Dólar vs Real: entenda a relação entre as moedas

  • 03/08/2021
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A relação dólar vs real é antiga e muito importante para a economia brasileira.

O real foi criado na década de 90 para resolver um grande problema: a hiperinflação. E isso foi possível porque o governo indexou o real diretamente ao dólar, o que fez com que a moeda brasileira se firmasse entre as maiores economias mundiais.

Entenda neste artigo a relação dólar vs real e os principais fatores que influenciam o câmbio no Brasil.

Dólar moeda referência

A moeda americana é a moeda referência, ou seja, o que acontece com o dólar afeta todas as moedas e tem reflexo no cenário econômico mundial. O motivo é o poder de influência que os Estados Unidos têm sobre os demais países.

As alterações ou flutuações que ocorrem na economia norte-americana têm efeitos – tanto favoráveis como desfavoráveis – na cotação da moeda de diversos países do mundo, inclusive no Brasil.

Em momentos de crise econômica, grandes variações na cotação do dólar costumam ser normais. No Brasil, nessas situações, geralmente a tendência é que a cotação suba. E isso acontece desde a implementação do Plano Real no Brasil.

Implementação do Real

Dólar vs Real - as duas notas em destaque com o dólar em verde enquanto o real está em cinza

O Plano Real foi implementado no Brasil em 1994 e é considerado o mais eficaz da história, pois conseguiu reduzir a inflação, ampliou o poder de compra da população e remodelou os setores nacionais.

O objetivo do plano real era estabilizar a economia nacional e os preços dos produtos, controlar a inflação crescente dos anos anteriores e permitir a volta do crescimento econômico do país.

Ele foi importantíssimo para controlar a inflação no Brasil. Para se ter uma ideia, a inflação acumulada entre 1965 e 1994 foi de 1.142.332.741.811.850% (IGP-DI).

Indexação do real ao dólar

Um ponto muito importante que ajudou na estabilização da inflação durante o Plano Real foi a indexação da nova moeda criada – o real – ao dólar. Essa indexação era garantida pelo governo e, apesar de ter custado bastante aos cofres públicos, foi essencial para o sucesso do Plano Real.

Com o tempo e uma maior confiança dos agentes econômicos no esforço de controle da inflação pelo Banco Central e pelo governo, o real foi desindexado do dólar e passou a flutuar mais livremente, mas ainda assim, com certo controle e monitoramento da atividade pelo Banco Central.

Câmbio Flutuante

No câmbio flutuante, as taxas são determinadas de acordo com a oferta e demanda do mercado. Ou seja, o governo deixa as moedas oscilarem livremente e, em casos específicos, pode fazer intervenções pontuais na cotação do câmbio (vendendo ou comprando papel/moeda). Atualmente, este é o tipo de política cambial adotado pelo Brasil.

O câmbio flutuante é o regime cambial que mais reflete a realidade do valor de uma moeda, visto que ele não trata de um valor artificial.

O governo costuma interferir pouco nas variações de moeda. Por exemplo, quando o câmbio dispara, ele toma outras medidas para o controle inflacionário, como alterar a taxa Selic.

Um ponto positivo do câmbio flutuante é que o governo não precisa gastar reservas para manter as cotações. Porém, nesse regime cambial, as moedas mudam de valor todos os dias, o que pode trazer incertezas ao comércio. Além disso, as taxas do câmbio flutuante são altamente voláteis.

Trajetória do dólar desde o Plano Real

No gráfico abaixo você pode observar toda a trajetória do dólar desde o lançamento do Plano Real:

Conforme podemos perceber no gráfico, o comportamento do câmbio tem uma volatilidade considerável.

Até pouco tempo atrás as reservas brasileiras de dólar eram baixas e o movimento do investidor estrangeiro, injetando ou tirando os seus dólares da economia, influenciava muito no câmbio.

Atualmente, o montante de reservas em dólar do Banco Central oferece mais instrumentos para que ele estabilize o câmbio quando necessário.

Cotações históricas

A menor cotação histórica dessa série do dólar foi 0,8405 em janeiro de 1995, meses após o início da série histórica do real como moeda oficial do Brasil.

Em termos nominais, a cotação máxima do dólar aconteceu em outubro de 2020, atingindo R$5,7446.

Fatores que influenciam o comportamento do câmbio

O câmbio é um dos indicadores macroeconômicos mais complexos de se prever, pois ele é influenciado por uma diversidade de fatores. Veja os mais importantes na determinação da taxa de câmbio:

  • Diferencial entre as taxas de juros: para investidores internacionais de grande porte, o Brasil sempre foi um local com taxas de juros muito mais elevadas que a taxa americana. Caso o diferencial entre a Selic e a taxa dos bonds americanos seja maior, tende a haver um movimento de capital para o Brasil. Caso esse diferencial diminua, seja por uma baixa da taxa brasileira ou por uma alta na taxa americana, deve acontecer o contrário com o fluxo.
  • Diferencial entre as taxas de inflação: outro ponto relevante, em especial no que diz respeito ao Brasil, é a taxa de inflação. O Brasil pode ter uma taxa de juros alta em termos nominais, no entanto, se a inflação for igualmente alta a taxa de juros em termos reais diminui, sendo menos atraente ao investidor. Tendo isso em vista, uma alta na inflação brasileira tende a ter um impacto negativo no câmbio, enquanto uma baixa tende a ser positiva. O inverso disso acontece no caso de movimentos na inflação americana.
  • Balança comercial e superávits de conta corrente: caso o Brasil esteja exportando mais produtos do que importa ou esteja pagando menos juros para investidores estrangeiros, tende a haver uma saída menor de dólares da economia, o que fortalece o “Real” e diminui o câmbio.
  • PIB e fluxo de investidores estrangeiros: se investidores estrangeiros têm uma perspectiva positiva para o Brasil, imaginando que a situação econômica melhorará em um futuro próximo, isso tende a atraí-los de diversas formas. O investidor estrangeiro pode investir em empresas brasileiras negociadas tanto no Brasil como no exterior, pode investir ou comprar empresas nacionais não listadas ou ainda fazer investimentos para aumentar a sua atividade no território nacional (ex: investimento em uma nova unidade fabril por uma montadora estrangeira).
  • Endividamento: caso um país emita dívida internacional, ele capta dólares de investidores estrangeiros, o que tende a depreciar o câmbio no país. No entanto, se o endividamento do país é grande demais e o mercado entender que existe um risco de não-pagamento, os investidores tendem a tirar dólares do país, causando uma apreciação no câmbio.

Conclusão

A relação dólar vs real sempre foi muito importante para a economia brasileira, principalmente durante a implementação do Plano Real na década de 90. Isso porque o real foi indexado ao dólar, ajudando na estabilização da inflação, sendo essencial para o sucesso do Plano.

Atualmente, o câmbio flutuante é o regime cambial adotado pelo Brasil, com grande influência do dólar, mas também com outros instrumentos usados pelo Banco Central para estabilizar o câmbio quando necessário.

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Comentário(s): 2

       
  1. Acredito que com uma moeda pareada ao dólar, ficaria mais fácil para o país crescer termos de social. Logo o poder de compra da moeda aumentaria causando um impacto interno positivo e o governo adotando medidas de apoio ao empresário brasileiro tipo: dando apoio financeiro e oferendo apoio , e não se rendendo quase que totalmente ao dominio daquele que acha que pode mais e barganhando pelo seu país.

  2. A indexação de moeda estrangeira ao real, mostra claramente a incapacidade administrativa dos pseudos governos brasileiros O sinônimo de patriotismo.no Brasil é: se a farinha é pouca, primeiro o meu pirão

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