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  • 27/12/2016

Retrospectiva da economia brasileira em 2016

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Um ano de surpresas e fatos impactantes que gerou muito medo para os investidores, mas também oportunidades para quem tem sangue frio. Como diz o ditado, “depois da tempestade vem a bonança”…

Há um ano quem diria que em 2016 teríamos o impeachment, Trump presidente dos EUA, Brexit na Europa e Lava Jato chegando em pessoas que até então eram intocáveis?  Após muita turbulência o ano termina com novas medidas para a recuperação da economia brasileira e uma esperança renovada para 2017. Preparamos essa retrospectiva para relembrar os principais acontecimentos do ano e como eles impactaram os investimentos no país.

Brasil perde credibilidade no exterior

Em 2015 a Standard & Poors e a Fitch já haviam rebaixado o Brasil do grau de investimento para grau especulativo. Em fevereiro de 2016 foi a vez do Brasil perder o grau de investimento pela agência Moody’s, com um recuo de duas notas de uma vez só. Em abril de 2016, a agência Fitch rebaixou novamente mais uma nota para o Brasil, levando o país à mesma nota de 2006 – “BB”.

Conforme as classificações das agências de risco, o grau de investimento relaciona os países considerados bons pagadores, já o grau especulativo elenca os países com possibilidade de darem calote. Essas classificações refletem diretamente a credibilidade do país frente ao mundo.

Como o rebaixamento afeta os investimentos, com a baixa credibilidade no cenário externo, o país tende a perder dólares, o que interfere na cotação da moeda. Assim, o real tende a desvalorizar e fica mais caro comprar dólares. Porém, os impactos do rebaixamento não foram tão grandes em 2016, pois o mercado já havia precificado este evento ainda em 2015.

As perspectivas para 2017 ainda são ruins em termos das avaliações pelas agências de risco. Porém, isso não é uma novidade para o mercado, uma vez que as avaliações refletem eventos que já aconteceram na economia brasileira em 2016.

Incerteza e esperança: pré-impeachment, lava jato, PIB, inflação, mercado de ações

O cenário de incerteza dominou o primeiro trimestre de 2016. A cada novidade da operação lava jato o mercado de ações sofria algum impacto.

Em março de 2016, a delação do senador Delcídio do Amaral e Lula sendo levado para depor afetou o mercado de ações positivamente, ajudando a impulsionar o mercado para um ciclo de alta, pois foi um sinal do enfraquecimento definitivo do PT no governo, o que acabou deixando o impeachment mais provável. Diversas manifestações populares também deixaram o mercado ansioso com a possibilidade de impeachment.

Ainda no começo de 2016, a inflação começou a desacelerar. Em parte, essa desaceleração impacta de forma positiva, pois fortalece a esperança de redução na taxa de juros, o que acaba por levar os investidores a buscarem outras opções além da renda fixa. Isso tende a favorecer as empresas e a economia brasileira como um todo. Por outro lado, a desaceleração no aumento da inflação foi fruto, na maior parte, da forte recessão econômica vivida no país.

Um sinal importante da recessão foram os dados de desemprego divulgados em março. O desemprego subiu 8,2% em fevereiro de 2016, um aumento de 50% em relação a fevereiro de 2015. Além disso, em março foi divulgado PIB do Brasil de 2015, o qual caiu 3,8% em relação a 2014, sendo o pior resultado em 25 anos!

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Taxa básica de juros: a SELIC

O ano de 2016 realçou a característica das altas taxas de juros praticadas no Brasil. A taxa SELIC, que começou o ano em 14,25%, finaliza 2016 em 13,75%, com esperança de novos cortes para 2017. Com a inflação tendo desacelerado ao longo do ano, o COPOM deu o primeiro corte na SELIC em outubro de 2016, sendo a primeira redução em quatro anos!

As variações na taxa básica de juros impactam diretamente nos investimentos. Em um cenário de alta taxa de juros, o consumo fica retraído, as empresas crescem menos, o mercado de ações vai mal, o PIB tende a ser menor, entre outros efeitos. Com a inflação baixa, o governo tende a ir reduzindo a taxa de juros, o que facilita o acesso ao crédito e fortalece o consumo, impulsionando a economia brasileira para frente.

Entre os investimentos de renda fixa, o título público Tesouro SELIC e todos os outros investimentos atrelados ao CDI acabam por ter sua rentabilidade reduzida com quedas na taxa SELIC. Com a inflação mais baixa, o rendimento nominal de investimentos atrelados à inflação também fica menor.

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Com isso, a renda fixa fica menos atrativa para os investidores, que acabam por procurar outras opções, como fundos de investimento multimercado, mercado de ações, fundos imobiliários, entre outros.

Para 2017: a ata da última reunião do COPOM do ano (30/11/2016) indicou maior flexibilização na política monetária, e para o mercado, isso foi interpretado como uma possibilidade de que o próximo corte na SELIC já venha em 0,5% com parte do mercado apostando em até 0,75%.

Cenário internacional: Brexit, taxa de juros e eleições americanas

No cenário internacional, três eventos marcaram o ano de 2016: o Brexit – Britsh Exit, representando a saída do Reino Unido da zona do Euro; o aumento da taxa básica de juros dos Estados Unidos; e a eleição norte-americana.

Brexit

Em junho de 2016, como poucas vezes no último ano, o contexto internacional se sobrepôs ao cenário interno, ofuscando os principais indicadores econômicos e o imbróglio político brasileiro.

Havia a expectativa inicial de que a votação no Reino Unido manteria os britânicos dentro do bloco econômico, mas o resultado da votação mostrou que 52% optaram por sair. Assim que a notícia foi divulgada, as principais bolsas do mundo já operavam com forte revés, com quedas que não eram vistas desde a crise de 2008-2009.

No Brasil, o mercado amanheceu com forte queda das principais ações da bolsa e com avanço do dólar, que só foi amenizado após comunicado do Banco Central que poderia intervir para normalizar o mercado caso necessário.

A saída do Reino Unido põe em cheque a já frágil economia europeia que ainda se recuperava da crise grega. Os impactos que podem gerar no médio e longo prazo são incertos, mas na dúvida, os investidores recorreram, aos ativos mais seguros, como ouro e títulos americanos.

Porém, como impacto prático e de curto prazo para os investimentos no Brasil, o tão temido Brexit provou dois dias de quedas na bolsa brasileira. Após isso os riscos foram dissipados: o IBovespa subiu e o dólar voltou a cair. No mês de junho como um todo, quando ocorreu o Brexit, o dólar fechou em queda de 11%, sendo que o real se valorizou mais do que as principais moedas mundiais em relação ao dólar.

Em agosto de 2016, o Banco Central Inglês reduziu a taxa básica de juros de 0,5% para 0,25%, junto com uma promessa de injeção de 60 bilhões de libras na economia. Essa foi uma das principais medidas pós-Brexit.

Taxa de juros dos Estados Unidos

O aumento da taxa de juros dos Estados Unidos em si não causou nenhuma surpresa, pois já era esperado pelo mercado – em dezembro de 2016 o aumento foi de 0,50% para 0,75%. Porém, o comunicado mais tendencioso a novas altas deixou o mercado receoso em relação a uma possível aceleração dos aumentos futuros.

O tom mais altista para os juros nos EUA está ligado diretamente aos projetos de Trump de fomentar os investimentos de infraestrutura. Alguns analistas falam que pode haver um pacote de estímulos no valor de 20 trilhões de dólares para os próximos anos! Isso fará com que o FED mantenha uma política mais austera. Todo esse contexto pode “roubar” investimentos do Brasil, que ao contrário dos EUA está em processo de redução de juros.

Eleição norte-americana

A inesperada vitória de Trump à presidência sacudiu o mercado internacional. A incógnita em torno de como será gestão Trump, se de forma mais moderada, ou de acordo com suas promessas de campanha, fez com que pairasse a incerteza no mercado, e o mercado odeia incerteza.

Até uma definição, o mercado ficará com uma forte volatilidade, principalmente nos mercados emergentes como o Brasil. Embora por aqui, aparentemente, o efeito Trump está mais por conta da especulação do que diretamente pelos fatores em jogo.

Impeachment

O dia 31 de agosto de 2016 foi marcado por um dos principais acontecimentos políticos do Brasil nos últimos 20 anos. Por 61 votos a favor e 20 votos contra, o senado condenou com a perda do mandato por crime de responsabilidade fiscal a ex presidente Dilma Roussef. Entretanto, em manobra conturbada, o senado não inabilitou Dilma a exercer outras funções na administração pública.

O impeachment foi visto como positivo pelo mercado financeiro. Além disso, a escolha da equipe de Temer, com nomes como Henrique Meirelles, Ilan Goldfajn e Mansueto Almeida, mostrou que embora capacidade política do novo Ministro da Fazenda e de outros nomes sejam notórias, os requisitos técnicos e meritórios para muitos dos cargos do alto escalão foram determinantes. No âmbito internacional aumentou a expectativa dos investidores estrangeiros em relação a investimentos no Brasil.

Além disso, com todo esse cenário e também com a aprovação da PEC 241 espera-se uma contenção no déficit das contas públicas. Isso tudo tende a reduzir os aumentos na inflação, conduzir a redução cuidados na SELIC e impactar no aumento do PIB e melhor desempenho das empresas brasileiras, reduzindo o desemprego, entre outras consequências.

Boas notícias nos balanços do terceiro trimestre

Na maioria dos balanços e demonstrativos das companhias brasileiras o que se observou foi um incremento no lucro das empresas que já vinham mantendo resultados positivos em trimestres anteriores e redução no endividamento daquelas deficitárias, com algumas exceções. O mercado de ações brasileiro renovou a máxima de 2012.

Pacote de medidas Temer-Meirelles

Para finalizar o ano, Temer se reuniu com sua equipe econômica para discutir pacote de medidas que objetiva dar fôlego financeiro às empresas e não envolve injeção de dinheiro público via subsídios, desonerações e recursos do tesouro – como o governo anterior fazia.

O pacote Temer-Meirelles contém medidas de caráter mais estrutural com resultados esperados para médio/longo prazo. Esses resultados, combinados com a redução gradual na taxa de juros poderá colocar o país no rumo do crescimento novamente.

Pós-impeachment: incertezas sobre o atual governo

Como já comentado, na época do impeachment o mercado reagiu positivamente. Porém, no fim do ano ainda existem muitas incertezas sobre a fragilidade do atual governo. O tema “operação lava jato” voltou a tona com a delação da Odebrecht. Finalizando 2016 Temer encontra-se entre o “fio e a navalha” com o congresso, que tem muitos envolvidos nas delações, e a vontade popular.

Se não bastasse o caso Geddel, o governo se viu pressionado quando tentou passar na Câmara uma medida que deixaria passar impune o caixa 2 em campanhas eleitorais. O resultado foi a mídia e a população pressionando, inclusive com carta aberta de Sérgio Moro. Por fim, Temer voltou atrás em ambos os casos, tirou Geddel do governo e retirou apoio a anistia.

Conclusão e o que está por vir em 2017

Com todo esse cenário conturbado e repleto de incertezas na economia brasileira em 2016, o governo precisa adotar medidas impopulares, mas necessárias, para atrair investimentos e melhorar a imagem com os investidores. Porém, isso tudo depende do congresso. A pauta lava jato é o que mais pode trazer incertezas para 2017.

O ano encerra com uma perspectiva de queda de juros no Brasil para 2017, tendo em vista a fraca atividade econômica e a necessidade de geração de empregos. Acredita-se que a fase de juros altos e ganhos fáceis irá se reduzir, porém a atividade econômica deverá ter uma melhora. O cenário externo se mostra mais estabilizado com um Trump, mais calmo e focado em fomentar a economia americana, deixando de lado o discurso agressivo.

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