Realmente existe risco em investir fora do banco?

  • 13/07/2020
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Quando o assunto é aplicação financeira, os brasileiros acreditam que deixar o dinheiro no banco, investindo principalmente na caderneta de poupança, é a opção mais segura.

Segundo o Raio X do Investidor Brasileiro, divulgado pela Anbima, a poupança manteve a liderança como principal destino dos investimentos dos brasileiros em 2019, com preferência de 84,2% dos investidores.

Sabemos que a taxa Selic está em seu patamar histórico mais baixo, afetando o rendimento de diversos investimentos, inclusive da poupança.

Porém, muitos investidores ainda têm receio e grande insegurança para investir em outros ativos por meio de corretoras de valores, temendo os riscos que a operação pode envolver.

Neste artigo, vamos explicar como funciona o trabalho dos bancos e das corretoras de valores e citar os riscos de investir em cada instituição.

Bancos

Resumidamente, os bancos são intermediários financeiros que captam recursos de quem tem dinheiro sobrando e transferem esses recursos para quem está precisando de dinheiro, por meio de empréstimos, cobrando juros e taxas nas operações.

Todas as atividades bancárias no Brasil são regulamentadas pelo Banco Central e os bancos podem ser separados por categorias, pois funcionam de maneiras diferentes. Os principais são os bancos comerciais, os de investimento e os múltiplos.

Os bancos comerciais realizam as operações mais comuns, como depósitos, movimentações em conta corrente e poupança, pagamentos de contas, transferências bancárias, oferecimento de cartões de créditos, entre outros.

Os bancos de investimentos têm o objetivo principal de fornecer linhas de crédito de financiamento para fomentar as empresas privadas. São especializados em transações financeiras complexas como emissão de ativos financeiros, gestão de patrimônio, fusões, aquisições, corretagem, administração de recursos, custódia, entre outras atividades.

Os bancos múltiplos agregam as funções de dois ou mais tipos de bancos diferentes. Ou seja, você pode ter uma conta conta corrente, fazer pagamentos de contas e ter investimentos no mesmo lugar.

Os grandes bancos brasileiros oferecem diversos produtos e serviços. Dentro dos próprios bancos, existem corretoras de valores, gestora de recursos – responsáveis pelos próprios fundos de investimento do banco – seguradoras – com corretores que vendem esses seguros – distribuição de produtos financeiros, empréstimo de dinheiro, previdência privada, linhas de crédito – como o limite do cheque especial, crédito direto ao consumidor, financiamento imobiliário – entre outros.

Corretoras

As corretoras de valores mobiliários são responsáveis por intermediar aplicações financeiras entre investidores e instituições, como bancos de investimentos, fundos de investimentos de gestoras independentes, bolsa de valores, entre outros. As corretoras não emprestam dinheiro, elas operacionalizam a compra e venda de ativos financeiros.

Saiba mais: Como funciona a bolsa de valores?

Nas corretoras, é possível fazer negociação de ações e de outros ativos negociados na B3, a bolsa de valores brasileira, como opções, derivativos, fundos de índices, fundos de investimentos imobiliários, entre outros. Além disso, também podem ser negociados outros produtos, como títulos públicos, por meio do programa do Tesouro Direto, fundos investimentos de gestores independentes, CDBs de todos os bancos, LCA e LCI, CRA, CRI, debêntures, entre outros.

Riscos de investir por meio de bancos

Para os bancos, o maior risco é o fato dele emprestar dinheiro. Ou seja, se um banco fizer diversos empréstimos e a maioria das pessoas for inadimplente, ou seja, não pagarem esses empréstimos, o banco corre o risco de quebrar.

Mas de onde vem o dinheiro que o banco empresta?

O banco empresta o dinheiro dos correntistas. Por exemplo, você tem um determinado valor no banco e aplica em um Certificado de Depósito Bancário (CDB). Ao contratar um CDB, você está emprestando dinheiro para o banco. Até mesmo quando o dinheiro fica na caderneta de poupança está sendo emprestado ao banco.

Desta forma, o banco pode utilizar esse recurso que você aplicou para fazer empréstimos.

Riscos de investir por meio de corretora de valores

Já o risco de uma corretora quebrar é muito menor, pois ela é uma plataforma de compra e venda de ativos.

Quando uma corretora comercializa os ativos para os seus clientes, o risco está nos produtos adquiridos.

Por exemplo, ao comprar um título público, a corretora foi utilizada como uma prestadora de serviços para realizar a compra. Neste caso, o risco está em emprestar dinheiro para o governo. No fundo de ações, o risco é das ações não performarem bem. No fundo multimercado, o risco é do gestor errar a aposta e o fundo não performar bem.

Podemos comparar o risco de uma corretora de valores quebrar, com o risco de uma prestadora de serviços quebrar, como uma administradora de condomínios. Suponhamos que a administradora de condomínios está devendo impostos e o salário dos funcionários, então ela pode quebrar.

Então, o risco da corretora de valores é se o dinheiro ficar parado na conta da corretora de um dia para o outro. Se a corretora quebrar naquela noite em que o dinheiro não foi aplicado em nenhum ativo, você corre o risco de perder o dinheiro que estava parado.

Tanto no banco quanto na corretora, ao aplicar seus recursos, o risco está nos ativos em que você aplicou. Se, por exemplo, a aplicação foi num fundo de ações, o risco está nas empresas em que este fundo está investido.

Garantias

Os bancos têm o Fundo Garantidor de Crédito, que em caso de falência do banco, ele ressarce até R$ 250 mil, por CPF e por banco, se o dinheiro estiver depositado em conta corrente ou nas seguintes aplicações financeiras: poupança, CDB, LCI, LCA.

As corretoras de valores não têm a cobertura do FGC, porém, como elas não emprestam dinheiro, o risco de uma corretora quebrar é muito menor do que de um banco quebrar.

Emprestando dinheiro

Já explicamos que deixando o dinheiro na caderneta de poupança, estamos emprestando esse dinheiro para o banco.

Ao comprar um título público, estamos emprestando dinheiro para o governo.

Fazendo um comparativo, as chances de um banco quebrar são muito maiores do que de um governo quebrar, porque o governo federal tem muitas possibilidades e pode tomar diversas medidas para conseguir dinheiro para se financiar. O governo tem o controle da política monetária e fiscal, podendo aumentar a taxa de juros, aumentar impostos ou fazer a emissão de dinheiro, por exemplo.

Em resumo, é muito mais seguro o cidadão emprestar dinheiro para o próprio governo do que qualquer outra opção.

Podemos usar como exemplo a Argentina, que quando deu o calote na dívida, foi para os credores externos, e não para os internos, pois o país prefere pagar os cidadãos, senão a economia para.

Bancos Brasileiros

Uma consideração importante no Brasil é que, dos cinco principais bancos (Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander), dois pertencem ao governo, pois ele é acionista. Ou seja, eles também não possuem grandes riscos, que é o caso da Caixa e do Banco do Brasil.

Outro fator importante dos cinco principais bancos brasileiros é que, como diz o mercado, são grandes demais para quebrar, pois afetariam toda a economia do país. Além disso, estão com bons parâmetros e sólidos pelos balanços apresentados.

Porém, ressaltamos que é sempre mais seguro emprestar dinheiro para o governo do que emprestar para um banco ou deixar o dinheiro na caderneta de poupança de um banco.

Onde investir?

Agora que você já conhece os riscos de investir em corretoras de valores, antes de escolher os ativos para aplicar os recursos, é importante definir os seus objetivos financeiros.

Estabelecendo objetivo claros, bem definidos, com prazos e alinhados a seu perfil de investidor, você tem uma chance maior de alcançá-lo.

Como citamos, a maioria dos brasileiros ainda prefere deixar o dinheiro na caderneta da poupança, e isso é causado por uma série de fatores, como insegurança ao escolher os tipos de investimento, falta de conhecimento de como eles funcionam e o medo de perder dinheiro diante da imprevisibilidade dos resultados.

Por isso, é muito importante contar com o auxílio de gestores profissionais, consultores CVM ou CFPs. Nós da ParMais podemos te ajudar a rever os seus ativos e pensar em estratégias de acordo com o seu perfil de risco e objetivos financeiros, além de te ajudar a tomar as melhores decisões.

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