Swap – Saiba o que é e como funciona essa operação financeira

  • 19/06/2020
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O termo Swap significa “troca” e é usado justamente para troca de riscos entre duas partes, em uma data futura, seguindo critérios preestabelecidos. Resumindo, é a troca de posição quando há riscos para um investidor. Geralmente, o swap é usado em regimes de câmbio flutuante, em que as taxas costumam oscilar com frequência.

O que é Swap?

O conceito de Swap está ligado às variações do mercado e são frequentemente utilizados por empresas, bancos e instituições de investimento. O Swap é um contrato derivativo que pode ser usado para proteção (hedge ou seguro) ou como um investimento especulativo. No swap existem as pontas ativas (credoras) e passivas (devedoras), que negociam esse contrato buscando se proteger contra alguma alteração de cenário que possa prejudicar uma das partes.

Exemplo

Imagine uma empresa exportadora que receberá U$1.000.000 pelas vendas que fez dentro de 60 dias, enquanto possui todas as suas despesas pagas em real em torno de R$4.000.000. Se a cotação do dólar hoje for R$5,00, a empresa receberia R$5.000.000 e teria um lucro de R$1.000.000.

Como a receita só entrará em 60 dias, a empresa fica exposta à variação do câmbio, o que pode incorrer em prejuízos, caso o dólar se desvalorize muito. Se ele caísse para R$3,80, por exemplo, a empresa receberia R$3.800.000 e teria um prejuízo de R$200.000. Portanto, para não ficar exposta à variação do câmbio, a empresa realiza a operação do swap entre a variação das moedas, acrescido de uma taxa de juros estabelecida no contrato. Dessa forma a empresa troca o risco da variação do preço da moeda pela taxa de juros.

Para facilitar a conta e o raciocínio, vamos supor que a taxa de juros estabelecida seja de 5,26%. Neste caso, a empresa receberia R$3.800.000 da variação do dólar, mais os 5,26% (R$200.260) da taxa de juros, totalizando R$4.000.000 da cotação atual.

Tipos de Swap

São vários os tipos de Swap que existem no mercado. Entre os mais comuns, estão o de câmbio, o de índices, o de taxa de juros e o de commodities.

Swap de Câmbio

Esse é o tipo mais comum no mercado financeiro e consiste na troca de taxa de variação cambial. Ou seja, é um contrato em que uma das partes assume a responsabilidade de pagar a cotação de uma moeda e a outra parte fica responsável pelo pagamento da variação de uma taxa de juro pré determinada.

O Swap cambial é bastante utilizado pelo Banco Central como forma de tentar estabilizar o preço do dólar. Além disso, instituições financeiras e empresas que dependem da cotação de moedas internacionais (importadoras ou exportadoras) também costumam utilizar essa modalidade. Ou seja, as instituições financeiras e as empresas buscam se proteger da desvalorização do real frente ao dólar e o Banco Central tem a função de manter a estabilidade da taxa de câmbio.

Swap de índices

O swap de índices segue a mesma lógica do swap cambial, porém, é realizado entre indexadores como o INPC, IGP-M, CDI, IPC-Fipe, ou um índice de ações, como Ibovespa, IBrX-50.

Nesta operação, o investidor troca a rentabilidade de um indexador, como por exemplo o CDI, por outro indexador, como a taxa de juro pré, assumindo assim duas posições (comprada em um indexador e vendida em outro).

Geralmente, é utilizado quando é necessário capturar um movimento de mercado, mas sem comprar um ativo ou utilizar o caixa, recebendo a variação da posição comprada e pagando a variação da posição vendida.

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Swap de taxas de juros

Basicamente, o swap de taxas de juros é a troca de uma taxa de juros prefixada por uma taxa de juros pós-fixada, ou vice e versa. Podemos usar como exemplo um CDB que foi contratado com uma taxa prefixada. Caso o investidor queira se proteger de uma possível alta nos juros, ele pode trocar a taxa prefixada por uma taxa pós-fixada, realizando uma operação de swap com outra instituição.

Dessa forma, o investidor receberá a rentabilidade do CDB com base na taxa de juros pós-fixada, independente da oscilação da taxa de juros.

Swap de commodities

Bastante utilizados por empresas importadoras e exportadoras, o swap de commodities consiste na troca de fluxos associados à variação de cotações de commodities.

O swap de commodities pode ser utilizado com petróleo, ouro, boi gordo, milho, entre outros.

Swap tradicional e Swap reverso

O swap pode ser feito pelo método tradicional ou reverso.

No tradicional, o Banco Central é responsável por conter repentinas altas do dólar, pois o aumento brusco da moeda pode ter impacto negativo.

Para isso, o Banco Central oferece aos agentes de mercado o pagamento da oscilação do câmbio, mais um cupom cambial ou prêmio, com o objetivo de conter fortes altas do dólar. Já a outra parte da operação, assume o compromisso de pagar a variação da taxa de juros da vigência do contrato. Normalmente, a taxa utilizada é o CDI, pois é taxa mais próxima da Selic.

Ao final do contrato, as partes trocam os rendimentos. Ou seja, o agente de mercado paga ao BC a variação da taxa de juros e o Banco Central paga a oscilação do dólar.

Já no swap reverso, o Banco Central atua quando é necessário controlar quedas bruscas do dólar, com o objetivo de proteger alguns setores, como o de exportação, por exemplo.

Neste caso, o Banco Central acredita que o câmbio vai subir mais do que a taxa de juros no período de vigência do contrato e se compromete a pagar aos agentes de mercado uma taxa de juros. Já os agentes do mercado, se comprometem a pagar a variação do dólar para o Banco Central. Assim, os agentes de mercado se defendem da queda do dólar e o Banco Central controla a queda da moeda.

O swap tradicional e o reverso seguem o mesmo mecanismo. Porém, o que muda é a rentabilidade trocada, pois no tradicional o Banco Central paga a oscilação do câmbio e no reverso, ele paga a taxa de juros.

Vantagens e desvantagens

O swap consegue oferecer previsibilidade para empresas, investidores e instituições que dependem do preço de ativos internacionais. Desta forma, o swap pode ser bastante vantajoso, pois as variações do câmbio podem afetar fortemente quem compra, vende, ou que possui recebíveis e obrigações que dependem de câmbio flutuante.

Porém, se realizado em um mau momento, desnecessariamente ou em quantidade desproporcional, a operação acaba sendo desvantajosa, pois pode gerar custos excessivos.

Conclusão

O Swap significa a troca de riscos entre duas partes, em uma data futura, com critérios preestabelecidos. Em um contrato de swap, as pontas ativas e passivas negociam o contrato com o objetivo de se proteger de alguma alteração brusca de cenário, que possa trazer prejuízo.

Existem vários Swap no mercado. Entre os mais comuns, estão o de câmbio, o de índices, o de taxa de juros e o de commodities.

Além disso, ele pode ser feito pelo método tradicional, que é quando o Banco Central é responsável por conter repentinas altas do dólar, ou no método reverso, que é quando o Banco Central atua para controlar quedas bruscas da moeda.

Resumidamente, o swap funciona como um tipo de garantia para quem investe, buscando proteger a rentabilidade dos investimentos das variações do mercado.

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