O que é TR (Taxa Referencial) e qual o impacto nos seus investimentos?

  • 22/05/2017
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A Taxa Referencial (TR) teve sua origem no ano de 1991 e serviu para “desindexar a economia”, porém sua finalidade mudou. Hoje, a TR é usada para: correção de financiamentos imobiliários, compor a rentabilidade do FGTS (TR + 3%) e da caderneta de poupança (TR + 70% da meta da SELIC, quando abaixo de 7,5%).

Como surgiu a TR – Taxa Referencial?

A Taxa Referencial (TR) possui mais de 25 anos e, apesar de não ser mais utilizada para o mesmo fim que foi criada, ainda é bastante usada na prática, seja para nortear a rentabilidade de alguns investimentos ou servir de base na taxa de juros de financiamentos. 

Teve sua origem no ano de 1991, como parte do Plano Collor II. A TR foi instituída pela Lei 8.177, e inicialmente serviu como parte de um pacote de medidas para “desindexar a economia”.

Em uma economia “indexada”, diversas variáveis econômicas sofrem reajustes conforme as oscilações dos índices oficias de inflação. Isso ocorreu no Brasil no final da década de 1980 e no começo da década de 1990, quando o país viveu um dos seus episódios econômicos mais marcantes: a hiperinflação.

Na época, conforme os preços aumentavam freneticamente, variáveis como ”salários” eram reajustadas pela própria inflação. Isso provocava um efeito cíclico de aumento ainda maior da inflação. Esse foi um problema que o brasileiro teve de enfrentar e que só terminou em 1994, com a chegada do Plano Real.

Diante disso a TR foi criada e passou a ser utilizada como índice de correção monetária, desindexando salários, juros de financiamentos e de investimentos e outras variáveis econômicas da inflação.  

Atualmente a Taxa Referencial possui outros fins, que serão detalhados na sequência.

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E hoje, o que é TR – Taxa Referencial?

Hoje a TR é usada principalmente para três fins: correção de financiamentos imobiliários, remuneração do FGTS e para compor a rentabilidade da caderneta de poupança.

Nos financiamentos habitacionais, especialmente os que fazem parte do Sistema Financeiro de Habitação, existe a correção da TR sobre o saldo devedor, o que provoca um aumento no valor das parcelas em comparação ao valor que foi contratado na data da assinatura do contrato. Veja esse guia da Caixa Econômica Federal que detalha a atenção que deve ser dada à Taxa Referencial na contratação de um financiamento imobiliário.

No FGTS, a regra da remuneração do fundo é de TR + 3%. Como a TR dificilmente passa de 2% ao ano, o FGTS apresenta uma das piores remunerações do mercado financeiro. Isso é péssimo para o trabalhador, que não consegue resgatar o fundo em muitas situações e acaba sendo bastante prejudicado pela baixa rentabilidade.

Porém, em 2016, com a MP 763 (a mesma que autoriza o saque das contas inativas do FGTS até dezembro de 2015) o governo passará a distribuir aos participantes do FGTS 50% do lucro obtido com as aplicações do fundo. Estima-se que haverá um aumento na rentabilidade do fundo para cerca de 5% a 6% mais a Taxa Referencial.

A caderneta de poupança, por sua vez, rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Para os “0,5%” existe uma exceção de que se a SELIC estiver abaixo de 8,5%, então esta parte fixa da remuneração da poupança deixa de ser 0,5% ao mês e passa a ser 70% da meta da taxa SELIC. A TR, por sua vez, sempre fará parte da rentabilidade da poupança, independente das variações da taxa SELIC. Veja mais em nosso artigo “Quanto rende a poupança?”.

Como é calculada a TR?

A TR é calculada pelo Banco Central com base em outra taxa, a TBF – Taxa Básica Financeira. A TBF, por sua vez, é calculada com base na média da rentabilidade dos CDB’s das 30 maiores instituições financeiras do Brasil.

Para chegar à Taxa Referencial é preciso aplicar um redutor à TBF, o qual é definido pelo Banco Central. Para mais detalhes sobre os cálculos veja a Resolução 3.354. A TR nunca pode ser negativa, sendo limitada a “zero”.

Essa situação de TR igual a zero pode acontecer em períodos de queda da taxa básica de juros da economia brasileira – a taxa SELIC.

Qual é o problema da TR na rentabilidade de investimentos?

Do ponto de vista do investidor, o problema da TR é que no seu cálculo é aplicado um redutor (como já mencionado) que, na prática, faz com que a taxa seja muito baixa ou até mesmo zerada, o que prejudica muito a rentabilidade da caderneta de poupança ou do FGTS.

Veja: em 2016 a TR anual fechou em 2,01% e o IPCA (índice oficial de inflação no Brasil) em 6,29%, já em 2015 a TR anual fechou em 1,80%, enquanto o IPCA finalizou o ano com acumulado de 10,67%. Historicamente, o último ano em que a TR foi superior à inflação foi em 1998. Ou seja, a Taxa Referencial não pode ser tratada como um fator de correção monetária.

O gráfico a seguir compara a TR com o IPCA. Quanto mais a inflação do período é alta, mais se perde dinheiro em aplicações atreladas à TR. Por exemplo, a inflação acumulada – IPCA – de 2010 até 2015 foi de 40% e a TR em todo esse período foi de 4%!

No gráfico, de janeiro de 2000 até maio de 2017, R$100 corrigidos pelo IPCA se tornaram R$ 302,08. Já os mesmos R$100 corrigidos pela TR se acumularam R$ 133,95.

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O próximo gráfico compara a Taxa Referencial com outros indexadores (CDI e IPCA) e também com o FGTS e a poupança. Observe linha por linha. A última é a linha da TR. A linha verde é a inflação, medida pelo IPCA. Abaixo da inflação e acima da TR está o FGTS, que mostra a maldade que se faz com o dinheiro do trabalhador assalariado brasileiro ao remunerar os recursos por uma taxa tão baixa..

Pouco acima da inflação vem a poupança. Mas a linha que realmente se destaca das demais é a que representa o CDI. Apesar de não termos apresentado neste gráfico a evolução do IBOVESPA, o CDI também supera o IBOVESPA se feita uma análise com dados desde 1994 até hoje.

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Saiba mais sobre o que é o CDI e também sobre o que é a taxa SELIC, taxa que serve de base para o CDI.

Conclusão: o que é TR – Taxa Referencial?

A Taxa Referencial – TR – é uma taxa que tem história no Brasil. Sua finalidade mudou desde a sua criação, em 1991. No começo ela serviu como ferramenta para desindexar a economia dos índices de inflação. Hoje a TR é utilizada principalmente para corrigir financiamentos habitacionais e para compor a rentabilidade da poupança, do FGTS e de títulos de capitalização.

O problema é que, por ser uma taxa bastante baixa (as vezes até nula, dependendo de em quanto está a taxa SELIC), os investimentos atrelados a ela possuem baixa rentabilidade – e também por isso nem costumam ser chamados de “investimentos” pelos profissionais da área. Esse é o caso dos títulos de capitalização e da caderneta de poupança. Nessa leva também entra o FGTS, cuja baixa rentabilidade penaliza o suado dinheiro dos trabalhadores brasileiros que possuem seus recursos no Fundo. Por isso, esteja atento aos índices que balizam a rentabilidade dos seus investimentos.

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Comentário(s): 8

       
  1. Excelente Explicação. De forma bem didática e traduziram muito bem o “economês” para o “português brasileiro”. Assim todos entendem e entenderão… Parabens.. !!!

    1. Miltonnelles, boa tarde!
      Nós é que agradecemos por você ser nosso leitor. Um grande incentivo para todo o Time Par Mais.
      Sucesso!

  2. Bom dia, então se contratei um título de capitalização pagamento único 1.000,00(hum mil reais)11/03/2016 por 36 meses,a reserva de capitalização sendo constituída por um percentual do pagamento único, de 83,564%, atualizada mensalmente na data de aniversário, pela taxa de remuneração básica aplicada a caderneta de poupança da data de aniversário e capitalizada a taxa de 0,50% a.m.. Geraria que rendimento aplicada a nova regra da tr?

    1. Zenóbio, boa tarde!
      Retiramos a resposta ao seu questionamento de um artigo do nosso site.
      Caso queira ler o artigo na íntegra, basta acessar este link:
      https://www.parmais.com.br/blog/5-motivos-para-nao-comprar-um-titulo-de-capitalizacao/
      O título de capitalização normalmente é vendido com a rentabilidade de 0,5% mais taxa TR ao mês, “sendo a mesma que a poupança”, no entanto não é bem assim. Esses juros rentabilizam só uma parte do valor que você aplicou, a outra parte é destinado para administração da capitalização e para compra dos prêmios. Portanto não é toda sua aplicação que rentabiliza “igual a poupança”.
      Além do mais a rentabilidade da poupança muitas vezes fica abaixo da inflação, o que significa que o seu dinheiro não terá o mesmo poder de compra que você tem hoje no momento do resgate. Teoricamente se você compra determinado produto com esse dinheiro hoje, não conseguirá comprar no final do período da sua capitalização.
      Qualquer dúvida estamos à disposição.

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