A trajetória do Dólar desde o Plano Real

  • 16/01/2020
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A trajetória do Dólar desde o Plano Real

O “Real”, em 2019, fez aniversário de 25 anos como moeda oficial do Brasil.

Ele foi importantíssimo para controlar a inflação no Brasil, que nos 30 anos antes de 1994 chegou a 1,1 quadrilhão por cento (mais exatamente 1.142.332.741.811.850%), um patamar somente antes visto na Alemanha logo após a primeira guerra mundial.

O Plano Real foi idealizado por um “dream team” de economistas brasileiros, que incluiu André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan, Pérsio Arida e Edmar Bacha. Na época em que Fernando Henrique Cardoso era ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco.

Com a Lei 9.069, o presidente decretou o “Real” como unidade monetária do Sistema Financeiro Nacional, a partir de 1º de julho de 1994.

Um dos pontos mais geniais que ajudou na estabilização da inflação durante o Plano Real foi a indexação da nova moeda criada, o Real, ao dólar. Essa indexação era garantida pelo governo e, apesar de ter custado aos cofres públicos, foi essencial para o sucesso do Plano Real.

Com o tempo e uma maior confiança dos agentes econômicos no esforço de controle da inflação pelo Banco Central e pelo governo, a moeda foi desindexada do dólar e passou a flutuar mais livremente, mas ainda assim com certo controle e monitoramento da atividade pelo Banco Central.

No gráfico abaixo você pode observar toda a trajetória do dólar desde o lançamento do Plano Real:

Trajetória do dólar durante o Plano Real

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Conforme pode se perceber no gráfico, o comportamento do câmbio tem uma volatilidade considerável.

Até pouco tempo atrás as reservas brasileiras de dólar eram baixas e o movimento do investidor estrangeiro, injetando ou tirando os seus dólares da economia, influenciava muito no câmbio. O montante atual de reservas em dólar do Banco Central dá mais instrumentos para que ele estabilize o câmbio se necessário.

A menor cotação histórica dessa série do dólar foi 0,828 em 14 e 17 de outubro de 1994, meses após o início da série histórica do “Real” como moeda oficial do Brasil.

Em termos nominais, a cotação máxima do dólar aconteceu no ano passado, quando em 27 de novembro de 2019 ela atingiu R$4,2592. Apesar disso, se for levada em consideração a correção pela inflação, o maior valor da série foi em de 22 de outubro de 2002. O valor atingido na época foi de R$3,9522, no entanto, se atualizado, equivaleria a mais de R$7,00.

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Fatores que influenciam o comportamento do câmbio

O câmbio é um dos indicadores macroeconômicos mais complexos de se prever, pois ele é influenciado por uma diversidade de fatores, no entanto descrevemos abaixo alguns dos fatores de maior importância na determinação da taxa de câmbio:

  • Diferencial entre as taxas de juros: para investidores internacionais de grande porte, o Brasil sempre foi um local com taxas de juros muito mais elevadas que a taxa americana. Caso o diferencial entre a Selic e a taxa dos bonds americanos seja maior, tende a haver um movimento de capital para o Brasil. Caso esse diferencial diminua, seja por uma baixa da taxa brasileira ou por uma alta na taxa americana, deve acontecer o contrário com o fluxo.
  • Diferencial entre as taxas de inflação: outro ponto relevante, em especial no que diz respeito ao Brasil, é a taxa de inflação. O Brasil pode ter uma taxa de juros alta em termos nominais, no entanto, se a inflação for igualmente alta a taxa de juros em termos reais diminui, sendo menos atraente ao investidor. Tendo isso em vista, uma alta na inflação brasileira tende a ter um impacto negativo no câmbio, enquanto uma baixa tende a ser positiva. O inverso disso acontece no caso de movimentos na inflação americana.
  • Balança comercial e superávits de conta corrente: caso o Brasil esteja exportando mais produtos do que importa ou esteja pagando menos juros para investidores estrangeiros, tende a haver uma saída menor de dólares da economia, o que fortalece o “Real” e diminui o câmbio.
  • PIB e fluxo de investidores estrangeiros: se investidores estrangeiros tem uma perspectiva positiva para o Brasil, imaginando que a situação econômica deva melhorar em um futuro próximo, isso tende a atraí-los de diversas formas. O investidor estrangeiro pode investir em empresas brasileiras negociadas tanto no Brasil como no exterior (ex: Re-IPO do IRB Brasil), pode investir ou comprar empresas nacionais não listadas (ex: compra da TAG pela Engie e fundo de pensão canadense) ou ainda fazer investimentos para aumentar a sua atividade no território nacional (ex: investimento em uma nova unidade fabril por uma montadora estrangeira).
  • Endividamento: caso um país emita dívida internacional, ele capta dólares de investidores estrangeiros, o que tende a desapreciar o câmbio no país. No entanto, se o endividamento do país é grande demais e o mercado entender que existe um risco de não-pagamento, os investidores tendem a tirar dólares do país, causando uma apreciação no câmbio.

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