Crise hídrica no Brasil: quais os impactos na economia?

  • 03/09/2021
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A crise hídrica no Brasil está sendo a pior dos últimos 91 anos e os impactos já estão sendo sentidos em todos os setores.

No Brasil, na maioria das regiões, é comum as chuvas mais volumosas acontecerem no chamado período úmido, que é nos meses de primavera e verão. As exceções ficam no sul do Brasil – com chuvas uniformes ao longo do ano – e na costa leste do nordeste – que tem o período de outono e inverno mais chuvoso.

Quando não chove, ou a chuva é insuficiente para abastecer os reservatórios de água, ocorre a crise hídrica.

Por causa da falta de chuva, os reservatórios das usinas hidrelétricas – especialmente das regiões sudeste e centro oeste – estão com uma grande redução na capacidade, afetando o abastecimento de água e o fornecimento de energia elétrica em todo o Brasil e impactando também diversos setores produtivos sociais.

Entenda neste artigo como a crise hídrica no Brasil altera a economia.

O que é crise hídrica

Crise hídrica é como é chamada a falta de água para abastecimento das cidades brasileiras.

Além da falta de chuvas, a crise é agravada por fatores como a falta de infraestrutura de abastecimento, má gestão dos recursos hídricos, falta de controle de problemas ambientais (como desmatamento e poluição), falta de educação para um consumo racional de água e redução de desperdícios, aumento do consumo de água por causa do crescimento da agricultura, industrial e populacional, uso restrito de fontes alternativas aos reservatórios, entre outros

Histórico da crise hídrica no Brasil

Essa não é a primeira vez que ocorre uma crise hídrica no Brasil.

O gráfico acima traz o volume de energia hídrica gerado durante as duas últimas décadas.

O primeiro destaque é relacionado à crise no começo dos anos 2000, quando o governo recorreu a blecautes programados para que fosse evitado um colapso no sistema elétrico.

Entre 2014 e 2016, o país viveu um dos momentos mais críticos em relação à falta de água. Como consequência, em 2015, a inflação registrada foi significativamente maior que as anteriores, ficando acima da meta estipulada e fechando o ano em 10,67%, a mais alta desde 2002, ano em que o mercado financeiro estava inseguro quanto ao cenário político.

Ainda na época, os dados relativos ao IPCA divulgados pelo IBGE, apontaram que 24% da inflação daquele ano foi causada apenas pelo aumento da energia elétrica e dos combustíveis.

Índice de Atividade Econômica

Já o gráfico acima traz os valores do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) calculado pelo Banco Central. Este índice é utilizado como uma proxy pro PIB, uma vez que este último se configura como um dado mais complexo, demorando para ser divulgado.

Os dados, que foram fixados aos patamares de 2014 – para fins de comparação – validam o impacto da recessão na atividade econômica brasileira. Posteriormente, o gráfico destaca o período da greve dos caminhoneiros, quando o recuo no índice se aproxima ao início da recuperação da crise anterior.

Por fim, destaca-se o período mais recente, desenhado pela pandemia da COVID-19, onde atingimos os menores valores desde 2014, entretanto, com uma recuperação muito mais rápida.

Impactos na economia brasileira

A crise hídrica no Brasil reflete em diversos setores da sociedade, reduzindo a oferta de alimentos, diminuindo a oferta de água para a população, comprometendo o fornecimento de energia elétrica, além de afetar o orçamento das famílias e prejudicar o comércio.

Com a falta de água, todos os serviços que necessitam dela para acontecer acabam afetados. Os setores que mais são impactados são o agronegócio, saneamento e de energia.

Energia elétrica

Como a nossa principal matriz energética são as hidrelétricas, um dos setores mais afetados com a crise hídrica é justamente o da energia elétrica.

Com os reservatórios em níveis baixos, as hidrelétricas baixam a produção e as usinas termelétricas, que são movidas a carvão, são acionadas. Porém, os custos das termelétricas são maiores e isso encarece a energia elétrica e cria também um efeito cascata na economia, com o aumento dos preços em geral. O país também começou a importar energia dos vizinhos, Argentina e Uruguai, gerando mais pressão nos custos de energia.

Já podemos ver esse impacto na conta de luz, pois a Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica – e o Ministério de Minas e Energia anunciaram a bandeira tarifária “escassez hídrica”, que aumenta a tarifa de energia elétrica para R$14,20 para cada 100 kWh consumidos. Essa nova tarifa começou a valer no dia 1 de setembro de 2021 e deve ir até o dia 30 de abril de 2022. Importante observar que a sugestão dos técnicos da Aneel era que a tarifa fosse elevada para R$24.

Agronegócio

A escassez de chuvas faz com que a agricultura perca produtividade e aumente os custos, além de comprometer a logística por vias fluviais de transportes de cargas. As safras de grãos, frutas e hortifrutigranjeiros são as mais afetadas. A oferta restrita dos alimentos, aliada da retomada de demanda, mantém as commodities agrícolas com preços elevados.

Saneamento

A crise hídrica também chama atenção para outro problema, que é a contaminação dos reservatórios de água. Além disso, os baixos volumes de água expõem a má conservação dos mananciais – que são as fontes de água para abastecimento e consumo – e também a necessidade de tratamento de esgoto.

A crise hídrica no Brasil e a inflação

A crise hídrica no Brasil deve impactar também a inflação do país, que tende a se manter em patamares altos. Isso quer dizer que teremos mais juros, o spread dos bancos será maior e haverá menos consumo e menos investimentos. Resumidamente, com a inflação alta, o poder de compra dos consumidores diminui.

Se continuarmos no ritmo que estamos, a inflação deve fechar o ano de 2021 entre 7,5% e 8%. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de julho de 2021 veio em alta de 0,96% e o mercado precifica hoje juros de 8% para o próximo ano e aguarda uma inflação de 4% para 2022.

Consequências para o PIB

O ano de 2022 deve observar um crescimento mais moderado após um 2021 na casa de 5,20%. Naturalmente, a desaceleração da economia já é esperada em função da normalização das bases, assim como observamos com EUA e China, por exemplo.
Entretanto, os efeitos da crise hídrica poderão ser sentidos ainda em 2022 e prejudicar o crescimento ao longo do ano, levando a revisões baixistas e um crescimento um pouco mais moderado do que o anteriormente esperado.

No segundo trimestre de 2021, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro caiu 0,1% em comparação com o primeiro trimestre, influenciado pela desaceleração do setor agrícola, que registrou queda de 2,8% de um trimestre para outro. Entretanto, ainda mantemos uma expectativa positiva com o setor e devemos observar o segmento de Serviços com crescimento mais robusto, +0,7% no segundo trimestre de 2021 em função do período de menor restrição da mobilidade social e do avanço da vacinação.

Como ficam os investimentos com a crise hídrica no Brasil?

O cenário macroeconômico do país é bastante desafiador. Aqui na ParMais, optamos por nos manter alocados em bolsa no Brasil e aguardar os preços retomarem aos patamares que consideramos justos.

Além disso, mantemos alocações também no exterior, majoritariamente nos EUA e as movimentações serão realizadas para adaptar as carteiras às novas possibilidades que os juros mais altos disponibilizam na escolha entre retorno e segurança, optando por não realizar mudanças estruturais no momento.

Paralelo a isso, aumentamos as alocações de renda fixa aproveitando o ciclo de alta de juros que ainda deve continuar até o final do ano, gerando mais atratividade para os retornos da classe, melhorando a relação de risco e retorno dos portfólios.

Conclusão

Atualmente, o Brasil está passando pela pior crise hídrica dos últimos 91 anos e isso trará impactos negativos para todos os setores da economia.

A crise deve manter a inflação em altos patamares e impactar na retomada das atividades econômicas. O PIB brasileiro pode ser impactado com o agravamento da crise caso venhamos a sofrer com apagões ou racionamentos, e claro, com uma pressão ainda maior nos custos.

Em resumo, a crise hídrica no Brasil afeta a economia de forma negativa em todos os setores, gerando um efeito cascata e desacelerando o crescimento.

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