Índice Bovespa: o que é e como funciona?

  • 12/02/2021
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O Índice Bovespa é o principal índice da B3 e serve de indicador do comportamento das ações das empresas do Brasil. Nele, estão reunidas as empresas mais importantes do mercado de capitais do país.

Portanto, se você quer entender sobre o mercado financeiro, o Ibovespa é importante para você conhecer.

O que é o Índice Bovespa

O Índice Bovespa – chamado também de Ibovespa – é o principal e mais antigo índice do mercado brasileiro, sendo assim, referência para investidores ao redor do mundo. Ele é o principal indicador de desempenho das ações negociadas na B3 e reúne as empresas mais importantes do mercado de capitais brasileiro.

Ele é resultado de uma carteira teórica de ativos e corresponde a cerca de 80% do número de negócios e do volume financeiro do nosso mercado de capitais.

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Como surgiu o Índice Bovespa?

O Ibovespa é um índice que já tem mais de 50 anos, pois foi criado em meados de 1967 e computado a partir de 2 de janeiro de 1968.

O índice foi criado pelo departamento da Bolsa de Valores de São Paulo (que atualmente é a B3) como o primeiro índice desta bolsa. Porém, na época, a grande concentração de negociação de ativos no Brasil se dava na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e ela já tinha um índice, o IBV – Índice da Bolsa de Valores.

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A metodologia do IBV foi tomada então como base para a criação do Ibovespa. O conceito do índice também era relativamente simples, pois a ideia era criar uma carteira que, na data-base, tivesse um valor de mercado de 100 cruzeiros novos e o Ibovespa iniciaria valendo 100 pontos.

A valorização do índice, portanto, acompanharia a variação dessas ações que compõem o índice, cada uma na sua proporção. Houve um aperfeiçoamento e refinamento na maneira como o índice é calculado e como uma ação entra no índice, mas o conceito se mantém praticamente o mesmo até hoje.

Primeiro pregão do Ibovespa

A princípio, na época do primeiro pregão, o Ibovespa era composto por essas 17 ações: Aços Villares, Alpargatas, Antarctica, Banespa, Banco Itaú, Mappin, Cimento Itaú, Docas de Santos, Duratex, Indústrias Villares, Lojas Americanas, Brinquedos Estrela, Companhia Melhoramentos, Moinho Santista, Companhia Paulista de Força e Luz, Souza Cruz e Vale do Rio Doce.

Dessas empresas, apenas duas fizeram parte do Ibovespa durante todo o seu histórico: a Vale (que sucedeu a Vale do Rio Doce) e a Ambev (que aparecia na época como Antarctica). O Itaú, as Lojas Americanas e a CPFL Energia ainda fazem parte do índice hoje em dia, mas estiveram fora durante um período. Outras empresas como Alpargatas e Duratex existem até hoje como empresas negociadas na B3, mas não fazem mais parte do índice.

Como funcionam os pontos do Índice Bovespa?

Anteriormente, quando o índice foi criado, o Ibovespa tinha uma carteira de 17 ações que valiam exatamente 100 cruzeiros novos. Essa ideia é semelhante até hoje.

A pontuação atual do Ibovespa é a ponderação do valor em reais das ações que compõem o índice. Ou seja, para uma carteira com uma composição idêntica ao do índice com as suas 81 ações – número de empresas que compõem o Ibovespa atualmente – custaria aproximadamente R$100.000,00, que é a quantidade de pontos do Ibovespa. Em resumo, cada ponto do índice corresponde a R$1.

Apesar da quantidade de pontos ser importante para entender o patamar de valorização da Bolsa e as recentes altas históricas, o mais importante na análise do Ibovespa não é a pontuação em si, mas sim, a variação dessa pontuação em um período de tempo.

Isso significa que, ao falar que o Ibovespa caiu ou subiu 1%, você está dizendo que, na média, as empresas que compõem o Ibovespa – cada uma na sua proporção – tiveram esse mesmo comportamento de maneira idêntica. É por isso que o Ibovespa serve como um indicador e referência para o desempenho das ações e de fundos de renda variável.

Como o índice é formado

Não são todas as ações negociadas na B3 que fazem parte do índice e a metodologia do Ibovespa estabelece o rebalanceamento das empresas que fazem parte a cada quatro meses, ou seja, uma empresa pode entrar ou sair somente nesses rebalanceamentos.

Importante ressaltar que, antes de tudo, a participação de uma empresa no índice não pode ser superior a 20%, tanto na inclusão como no rebalanceamento. Entretanto, caso ocorra, são feitos ajustes e o excedente daquela companhia é redistribuído de forma proporcional para os demais ativos.

Para entrar no Ibovespa, a ação precisa, basicamente, ter um alto volume de negociação, pois a ideia do índice é ser uma carteira que representa o desempenho do mercado como um todo.

Dessa forma, fazer parte do Ibovespa não significa que a empresa tenha mais valor, apenas que existe um alto número de negociações daquela ação específica.

Critérios de inclusão e exclusão

Além disso, existem outros critérios para a inclusão no índice:

  • Estar entre os ativos elegíveis que, no período de vigência das três carteiras anteriores, em ordem decrescente de Índice de Negociabilidade (IN), representem em conjunto 85% (oitenta e cinco por cento) do somatório total desses indicadores
  • Ter presença em pregão de 95% no período de vigência das três carteiras anteriores.
  • Ter participação em termos de volume financeiro maior ou igual a 0,1%
  • no mercado a vista (lote-padrão), no período de vigência das três carteiras anteriores
  • Não ser classificado como “Penny Stock” – Ativos cuja cotação seja inferior a R$1,00.

A metodologia prevê também os critérios de exclusão da carteira de ativos:

  • Deixarem de atender a dois dos critérios de inclusão acima indicados;
  • Estiverem entre os ativos que, em ordem decrescente de IN, estejam
  • Classificados acima dos 90% do total no período de vigência das três carteiras anteriores
  • Sejam classificados como Penny Stock
  • Durante a vigência da carteira passem a ser listados em situação especial – recuperação judicial ou extrajudicial, ou qualquer outra hipótese definida pela B3

Para verificar mais detalhes, assim também como outros parâmetros que embasam a composição do índice, acesse o site da B3.

Como é calculado o Ibovespa?

Em suma, o cálculo é feito considerando o peso que a ação possui na carteira teórica, multiplicado pelo valor da cotação da ação no dia.

As ações têm seus preços alterados de acordo com a oferta e a demanda. Dessa forma, o cálculo do índice oscila praticamente a todo instante, pois é atualizado considerando os novos valores.

Cada ponto do índice vale 1 real. Portanto, se a pontuação do Ibovespa estiver em 90 mil pontos, significa que os ativos que compõem o índice estarão valendo a mesma quantia em reais.

Quando a pontuação do índice sobe, significa que as ações que compõem o índice tiveram valorização do mesmo modo. Todavia, quando a pontuação cai, quer dizer que as ações desvalorizaram.

Composição do Ibovespa

Atualmente, o Índice Bovespa é composto por 81 empresas. Assim, na tabela abaixo listamos as 10 empresas com maior participação para o quadrimestre de Janeiro a Abril de 2021:

Código Ação Part. (%)
VALE3 VALE 11,331
ITUB4 ITAUUNIBANCO 6,868
PETR4 PETROBRAS 5,91
B3SA3 B3 5,418
BBDC4 BRADESCO 5,282
PETR3 PETROBRAS 4,358
ABEV3 AMBEV S/A 3,112
MGLU3 MAGAZ LUIZA 3,041
WEGE3 WEG 2,563
ITSA4 ITAUSA 2,419

Conheça a carteira teórica do Ibovespa completa clicando aqui:

Como operar o Índice Bovespa?

Não é possível investir diretamente nos pontos do Ibovespa, pois ele não é um ativo. Entretanto, você pode buscar por opções que estão na composição do índice, como:

  • ETFs – Fundos negociados em bolsa de valores
  • Minicontratos de Índice – negociados no mercado futuro
  • Fundos de ações Ibovespa – como o BOVA11
  • Contrato Futuro de Ibovespa – investe em diferentes ações sem precisar comprá-las separadas

Conclusão

Os pontos do Ibovespa representam o valor em reais para compor uma carteira representativa do comportamento do mercado de ações brasileiro.

O Índice Bovespa serve como parâmetro para quem opera nos pregões, pois ele reflete o comportamento das principais ações negociadas.

Por fim, a variação do Ibovespa é um indicador muito importante do desempenho das ações no Brasil. Ele existe há mais de 50 anos e é rebalanceado a cada quatro meses. A ideia do índice é ser uma carteira que representa o desempenho do mercado como um todo, por isso, para entrar no Ibovespa, a ação precisa, basicamente, ter um volume alto de negociação.

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