• 22/11/2017

Plano PGBL, vale a pena?

plano pgbl, vale a pena

Está chegando o final de ano e com ele o 13º salário e, as vezes, até os bônus anuais para quem tem o benefício de recebê-los. Já pensando na declaração de Imposto de Renda do ano que vem, é possível que alguém, como o gerente do seu banco, sugira que você invista em um plano de previdência privada do tipo PGBL, no entanto é muito importante ficar atento a alguns detalhes para não cair em uma fria.

Benefícios do plano PGBL

Na média, os planos de previdência privada PGBLs têm rentabilidades menores do que outros fundos que investem em ativos semelhantes, mas não são previdenciários. Porque então valeriam a pena? A chave da questão é que existe um benefício fiscal de redução de 12% da sua renda tributável na declaração anual do Imposto de Renda, o que pode gerar uma economia extra.

O plano PGBL também não sofre com o “come-cotas” (imposto de renda dos ganhos obtidos com fundos de investimento, que é recolhido no último dia útil dos meses de maio e novembro), preservando assim o seu capital, o que pode no longo prazo gerar maiores ganhos. Além disso, dependendo do regime de tributação escolhido e do prazo que se mantém o dinheiro aplicado, é possível reduzir a sua alíquota de IR para 10%, bem menor do que geralmente se paga sobre o salário. Mas como não existe almoço grátis, o IR a pagar no resgate é sobre tudo o que você acumulou somado à rentabilidade, diferentemente da modalidade VGBL que o IR só incide nos valores obtidos pela rentabilidade.

Pré-requisitos para o plano PGBL valer a pena

Apesar disso, existem alguns pré-requisitos para que a adesão a um plano PGBL valha a pena. Para ter direito à redução de 12% da sua renda tributável, é necessário que você faça o seu imposto de renda pela declaração completa e que esteja em dia com as suas contribuições para a previdência social. Além disso, é necessário que haja imposto de renda a restituir, caso contrário você não vai usufruir desse benefício fiscal. Neste caso, quanto mais IR retido na fonte, mais valeria a pena o PGBL, ou seja, quanto maior a renda recebida, melhor para o contribuinte.

Realizamos aqui na Par Mais, estudos de várias declarações de renda, e verificamos que para contribuintes que ganham até R$150mil/ano, valeria mais fazer a declaração no modelo simplificado do que no modelo completo. É que pela declaração simplificada, a presunção é que as despesas dedutíveis sejam de 20%, e na completa não tem nenhuma presunção. Às exceções ficam por conta de quem gasta muito com saúde, tendo assim, muitas despesas a deduzir, o que faz com que a completa seja a melhor opção.

Atenção com as taxas de carregamento e administração

Os planos de previdência privada PGBLs muitas vezes cobram taxas exorbitantes, tanto de carregamento (que incide sobre cada contribuição sua ao plano), quanto de administração (que incide sobre o total que você possui investido). No caso das taxas de carregamento, tendem a diminuir e, até mesmo zerar. Já as de administração não se mantém durante todo o período.

Se o seu objetivo financeiro for realmente de longo prazo e você não mexer na sua aplicação nesse período, pode ser que realmente tenha ganhos pelo benefício fiscal. No entanto, se você pretende resgatar no curto ou médio prazo, você pode acabar com uma alíquota de imposto de renda tão alta quanto a que você originalmente pagaria ou ainda mais cara. Somando a isso as taxas cobradas pelo plano, o seu capital pode acabar menor do que se você tivesse simplesmente pago o IR normalmente.

Para esclarecer, seguem as tabelas progressiva e a regressiva, que são as opções de modelos tributários para um plano de previdência privada PGBL:

 

Tabela regressiva
Período Alíquota
até 2 anos 35%
de 2 anos a 4 anos 30%
de 4 anos a 6 anos 25%
de 6 anos a 8 anos 20%
de 8 anos a 10 anos 15%
acima de 10 anos 10%
Tabela progressiva
Base de cálculo anual em R$ Base de cálculo mensal em R$ Alíquota
até R$ 22.847,76 até R$ 1.903,98 isento
de R$ 22.847,88 até R$ 33.919,80 de R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65 7,5%
de R$ 33.919,92 até R$ 45.012,60 de R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 15%
de R$ 45.012,72 até R$ 55.976,16 de R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 22,5%
acima de R$ 55.976,16 acima de R$ 4.664,68 27,5%

Não esqueça de verificar a rentabilidade

A maioria dos recursos dos planos PGBLs é gerido pelas seguradoras dos grandes bancos, e aplicado em títulos públicos e privados de baixíssimo risco, mas as taxas cobradas por esses planos tendem a diminuir o seu rendimento real.

Hoje já existem nas plataformas de investimento a opção de alguns tipos de PGBLs que possuem taxas e rentabilidades mais competitivas. Para potencializar os ganhos dessa estratégia tributária, é importante verificar a rentabilidade do fundo, o seu risco e a estratégia, da mesma forma que se analisaria um fundo de investimento normal.

Conclusão

Resumindo, o plano PGBL de fato dá um benefício fiscal importante que pode ser utilizado, mas você precisa verificar se esse benefício realmente vale a pena no seu caso específico. Se esse não for o seu caso, um PGBL provavelmente não valerá a pena para você pois cobra grandes taxas, diminui a sua liquidez e ao final, como já alertamos, você pagará Imposto de Renda sobre tudo que você acumulou, e não só sobre os ganhos que obteve, no momento do resgate. Mesmo se for o seu caso, muitas vezes as taxas que esse tipo de produto cobra podem corroer os ganhos tributários que você obteria. Sendo assim, o importante é ficar atento com o seu dinheiro e comparar as alternativas que existem no mercado.

 

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    • Sheila Santos
    • 22/11/2017
    Responder

    Informações objetivas e esclarecedoras!

      • Par Mais
      • 23/11/2017
      Responder

      Sheila, bom dia!
      Ficamos felizes que o artigo foi útil para você. Agradecemos muito o seu comentário e desejamos sucesso!
      Até mais…

    • André Durigon
    • 20/12/2017
    Responder

    Bom dia, poderiam explicar melhor a afirmação de que “é necessário que haja imposto de renda a restituir, caso contrário você não vai usufruir desse benefício fiscal”. Eu apurei que teria valor de IR a pagar nesse ano calendário e pretendia aplicar em PGBL para reduzir a base de cálculo e assim não pagar IR.

      • Par Mais
      • 22/12/2017
      Responder

      André, bom dia!

      A vantagem tributária do PGBL (dedução na base de cálculo do IR de até 12% da renda tributável) só é válida na declaração pelo modelo completo.

      Nos planos PGBL e Fapi as contribuições às entidades de previdência privada que corresponderem a até 12% da renda tributável podem ser deduzidas da base de cálculo do IR. É importante ressaltar que, se a pessoa não possui nenhuma dedução, só vale a pena optar pelo PGBL se a renda bruta tributável superar R$ 140.000, caso o contrário, o desconto do simplificado se torna mais interessante.

      A grande questão está no valor total da sua renda tributável no ano. Se a sua renda tributável anual for superior aos R$ 140.000 a utilização do PGBL irá te auxiliar.

      Desejamos ter ajudado.
      Um ótimo final de para você e muito sucesso!

    • Henrique
    • 23/01/2018
    Responder

    Tenho um PGBL (regressivo). Caso eu faça um aporte e precise fazer uma retirada desse dinheiro no prazo de 1 ano. Vou sofrer com uma alíquota de 35 % em cima de todo o dinheiro que eu investi???

      • Par Mais
      • 24/01/2018
      Responder

      Henrique, boa tarde!

      Resposta:
      Na tabela regressiva, apresentada na Lei 11.053 de 1994, a alíquota reduz conforme o tempo da aplicação. Para aplicações de longo prazo é a melhor opção.

      TEMPO ALÍQUOTA %
      Até 2 anos 35
      2 a 4 anos 30
      4 a 6 nos 25
      6 a 8 anos 20
      8 a 10 anos 15
      Acima de 10 anos 10

      No entanto, é preciso entender como a incidência da alíquota de IR funciona.

      Se você fez aportes no plano de previdência em datas distintas, cada aporte será tributado com base em um prazo diferente.

      Em função disso, os resgates são sempre feitos do aporte mais antigo para o mais recente, para que você pague o mínimo de IR possível. É a mesma regra válida para fundos de investimento comuns: “primeiro que entra é o primeiro que sai”.
      Por exemplo, se você fez o primeiro aporte em 2010, após 2020, os rendimentos desse aporte serão tributados em apenas 10%. Já um aporte feito em 2015 estará, na mesma data, ainda na faixa de 25%.
      Para responder o seu caso com mais propriedade, necessitamos saber todos esses detalhes, mas, a priori, quando ocorrem aportes ao longo de vários anos, o IR cobrado será uma média ponderada em relação ao tempo em que os recursos estão no plano e o valor de cada aporte.

      Desejamos ter ajudado!

      Até mais.

  1. Sem querer explorar de vcs, posso sugerir um assunto para análise e futura publicação?

    Devo investir em PGBL ou Tesouro Direto IPCA + 2045 (ou 2035)?

    Supondo todas variáveis como:
    1) a restituição de IR no PGBL
    2) IR sobre o total investido no final
    3) Taxa bovespa do Tesouro
    4) IR sobre o rendimento no Tesouro
    5) e outras coisas a levar em consideração….

    Obrigado.

      • Par Mais
      • 12/07/2018
      Responder

      Anderson, boa tarde!
      Sua sugestão é bem interessante e vamos fazer o artigo sim!
      Vai entrar na nossa pauta, acredito que até o final da próxima semana teremos esse artigo. Não é nem de longe exploração…
      Mas vale ressaltar que para o benefício fiscal do PGBL ser eficaz é preciso ter uma renda tributável alta, contribuir para o INSS, investir o ganho tributável (coisa que quase ninguém faz) entre outras coisas…
      Acompanhe nosso blog e nós que agradecemos pela sua contribuição!
      Sucesso!

    • Robson Alcântara
    • 07/08/2018
    Responder

    Bom dia! Primeiramente, parabéns pela objetividade e clareza do artigo.
    A dúvida que sempre me faz pensar se vale a pena, é a rentabilidade do saldo do PGBL. A longo prazo, se eu investir em um outro fundo mais rentável, essa diferença não compensaria os ganhos com o benefício fiscal?
    Fazendo uma conta “de padaria”, o ganho que tenho no IRPF é de 12% (27% que eu pagaria na declaração – 10% que eu pago no momento do resgate, considerando que vou deixar 10 anos na aplicação). Me parece um ganho bem modesto, se considerarmos que eu poderia ganhar mais, quando aplicado por 10 anos em outros fundos.
    Faz sentido essa minha impressão? Obrigado

      • Par Mais
      • 07/08/2018
      Responder

      Robson, bom dia.

      Sua impressão faz sentido sim, em termos de rentabilidade o PGBL fica atrás de diversos produtos do mercado financeiro, portanto, como um produto de investimento esse plano em diversos casos não é considerado uma boa escolha.
      Mas sobre as questões tributárias, dependendo da sua renda e outras questões que explicamos no artigo, vale a pena investir em PGBL para a isenção da tributação, pois ela é feita de qualquer forma. Em um exemplo prático: se uma pessoa tem uma renda tributável de R$ 100 mil por ano e aplicar 12% do valor no PGBL, ou seja R$ 12 mil, significa que na declaração de IR o próprio sistema da Receita Federal irá calcular que a renda tributável é de R$ 88 mil.

      Temos dois artigos que abordam ainda mais esses assuntos:
      Imposto de Renda: vale a pena usar o PGBL como benefício fiscal? – https://www.parmais.com.br/blog/beneficio-fiscal-pgbl/
      O que vale mais a pena, investir em um PGBL ou no Tesouro IPCA+? – https://www.parmais.com.br/blog/investir-em-pgbl-ou-no-tesouro-ipca/

      Desejamos ter ajudado, sucesso!

    • Valdir Almeida
    • 30/10/2018
    Responder

    Boa tarde,queria uma informação sobre ser empregado de empresa,como funciona o plano PGBL para funciona e empresa… atenciosamente grato
    Valdir Almeida

      • Par Mais
      • 05/11/2018
      Responder

      Valdir, boa tarde!
      A diferença básica entre um plano PGBL e um VGBL é na forma de tributação: no PGBL todo o valor acumulado e os rendimentos são tributados, em compensação ele tem o “Benefício fiscal” que reduz o valor a ser pago na declaração de IR, se você investir até 12% da renda bruta tributável.

      Em breve publicaremos um simulador sobre isso. Acompanhe nossos pots no Facebook https://www.facebook.com/parmais/

      No plano VGBL a tributação é só sobre os valores dos rendimentos.

      Quando os planos são incentivados por empresas, a regra é que sejam planos PGBLs.