Plano de previdência privada: 2 histórias de quem se deu mal!

  • 03/11/2016
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Muitas vezes não pensamos sobre as consequências dos péssimos conselhos que recebemos dos nossos gerentes de banco. E o pior, geralmente não conseguimos medir o impacto financeiro negativo em nossas vidas.

Mas, quando falamos em plano de previdência privada é possível, sim, fazer algumas simulações e determinar se nossa decisão sobre esse investimento foi boa, ruim ou em grande parte dos casos, um desastre.

Por isso, trouxemos duas histórias de vida* nas quais analisamos os danos causados por um mau investimento em previdência privada, e dessa forma, queremos alertar às armadilhas dos planos de previdência.

*As histórias são reais, mas os nomes utilizados neste artigo são fictícios.

Armadilha 1 – Previdência com baixa rentabilidade e altas taxas

Quando o banco oferece um plano de previdência privada com altas taxas e péssima rentabilidade

Lorena, funcionária pública, possui estabilidade e uma excelente renda de R$ 20.000/mês. Há cerca de 8 anos ouviu os conselhos do seu gerente do banco e investiu em um plano de previdência privada. Ela decidiu colocar lá grande parte de sua economia mensal, para complementar sua futura aposentadoria.

Para você entender melhor, veja as características do plano de previdência da Lorena:

    • Plano VGBL
    • Fundo de previdência de renda fixa;
    • Taxa de carregamento de 1,5%;
    • Taxa de administração de 3% a.a.;
    • Rentabilidade histórica de 67,41% do CDI, considerando desde a data de criação do fundo, em março de 2002;
    • Tempo restante de 20 anos para aposentadoria;
    • Aportes mensais de R$ 2.250;
  • Saldo acumulado até então de R$ 250.000.

Observe que o saldo no plano de Lorena já era um valor considerável, além disso, haverá ainda mais 20 anos de contribuições.  

Agora entenda porque este plano é péssimo:

    • Todo o mês, R$ 33,75 do total dos depósitos de R$ 2.250 não chega  a ser investidos, pois se trata da taxa de carregamento (1,5%) destinada a atender às despesas administrativas do plano;
    • A taxa de administração de 3% ao ano pune severamente a rentabilidade do plano, ainda mais se tratando de um plano de renda fixa;
  • A baixa rentabilidade histórica, de 67,41% do CDI, combinada às altas taxas de carregamento e um prazo longo de resgate, fazem Lorena ter grandes prejuízos.

O gráfico a seguir faz uma comparação entre o fundo de previdência da Lorena e o CDI para os últimos 8 anos, período em que Lorena vem fazendo aportes periódicos. Veja que para cada R$ 100 que ela aplicou ela tem hoje R$184, já descontadas as taxas de administração e de carregamento. No mesmo período o CDI rendeu o equivalente a R$ 234, quase 30% a mais!

Como o fundo de previdência da Lorena está montado?

Vamos mostrar carteira do fundo de investimento do plano de previdência, ela demonstra como está composto o investimento da Lorena. É importante ressaltar que o fundo que ela aplica pelo seu plano de previdência na verdade investe praticamente 100% de sua carteira em um outro fundo de investimento, chamado de “fundo master”. Por isso, é a composição deste fundo master que segue:

Um detalhe importante: os mais de 85% em ativos em títulos públicos se referem a um investimento no Tesouro Selic, um tipo de aplicação que garante 100% do CDI e que qualquer pessoa com aproximadamente R$ 30,00 pode comprar facilmente através da plataforma Tesouro Direto.  

Confira nosso Infográfico de títulos públicos para saber exatamente as características de cada título negociado no Tesouro Direto e como fazer para comprá-los!

Voltando para o plano de previdência, o banco cobra uma taxa de administração de 3% ao ano para fazer uma gestão que é basicamente comprar títulos públicos! Caro né?

Aí você pode pensar “ah, mas pouca gente deve cair nessa”. Mas, você sabe quanto há investido hoje nesse fundo? A resposta é: R$ 14.000.000.000! Não é normal ver tantos zeros né? São R$ 14 bilhões de reais, apenas nesse fundo!

Qual a saída? Veja a recomendação da Par Mais

Há sim uma saída para resolver o caso da Lorena. Fizemos duas recomendações, confira:

  1. Parar de realizar aportes mensais no plano de previdência VGBL do Bradesco e fazer a portabilidade dos R$ 250.000 para outro plano VGBL com as seguintes características: estratégia de renda fixa; taxa de administração de 0,8% a.a.; sem taxa de carregamento; e com rentabilidade histórica de 98,9% do CDI. Veja como fica o plano recomendado em comparação ao atual:

  1. Aportar os R$ 2.250 mensais em plano PGBL, já que oferecia benefício fiscal, com dedução na declaração de IR da Lorena, com as seguintes características: estratégia multimercado; taxa de administração de 2% a.a.; sem taxa de carregamento; e com rentabilidade histórica de 113,5% do CDI. Veja a comparação do novo plano com o atual:

Veja que no plano com estratégia multimercado que recomendamos a taxa não é baixa, de 2%. Porém, trata-se de um Fundo Multimercado, ou seja, ele possui estratégias avançadas de investimentos, buscando uma rentabilidade bem acima dos fundos de renda fixa, e por isso seu custo é maior.

Mas qual será o resultado alcançado?

Ao realizar as duas recomendações sugeridas pela Par Mais, Lorena conseguirá, nos próximos 20 anos, ter o dobro do que terá se manter seu plano e seus aportes do jeito que estão hoje. Veja na tabela abaixo o impacto gerado por uma boa estratégia de investimentos:

Os valores da tabela estão expressos em termos reais, ou seja, em valores de hoje. Nos cálculos consideramos uma inflação de 8% ao ano e o CDI a 13,88%

Para saber mais sobre taxa nominal e taxa real leia nosso artigo!

Com uma estratégia inteligente, livre de conflitos de interesses e fugindo das taxas abusivas dos grandes bancos, Lorena terá quase R$ 1 milhão a mais!

Armadilha 2 – Plano de previdência desalinhado com o momento de vida

Quando o cliente confia demais no banco

Outro caso em que o cliente foi enganado pelo banco é o do Sr. Gervásio, aposentado de 72 anos. Há mais de dois anos, ele possuía um valor próximo de R$ 500.000 aplicado em um fundo de um grande banco. Não dava pra considerar que a performance era ruim, pois pagava 95% do CDI – normalmente os clientes penam para conseguir bem menos que isso.

Mesmo assim, a gerente propôs um “grande negócio”: resgatar esse dinheiro do fundo e aplicar na previdência privada, do tipo VGBL, com tributação regressiva! Nessa forma de tributação a alíquota de IR reduz conforme o tempo que o dinheiro permanece aplicado, conforme a  tabela a seguir:

O argumento para convencer o Sr. Gervásio para a troca de investimento era que ele iria pagar menos imposto futuramente, sendo 10% de IR. Mas ainda havia um porém: o fundo de previdência rendia 90% do CDI, abaixo do fundo. Outro detalhe, com 70 anos, caso acontecesse qualquer eventualidade (doença, auxílio para a família, compra de algum imóvel…), o imposto a pagar no resgate da previdência poderia ser de até 35%.

Havia alguma solução?

Sim! Quando atendemos o cliente, passados pouco mais de 2 anos deste aporte, resolvemos, mesmo pagando um imposto maior, fazer o resgate. O imposto ficou em 30%, já que o resgate foi efetuado entre 2 e 4 anos após o aporte. A ideia foi investir em produtos com melhor liquidez e rentabilidade, respeitando o perfil conservador do Sr. Gervásio, dividindo o valor em produtos como:

    • Título Público Tesouro IPCA+;
    • LCI de bancos médios;
  • Letra Financeira de grandes bancos.

Com essa distribuição a rentabilidade projetada ficou em cerca de 110% do CDI. Com o imposto de 30%, o cliente resgatou R$ 592.906, porém a rentabilidade ficou muito mais interessante, contribuindo para o seguinte resultado:

Veja que, quando recomendamos o resgate, ele possuía, depois de 2 anos, o valor de R$ 632.000. Com o imposto altíssimo, o valor ficou em R$ 592.000. Observe que após 8 anos (completando o “ciclo” de 10 anos), o ganho nos investimentos chega a uma diferença de mais de R$ 135.000. Apesar de não ser tão grande a diferença, na nova estratégia ele poderá resgatar o valor a hora que quiser ou precisar.

Conclusão

É importante nos preocuparmos com o futuro, e a previdência privada, pode sim, ser uma opção interessante em algumas situações, seja pelo benefício tributário de um PGBL, ou mesmo utilizando esses planos para uma estratégia de sucessão. O importante é estar atento a todos os detalhes de cada plano para não acabar caindo em armadilhas como essas mostradas aqui!

Existem sim bons planos de previdência privada destinados a cada perfil e momento de vida. Porém, não estamos livres de pessoas, movidas pelos interesses dos bancos, que insistem em nos oferecer maus investimentos. Por isso, sempre tome sua decisão com conhecimento e procure pelo apoio de especialistas sem conflitos de interesses, que ofereçam a melhor estratégia de investimentos para a sua situação específica.

Baixe nosso eBook e veja o que você deve levar em conta diante de ofertas de planos de previdência.

VAMOS ANALISAR O SEU PLANO DE PREVIDÊNCIA
E VER O QUE É MELHOR PARA VOCÊ

Exclusivo para planos de previdência do Banco do Brasil – Bradesco – Caixa – Itaú – Santander

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Comentário(s): 16

       
  1. É uma tremenda fria, entrei num plano de previdência privada do Bradesco, perdi muito dinheiro (taxa administrativa, imposto de renda etc., detalhes que o vc só fica sabendo na hora do resgate

  2. Fiz um plano PGBL no ITAU ha alguns anos atrás pouco tempo depois mudou a gerente da minha conta que me convenceu a mudar o plano para o VGBL, hoja vejo que entrei numa fria. O que devo fazer? Tento retornar ao antigo plano ou encerro de vez este investimento?

    1. Olá Cleber. Infelizmente isso é comum de ocorrer, e quando essas mudanças de planos não estão alinhadas a uma estratégia bem definida elas normalmente geram prejuízos ao investidor. Se seu plano seguir a tabela regressiva de IR é ruim mudar de um plano para outro, pois a alíquota de IR fica muito cara para aplicações com prazos pequenos. Sem contar que conforme o regulamento do plano de previdência podem existir algumas penalidades para resgates em prazos curtos. Se o seu plano tiver taxas de administração e de carregamento muito altas e rentabilidade baixa, a melhor solução pode ser parar de aportar na previdência e procurar outras aplicações financeiras que vão entregar mais rentabilidade para você, deixando para fazer o resgate do valor já aportado só quando a alíquota de IR não ficar mais tão elevada (normalmente prazo superior a 10 anos, no caso da tabela regressiva de IR). Já fizemos vários cálculos nesse sentido, e para você ter uma ideia, muitas vezes é até melhor resgatar o dinheiro e pagar todas as taxas e custos envolvidos, porque existem planos realmente muito ruins em termos de rentabilidade!

  3. tenho um vgbl que esta pagando a metade da poupança . se eu resgatar vou pagar imposto sobre o rendimento. Depois. quando eu fizer adeclaração imposto de renda vou pagar sobre o valor total resgatado .que vai se somar aos meus rendimentos depois de 2 anos vou pagar o dobro do valor ganho com rendimentos nunca faça uma PREVIDENCIA FUI ENGANADO .

    1. Rui, bom dia!
      A previdência privada tem algumas peculiaridades e realmente não é indicada para todos o casos e situações.
      Caso tenha interesse em uma análise para verificar se é melhor manter seu plano atual ou fazer a portabilidade para algo mais rentável, estamos à disposição para lhe oferecer essa análise como cortesia.
      Por gentileza, envie um e-mail para [email protected]
      Desejamos sucesso.

  4. Estudem no youtube sobre Fundos Imobiliarios. Pode ser Boa alternativa pensando em complementar aposentadoria.

  5. Olá! Tenho um VGBL progressiva do brasilprev e acho q está rendendo pouco, devo me aposentar em 5 anos. Estava pensando em fazer portabilidade para outra instituição com VGBL regressiva com rentabilidade maior e risco menor e esperar os 10 anos pra pagar menos imposto. O que acha?

    1. Goreti, bom dia!
      É uma ótima alternativa. A portabilidade permite que você busque novas opções de rentabilidade. No caso de migrar essa previdência, o ideal é que você espere os 10 anos, pois caso contrário a tabela de imposto a pagar é maior.
      Desejamos sucesso!

  6. Olá,
    Tenho um plano antigo PGBL. Fiz em 2000. Parece que esses planos têm uma garantia a mais. Porém, nunca foi me falado isso. Há uns 3 anos, a gerente do Banco sugeriu que migrasse parte desse investimento para um outro PGBL que não tinha taxa de carregamento e seria mais rentável. Porém, sugeriu que mantivesse ativo o antigo e antes de me aposentar migrasse tudo para esse PGBL antigo pois teria algumas vantegens. Podem me esclarecer mais sobre isso?

  7. OI. tenho 3 previdências 2 fixas e uma com aportes mensais, todas com mais de 3 anos . De um ano pra cá comecei a pesquisar mais a fundo a modalidade e percebi q o gerente consegui aplicar uma pela minha inocência, e agora estou bem decepcionado com o que fiz. Estou querendo fazer portabilidade porém na previdência de aportes mensais, me falam q terei uma certa “punição” por sair do plano. Isso precede? A previdencia é Multiplano geração 2 , bradesco. o plano tem incluso seguro de vida.

    1. Odair, boa tarde!
      A princípio, procede. Existem queixas registradas por clientes do Multiplano Geração 2 em diversos sites deste tipo de segmento.
      Sugerimos que procure a Ouvidoria do Bradesco, registre sua queixa, pois no ato da aquisição o responsável pela venda do produto informou dados inválidos. Na sequência, vale também registar o ocorrido do Banco Central – Bacen
      – Ouvidoria Bradesco
      0800 727 9933
      https://banco.bradesco/html/classic/atendimento/fale-conosco/ouvidoria/index.shtm
      – Bacen
      https://www3.bcb.gov.br/faleconosco/#/login/registrar?natureza=1&tipo=1
      Informações sobre Multiplano Geração 2 – https://www.bradescoseguros.com.br/clientes/produtos/previdencia-privada/multiplano-geracao-2
      Desejamos que tudo seja resolvido da melhor forma.
      Até mais!

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