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  • 12/04/2016

Como funciona um consórcio?

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Como funciona um consórcio

Apesar de ser um produto comum no Brasil, muitos podem estar se perguntando como funciona um consórcio. Confira neste artigo os principais detalhes sobre consórcios: como surgiram, quais são as características e quais são as principais vantagens e desvantagens.

História dos consórcios no Brasil

Consórcios são um mecanismo de autofinanciamento. Surgiram em torno da década de 1960, quando o consumidor final não tinha acesso a financiamentos na forma que existem hoje em dia.

Com o avanço da indústria automobilística, tanto as fábricas queriam vender seus carros quanto os consumidores desejavam adquirir tais produtos. Com o crédito restrito ao consumidor final, a saída encontrada foi a união de grupos de pessoas que contribuíam todos os meses para a constituição de um fundo comum. Cada mês seria possível comprar uma certa quantidade de carros com o dinheiro acumulado – normalmente dois -, mas não o suficiente para todos os participantes do consórcio. Por isso, foi desenvolvido um sistema de sorteios. Os participantes deveriam contribuir até que todos fossem contemplados.

Os consórcios cresceram, mas nas décadas de 1980 e 1990, devido aos problemas de hiperinflação no Brasil e alguns escândalos relacionados aos consórcios, surgiram diversas medidas governamentais com o propósito de regulamentar e também de restringir o consumo, prejudicando o sistema.

Atualmente os consórcios são fiscalizados pelo Banco Central do Brasil e estão sob a Lei 11.795/2008. O Banco Central também possui uma série de circulares e comunicados desde 1993, com o fim de regular e estabelecer procedimentos na constituição de grupos de consórcio.

Como funciona um consórcio?

Para entender como funciona um consórcio é preciso conhecer os conceitos de I) administradora e II) grupo do consórcio.

O que é a administradora de consórcio?

É a pessoa jurídica responsável por administrar e organizar os grupos de consórcio, promovendo a aquisição de bens e serviços de forma isonômica, ou seja, com tratamento igual para todos os participantes. Os bens e direitos adquiridos pela administradora em nome do grupo de consórcio não se comunicam com o seu patrimônio e também não respondem por nenhum tipo de obrigação da administradora.

O que é o grupo de consórcio?

A administradora organizará um grupo de participantes com prazo de duração e número de cotas pré-definido. Todos os grupos criados por uma administradora são independentes, ou seja, os recursos de um grupo de consórcio não podem ser transferidos para outro e nem o patrimônio deve ser confundido.

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Contemplação: lances e sorteio

A contemplação ocorre quando o consorciado adquire o direito de utilizar o valor do crédito para a compra do bem em questão no consórcio.  A contemplação pode ocorrer tanto por lance como por sorteio e depende da existência de recursos disponíveis em caixa pela Administradora.

Após a contemplação o consorciado receberá uma carta de crédito, que nada mais é que a liberação dos recursos ao consorciado para que ele possa adquirir o bem ou serviço que é objeto do contrato.

Contemplação por sorteio

Todo mês, de acordo com o caixa do consórcio, pelo menos um consorciado será sorteado e receberá a carta de crédito. O sorteio pode ocorrer desde o momento em que o consorciado começa a pagar, mesmo que nem todas as prestações tenham sido pagas ainda. Essa forma de contemplação constitui na própria essência do consórcio.

Contemplação por lance

Nesse tipo de contemplação os consorciados pagam uma certa quantia como lances. Um lance é uma forma de pagamento antecipado das parcelas. Os lances são registrados como percentuais sobre o valor do crédito. Na assembleia será feita a apuração das ofertas. Um dos tipos é o lance livre, em que a oferta com maior percentual em relação ao crédito será contemplada. Mas existem outros tipos de lances também.

É importante ressaltar que ocorrerá apenas uma contemplação por consorciado em um grupo de consórcio. No caso de um consórcio imobiliário, os lances podem ser realizados com a utilização de recursos do FTGS, seguindo as mesmas regras do uso do FTGS para financiamentos imobiliários.

Custos de um consórcio

Um consórcio não tem juros, como ocorre com os financiamentos, por exemplo. Mas há a cobrança de uma taxa de administração para remunerar e cobrir os custos da administradora pelos serviços prestados. A taxa de administração varia conforme o consórcio, mas fica em torno de 0,20% ao mês.

No entanto, apesar de não existir um custo financeiro alto devido a não cobrança de juros, em um consórcio existe o chamado custo de oportunidade, que é o custo gerado pela necessidade de ter que escolher entre opções excludentes.

Por exemplo, imagine que um consorciado foi contemplado apenas na metade do prazo de duração do consórcio. Durante o tempo que ele ficou pagando as prestações sem ser contemplado ele poderia ter aplicado seus recursos em investimentos rentáveis – que representam o seu custo de oportunidade. Logo, quanto maior for o tempo de espera para que o consorciado seja contemplado, maior será seu custo de oportunidade e mais dinheiro o consorciado estará deixando de ganhar caso tivesse investido o dinheiro.

Considerações: vantagens e desvantagens de fazer um consórcio

Agora que você já sabe como funciona um consórcio, vamos descrever as vantagens e desvantagens de um consórcio, que estão relacionadas com o momento em que o consorciado é contemplado. Se a contemplação ocorrer logo no começo do pagamento das prestações, então existe a vantagem de que o consórcio não embute juros, diferentemente de um financiamento.

Por outro lado, se a contemplação leva muito tempo para ocorrer, uma grande quantidade de prestações terão sido pagas sem que seja possível usufruir do bem. Isso pode ser ruim em termos financeiros, pois melhor teria sido investir o dinheiro durante o período do consórcio para conseguir uma remuneração.

Contudo, a existência de lances pode acelerar o processo de conseguir a carta de crédito. Além disso, em consórcios imobiliários é possível utilizar recursos do FGTS, seguindo as mesmas regras que servem para financiamentos imobiliários. Cabe lembrar que é vantajoso retirar recursos do FGTS, sempre que possível, se existir a possibilidade de reinvestir a mesma quantia em alguma opção de investimento mais rentável, uma vez que o FGTS remunera apenas a uma taxa de aproximadamente 3% ao ano.

Agora que você já entendeu como funciona um consórcio, empodere-se financeiramente e leia nossos artigos e entenda melhor como funcionam outros produtos financeiros:

 

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