Como você está vivendo esta pandemia?

  • 02/06/2020
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Desde que começou a pandemia causada pela Covid-19, algumas pessoas estão paralisadas pelo medo, preferindo ignorar informações que podem estar associadas a consequências ou situações ruins, tentando minimizar ou evitar, a ansiedade e o desconforto que isso pode gerar.

Porém, outras pessoas estão encarando a pandemia como mais um aprendizado, pois as experiências já vividas ensinaram a enxergar as situações ruins de forma diferente.

Annalisa Blando Dal Zotto, CEO da ParMais, faz uma reflexão sobre como suas experiências pessoais estão ajudando a encarar a pandemia e como algumas situações a fizeram ter uma nova percepção sobre o futuro pessoal e financeiro.

Presente x Futuro

Desde que a pandemia começou, observamos que muitos de nossos clientes e prospects estão com mais interesse em olhar para o presente do que pensar no futuro, em planejar algo. Orçamento, fluxo de caixa, seguro, saúde são questões que ganham muito mais destaque do que planejar viver de renda, sucessão e até mesmo melhorar a gestão do patrimônio. No entanto, buscar organização financeira neste momento poderia ser muito oportuno, principalmente por conta do futuro incerto, não, acham?

Claro que isso não é unânime, mas esse é um comportamento que antes não era tão comum.

Paralisia do medo

Em Santa Catarina, os shoppings, restaurantes, clínicas médicas e alguns outros estabelecimentos estão funcionando com restrições e mesmo assim, estão vazios. Não deveríamos retomar tão logo fosse possível? Estaríamos paralisados pelo medo? Ao contrário, temos vários exemplos que acham que a Covid19 é somente um resfriadinho.

Porque isso acontece? Como dizia Sócrates, “eu só sei que nada sei”, ainda mais quando se trata da pandemia e seus diversos impactos, mas trago aqui algumas reflexões e suposições com base em minha vivência e aprendizado.

Início da pandemia

Quando começou a pandemia, fiquei irritada e chateada. Minha vida tinha virado de pernas para o ar. Porém, não fiquei retraída, acuada. Sou do time daqueles que encarou a pandemia como uma guerra a ser vencida. Acatei as regras de isolamento e me adaptei à nova rotina. Também não deixei de ir ao mercado comprar coisas que eu precisava, como as panelas maravilhosas que me distraem e alegram a família em torno da mesa. Nem deixei de ir ao médico quando precisei, mas sempre tomando os devidos cuidados e seguindo as recomendações.

Apesar de tudo, eu e meu marido Renan Dal Zotto nos conformamos e nos adaptamos rápido à nova realidade. Provavelmente, isso se deve às nossas experiências de vida.

A impotência de toda a situação

Meu primogênito, Gianluca, teve leucemia aos dois anos de idade. Internou 22 vezes, esteve à beira da morte diversas vezes e depois de alguns anos se curou. Isolamento e distanciamento social faziam parte da nossa rotina. Na época em que meu filho estava doente, tive que lutar com toda a minha energia pela saúde dele. Não podia nem me permitir algumas horas na cama chorando, porque precisava cuidar dele. Eu tinha que fazê-lo feliz e ampará-lo, e essa fase me transformou.

Lembro que no começo a dor da impotência era destruidora. Da impotência e da vulnerabilidade. Logo que o Gianluca adoeceu, eu pensava: “somos muito impotentes, não mandamos em nada”. Porém, o ser humano não vive com essa sensação de impotência. E eu acabei me acostumando com a situação.

Antes disso, eu nunca havia sentido tanta dor como essa sensação me provocava. Eu não podia fazer nada a não ser exercitar minha fé, confiar nos médicos e seguir as recomendações à risca. Eu costumava treinar todos os dias, fazia meditação para viver o presente, para ser feliz hoje, pois eu não sabia se eu iria ser feliz no futuro.

Pensar no futuro também era dilacerador. Doía demais pensar num futuro que poderia ser sem meu filhinho amado. O futuro era incerto e muito perigoso. Exercitei o viver o hoje, o presente. E assim foi por muito tempo. Eu queria viver e curtir a vida no momento. Eu e o Renan passamos alguns anos gastando tudo o que ganhávamos, sem se preocupar com o futuro. Aprendemos a ser feliz e estar plenos no presente e isso é uma prática que busco carregar até hoje.

A importância da reserva

Porém, quando Gianluca adoeceu, tínhamos uma reserva e por sorte um plano de saúde.

Fazia parte do contrato do Renan, que era técnico de voleibol, o seguro saúde. Antes da doença do Gianluca, nós não dávamos o menor valor a ele e no entanto, nosso filho teve a oportunidade de se tratar nos melhores hospitais do Brasil. A reserva, construída arduamente quando Renan jogava vôlei, provavelmente seria suficiente para cobrir despesas extras e fazer um tratamento experimental, caso o tratamento convencional não desse certo.

Foi uma época em que não nos preocupamos mais em acumular patrimônio, guardamos reserva para a saúde dele e passamos alguns anos curtindo os bons momentos e consumindo diversas coisas.

Saiba mais: Reserva de emergência

Planejamento e equilíbrio

Voltamos a pensar no futuro um bom tempo depois. O equilíbrio tão importante voltou somente depois que Gianluca foi considerado finalmente curado e chegou nosso caçula Enzo.

Acredito que o meu comportamento reflete o que vemos agora, com muitos de nossos clientes e amigos, por isso resolvi escrever sobre isso.

Quando a pandemia chegou, eu já tinha dentro de mim a consciência que somos impotentes e vulneráveis, principalmente diante da natureza. Acredito que devemos sim planejar o futuro, mas com o equilíbrio de viver o presente. Não tenho medo do futuro incerto, porque sei que a Deus pertence. Faço a minha parte e deixo o futuro fluído. Também escolhi ser otimista, me esforço sempre para ver o “copo meio cheio”.

Reflexão

Acredito que as pessoas se comportam diante desta pandemia de acordo com suas vivências e influências, por isso trouxe aqui esta reflexão.

E você, como está vivendo esta pandemia?

Se você é do time que está angustiado com o futuro incerto, te convido a refletir e racionalizar como está levando suas finanças. Mais do que nunca é hora de se organizar financeiramente. Tendo um bom planejamento financeiro, fica mais fácil passar por situações complicadas com tranquilidade e segurança.

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