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  • 18/09/2014

É preciso ter metas a longo prazo

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Planejamento Financeiro: é preciso ter metas a longo prazo

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Planejamento financeiro pessoal exige organização rígida dos gastos, mas é caminho certo para alcançar objetivos e sonhos.

Quem nunca teve problemas com cheque especial ou criou uma dívida quase que impagável com o cartão de crédito? Ou ainda, chegou a uma fase da vida e percebeu que, nos últimos anos, não conseguiu poupar nada, nem para uma emergência? O problema, segundo Jailon Giacomelli, especialista em gestão financeira, investimentos e mercado, está na falta de um planejamento financeiro à longo prazo.

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O Empresário – Por que parece tão difícil organizar (e manter) um planejamento financeiro pessoal?

Jailon Giacomelli – Não só parece difícil: é difícil organizar as próprias finanças e mantê-las organizadas. Principalmente, porque o “sacrifício” de controlar as despesas é imediato, mas os resultados mais expressivos surgem em 5, 10 ou 20 anos. No início, quando as contas entram em ordem, o indivíduo tem um retorno imediato, com ganho de qualidade de vida, já que ele fica menos estressado com contas, dívidas, cheque especial etc… Depois de algum tempo, porém, esses benefícios parecem perder importância, como se o sujeito esquecesse que já teve problemas algum dia. Aí o controle de gastos parece fazer menos sentido.  Por isso é importante pensar em metas de longo prazo – a acumulação de patrimônio ou de renda para a aposentadoria – e incluir no planejamento metas de curto prazo, que servirão de estímulo durante a trajetória (viagem ou troca do carro). Ao vencê-las, a pessoa recobra o ânimo para os desafios maiores.

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OE – Quais são as implicações diretas da falta de um planejamento financeiro pessoal? Por quê?

JG – Há implicações de curto, médio e longo prazos. De imediato, a preocupação com a falta de dinheiro provoca problemas de saúde (insônia, stress, ansiedade, entre outros), afeta relacionamentos e algumas vezes desvia o foco do indivíduo em suas atividades profissionais. A médio prazo, a inviabiliza a conquista de sonhos como a casa própria, a oferta de educação de qualidade para os filhos, viagens e afeta até o convívio social. Ainda mais grave é o impacto que isso pode ter no longo prazo, na velhice, quando muitas vezes estamos mais vulneráveis. Hoje, segundo análises especializadas, aproximadamente 90% dos aposentados pelo INSS seguem trabalhando porque têm necessidade de complementar renda.

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OE – Organizar ganhos, despesas e metas são apenas para os assalariados ou quem ganha pouco? Ou não, todos devem adotar essa prática? Por quê?

JG – Pessoas que têm renda elevada também são vítimas frequentes da falta de controle do orçamento. Quem gasta mais do que ganha – ainda que ganhe bastante – pode sempre, ao longo do tempo, colocar a si mesmo em situação financeira difícil. Profissionais autônomos (médicos, advogados, cirurgiões dentistas) são um bom exemplo. Muitas vezes eles não sabem qual será a receita do mês seguinte – e podem enfrentar problemas se houver uma queda repentina de rendimentos. Um dentista, por exemplo, que quebre o braço, terá uma queda brusca de renda. Se ele não tiver uma reserva de segurança, pode entrar em uma espiral de endividamento bancário. O planejamento financeiro bem feito é focado em quanto você poupa e não em quanto você ganha.

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OE – Quais as orientações básicas para uma pessoa fazer o planejamento financeiro?

JG – Antes de qualquer outra medida, é preciso saber exatamente quanto ganha e quanto gasta a cada mês. Isso pode ser feito com uso de planilhas onde são listados rendimentos e despesas. Quando possível, é importante também consultar um planejador financeiro, que poderá ajudá-lo na definição e na execução do seu planejamento, orientando a melhor forma de alcançar seus objetivos. Há ainda orientações gerais: evitar o cheque especial: jamais pagar apenas o mínimo do cartão de crédito; só tomar financiamentos bancários para investimentos e se tiver bom custo/benefício do ponto de vista financeiro; sempre negociar com o gerente quando for tomar um empréstimo (os produtos de contratação mais simples, como os financiamentos online, são sempre os mais caros).

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OE – O planejamento financeiro é pessoal e, por isso, varia conforme as demandas e interesses de cada um (viagem, estudos). Mas há itens que devem fazer parte de qualquer tipo de planejamento como a aposentadoria e investimentos, por exemplo?

JG – Com certeza. O primeiro item indispensável para qualquer planejamento financeiro é o orçamento mensal das receitas e despesas, que devem ir para uma planilha ou mesmo um caderno, incluindo até mesmo os pequenos valores gastos, que fazem uma diferença bem significativa – você não vai mais ficar se perguntando onde gastou ou se perdeu dinheiro por aí. Outro item que deve estar presente é a análise dos bens e das dívidas. Precisamos saber exatamente o que temos, o que devemos e quanto precisamos para cobrir essas dívidas. A organização tributária não pode ficar de fora, é importante saber quais impostos serão pagos e ter reservada a quantia necessária.  O último item é o planejamento da aposentadoria. A renda diminui nessa fase da vida, mas os gastos não, por isso é necessário um bom planejamento para manter a independência financeira e o padrão de vida..

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OE – Como uma pessoa que está endividada – ou que tem despesas maiores que a receita – deve proceder para ajustar o orçamento?

JG – Agilidade é palavra de ordem. Quite as dívidas o mais rápido possível. Renegocie, faça um plano para quitação.  Comece pelas dívidas do rotativo dos cartões de crédito e depois cubra o saldo negativo da conta corrente (cheque especial), que tem os juros mais abusivos praticados pelas instituições financeiras. Depois é preciso entender qual o motivo do endividamento, para que não volte a acontecer. Corte as despesas supérfluas e procure readequar o padrão de vida para que caiba no bolso ou aumentar as receitas. Por último, planeje montar uma reserva de segurança, com ela você não voltará a ficar endividado.

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OE – Quais os sinais que indicam a necessidade de refazer o planejamento adotado?

JG – Várias situações acionam a luz de alerta. Quando acontece uma queda brusca de renda ou um aumento significativo nas despesas da família, por exemplo. Nesses casos é preciso readequar não só os gastos, mas todo o planejamento, incluindo o estilo de vida dos familiares.  Caso a família consuma totalmente sua reserva de segurança e não consiga repor, um novo plano com a função de turbinar as economias deve ser ativado. Quando morre alguém da família geralmente o planejamento fica desajustado. No caso de recebimento de herança também é ideal um novo planejamento para que o dinheiro seja bem encaminhado. Planejamento financeiro também deve ser readequado ao receber um bebê na família, além da família adicionar uma pessoa a mais na equação, entram novas variáveis como o custo com educação.

Revista O Empresário

Jailon Giacomelli, CFP, sócio da Par Mais Planejamento Financeiro, em entrevista à revista O Empresário, edição nº 37, setembro/outubro de 2014.

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É preciso ter metas a longo prazo por Jailon Giacomelli – 18.09.2014

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