendo assim, se uma determinada quantidade de dinheiro sofrer uma remuneração inferior à inflação do período, então pode-se dizer que houve perda do poder de compra.

Um caso prático: suponha que em janeiro de 2015 você fazia a compra dos itens de supermercado para a semana com R$ 100. Considere também que a inflação acumulada do ano de 2015 fechou em 10,67%. Dessa forma, para comprar a mesma cesta de produtos em janeiro de 2016 você precisaria de cerca de R$ 110,67. Portanto, se durante esse período seus investimentos e seu patrimônio não valorizaram na mesma proporção que a inflação, podemos dizer que houve uma perda real de riqueza, embora possa até mesmo ter existido um ganho nominal inferior a 10,67%.

O diagrama a seguir expressa como a taxa nominal é composta pela taxa real mais a inflação:

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Taxa nominal e taxa real: um exemplo de investimento

Agora que já entendemos o efeito da inflação, podemos passar para um exemplo relacionado com investimentos. Suponha que um investidor dispunha de R$100 mil para investir em janeiro de 2015 e estava diante das seguintes alternativas:

  1. Investir na poupança, que acabou rendendo 8,07% ao longo de 2015;
  2. Investir em um fundo multimercado, que rendeu 15% no período.

Nesse exemplo vamos considerar a inflação de 2015 para fins de comparação, a qual fechou em 10,67%. Veja no gráfico que a taxa real do fundo de investimento foi positiva, gerando uma rentabilidade de R$ 4.330, enquanto a poupança obteve uma taxa real negativa no período, ou seja, apesar de ter rendido 8,07% no ano, gerou uma perda abaixo da inflação de R$ 2.600.

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Concluindo, o fundo de investimento do exemplo tinha uma taxa nominal de 15%, porém a taxa real – aquela que realmente gerou riqueza ao investidor – foi de 4,3%. A poupança, por sua vez apresentou uma taxa real negativa de 2,6%, provocando uma perda de poder de compra ao investidor.

Cuidados com a taxa nominal e taxa real

Sabendo que a taxa nominal é a taxa apresentada e da sua diferença em relação à taxa real, começa a ficar claro que alguns cuidados devem ser tomados. Seguem alguns exemplos práticos que não devem ser esquecidos, pois assim você conseguirá evitar ser enganado diante de tantas opções de investimentos e aplicações que são oferecidas no dia a dia.

#1. Cuidado com a taxa dos simuladores de planos de previdência

Muitos brasileiros possuem planos de previdência privada, que foram criados – em tese – para ajudar a complementar a aposentadoria. Porém, em termos de rentabilidade esses produtos nem sempre são uma boa opção.

No Brasil, os grandes bancos possuem simuladores que buscam um bom plano de previdência para cada perfil. O problema é que, na sua maioria, os simuladores utilizam taxas nominais superestimadas, que simulam resultados irreais.

Exemplo: se uma simulação usa uma taxa nominal, ela pode estimar que você terá uma renda mensal de R$ 10.000,00 no futuro, por exemplo, mas daqui a 20 ou 30 anos esse valor não comprará a mesma quantidade de coisa que compra hoje, devido a incidência da inflação ao longo do tempo.

Como investimentos em previdência geralmente envolvem grandes períodos de tempo, qualquer superestimação na taxa de juros gera um impacto enorme no valor a ser acumulado no futuro. Porém, com o passar dos anos o investidor muitas vezes acaba por perceber que o fundo de investimento do plano não consegue atingir a rentabilidade proposta na simulação que foi usada na hora da venda do plano.

Com o entendimento do que é taxa nominal e taxa real você não mais cairá nas armadilhas de instituições que apenas querem vender seus produtos sem pensar no cliente.

Por fim, é preciso estar atento às letras miúdas dos simuladores de planos de previdência e dos contratos para saber se a taxa de rentabilidade que está sendo vendida é a taxa nominal ou a taxa real e se estão condizentes com as taxas praticadas pelo mercado.

Além deste pontos, planos de previdência privada envolvem uma série de outros aspectos, os quais podem ser checados em detalhes no nosso eBook “A verdade sobre os simuladores de previdência.

Enganos dos simuladores de previdência privada

Abaixo preparamos um simulador para exemplificar a diferença entre o valor que os bancos, em geral, mostrariam em suas simulações para vender planos de previdência e o valor que você realmente teria, em termos reais, supondo um resgate de todo o valor acumulado.

Você pode alterar o valor inicial aplicado, os aportes mensais, o período (em anos), a taxa prometida pelo banco (nominal) e a inflação anual esperada para o período. Considere os aportes líquidos, já livres das taxas de carregamento. Mas lembre-se que sobre o valor acumulado ainda incidirá IR, cuja tributação dependerá do tipo do plano de contratado.

#2. Cuidado com taxa nominal inferior à inflação

Investimentos que pagam taxa nominal inferior à inflação geram perda do poder de compra, como já foi comentado. Como o Brasil é um país que possui um histórico inflacionário, sempre é preciso estar atento para não ter o capital corroído pelo aumento geral dos preços.

Um bom índice para acompanhar a evolução da inflação no Brasil é o IPCA — Índice Nacional de Preços ao Consumidor — do IBGE, que é o índice oficial utilizado pelo governo.

#3. Ao simular investimentos em longos períodos prefira a taxa real

Quando se deseja calcular o valor que deve ser poupado mensalmente para conseguir alcançar um determinado objetivo no futuro é melhor utilizar a taxa real do que a taxa nominal, mas por quê?

A razão está no fato de que se a taxa nominal for utilizada, então o investidor deverá ter em mãos projeções da inflação para saber se o investimento em questão será capaz de manter o poder de compra dos seus recursos ou não. O problema é que ter projeções da inflação para 10, 20 ou 30 anos, por exemplo, é irreal, pois ninguém consegue realizar previsões acuradas em relação a prazos tão longos.

Por outro lado, quando a taxa real é utilizada, então os efeitos da inflação podem ser desconsiderados nos cálculos e as projeções ficam mais realistas.

#4. Lembre-se de corrigir o valor das aplicações mensais

Conseguir guardar dinheiro ao fim do mês é o ponto essencial para quem deseja ver seu patrimônio aumentar ao longo dos anos. Porém, não deve-se esquecer de corrigir os aportes pela inflação.

A Par Mais, quando realiza simulações de independência financeira ou de outros objetivos financeiros para seus clientes, costuma trabalhar com a taxa real, desconsiderando os efeitos da inflação. No entanto, nessa metodologia o valor aplicado mensalmente deve ser corrigido pela inflação periodicamente.

#5. Ao usar a taxa real em simulações o valor acumulado será diferente das projeções

Ao fazer uma simulação de quanto deve ser poupado para atingir algum objetivo financeiro recomendamos o uso da taxa real, como já foi comentado. Porém, é preciso estar atento que o valor acumulado ao fim de todo o período de acumulação será maior em termos nominais do que o valor da simulação.

Isso ocorre justamente porque a simulação trabalha com a taxa real e não considera o valor da inflação. Porém, o montante acumulado representará, em termos reais, o mesmo poder de compra do valor da simulação feita na data presente.

Conclusão: o que é taxa nominal e taxa real de juros?

Falar sobre o que é taxa nominal e taxa real na verdade é falar de matemática financeira. No entanto, procuramos neste artigo mostrar os aspectos práticos deste tema, que é recorrente no mundo das finanças e dos investimentos.

Este artigo mostrou que a taxa real é composta pela taxa nominal menos a inflação do período analisado. Portanto, uma taxa real positiva é o que faz um investidor aumentar sua riqueza. Por fim, mostramos também que estes conceitos permeiam alguns casos práticos em que deve-se estar atento a pegadinhas, como ocorre em alguns simuladores de planos de previdência existentes no Brasil.

Conte com o apoio dos especialistas da Par Mais para encontrar a melhor maneira de usufruir das taxas de juros de investimentos financeiros e alcançar seus objetivos de vida!

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Par Mais – 21.07.2016

A Par Mais Empoderamento Financeiro tem um propósito claro: fazer com que as pessoas mudem sua relação com o dinheiro para alcançar a liberdade e serem mais felizes. Os especialistas da Par Mais desenvolveram um método que visa tornar qualquer pessoa capacitada a ter o controle das suas finanças. Conheça os nossos serviços. Clique aqui.

Resumo
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Confira nosso artigo, entenda na prática o que é taxa nominal e taxa real de juros e não seja mais enganado em simulações ou linhas de créditos.
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    • Clenon Cezar de Lima
    • 04/11/2016
    Responder

    exelente explicação, aconselho todos verem.