INSS: Vale a pena contribuir?

  • 03/11/2020
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É do senso comum acreditar que contribuir para o INSS não vale a pena. Esse equívoco acontece porque muitas pessoas analisam o INSS como única fonte de renda na aposentadoria, quando na verdade, ele deve ser visto como um complemento de diversas outras rendas.

Além disso, o INSS possui vantagens que nenhum outro regime de aposentadoria tem, que são os benefícios. Neste artigo, vamos explicar o que é o INSS, os benefícios e como ele pode ser importante para o plano de aposentadoria.

O que é o INSS?

O INSS – Instituto Nacional do Seguro Social – é um órgão do Ministério da Previdência Social responsável pelos pagamentos das aposentadorias e demais benefícios dos trabalhadores brasileiros, exceto servidores públicos.

Para ter direito aos benefícios, os trabalhadores devem contribuir mensalmente com a Previdência Social, que é um seguro social que garante ao contribuinte uma aposentadoria quando ele para de trabalhar.

contribuir INSS  - duas peças de um quebra-cabeça em destaque prontas a se juntarem.

Contribuição para o INSS

A contribuição para o INSS é dividida por categorias – Empregado, Empregado Doméstico e Trabalhador Avulso – e possuem faixas e alíquotas distintas. Neste link é possível verificar as tabelas de contribuições mensais e consultar sobre as faixas de salários e respectivas alíquotas de incidência para o cálculo da contribuição a ser paga ao INSS.

Ao iniciar um trabalho com carteira assinada, a pessoa automaticamente é filiada à previdência e obrigatoriamente inicia as contribuições. Os trabalhadores autônomos precisam se inscrever e fazer contribuições mensais para ter acesso aos benefícios previdenciários.

Renda do INSS

A renda do INSS na aposentadoria nunca será menor que o salário mínimo vigente ou maior que o teto da própria previdência, atualmente em R$6.101,06, que é o valor máximo a ser concedido em benefícios.

O valor da renda mensal no futuro dependerá de diversos fatores, como tempo e valores de contribuição, tipo de aposentadoria escolhida e idade. É importante ressaltar que há também a aposentadoria por invalidez e pensão por morte, ambas proporcionais à contribuição.

INSS como complemento da aposentadoria

Durante o processo de planejamento financeiro, definimos a idade ideal para a aposentadoria e calculamos o valor de renda necessária para cobrir os custos e manter aproximadamente o padrão de vida atual da família. É nesse momento que contribuir para o INSS deve entrar para compor a estrutura de rendas com os demais investimentos, como aluguéis, previdência privada, imóveis, etc.

Saiba mais: Portabilidade da previdência privada: quando é preciso trocar de plano?

Como contribuir para o INSS muitas vezes é visto como dispensável, é comum que empresários, advogados, médicos e profissionais liberais contribuam apenas com o salário mínimo, elevando a necessidade de patrimônio acumulado para viver de renda na aposentadoria.

Exemplo prático

Temos como exemplo uma médica de 50 anos, com renda mensal atual de R$10.000,00 e que consome tudo o que recebe, mas que deseja se aposentar aos 65 anos de idade com a mesma renda dos dias atuais. Além disso, ela possui acumulado um patrimônio de R$1.000.000,00. Considerando que este valor irá render a uma taxa real e líquida de 3,4% ao ano e que a perspectiva de vida seja de 100 anos, teremos a seguinte situação:

Plano para viver de renda – cenário atual
Idade atual 50
Idade na aposentadoria 65
Expectativa de vida 100
Patrimônio acumulado R$1.000.000
Renda mensal gerada pelo patrimônio R$6.404

Além do rendimento do seu patrimônio, que proporcionará uma renda mensal de R$6.404,00, considerando que a médica tenha contribuído pelo salário mínimo, terá uma renda do INSS, em valores de hoje, de R$1.045,00. Somando as duas fontes de renda, a médica pode esperar se aposentar com uma renda mensal de R$7.449,00.

Ou seja, para que ela consiga se aposentar com a mesma renda de hoje, de R$10.000,00 por mês, seria necessário um complemento de renda de R$2.551,00. Para isso, uma das alternativas é readequar a realidade do seu padrão de vida para iniciar uma poupança mensal, a fim de aumentar o patrimônio.

Benefícios de contribuir para o INSS

Além de assegurar uma renda ao contribuinte, o INSS possui ainda outros 24 benefícios, como auxílio doença, salário maternidade, auxílio reclusão, auxílio acidente, entre outros. Para ter direito aos benefícios, basta a pessoa estar enquadrada como segurada da previdência social e atender os requisitos necessários para cada auxílio ou pensão. Confira os três principais benefícios concedidos aos contribuintes da Previdência:

Auxílio doença

O auxílio doença é concedido ao trabalhador que comprovar a existência de um problema de saúde que afete sua capacidade de exercer funções no trabalho, seja por motivo de doença ou acidente.
O beneficiário precisa comprovar em perícia, por meio de exames médicos, sua incapacidade de voltar as tarefas do trabalho. Para isso, deverá comparecer a avaliações periódicas junto ao médico do INSS, que definirá se a pessoa está apta ou não a exercer suas funções.

Aposentadoria por invalidez

Em casos de incapacidade permanente do segurado de continuar com suas atividades laborais – comprovada em perícia médica – por motivo de doença ou acidente, ele pode dar entrada ao benefício de aposentadoria por invalidez após cumprir carência de, no mínimo, 12 meses de contribuição e o problema ter surgido após o início das contribuições para a Previdência.

Auxílio maternidade

Este benefício é concedido exclusivamente às pessoas que precisam se afastar de suas funções profissionais em decorrência do nascimento ou adoção do próprio filho. Para receber o benefício, a pessoa empregada deve estar com a carteira assinada na data do afastamento, parto ou adoção. Nos casos de contribuinte individual ou facultativo, deve-se cumprir o prazo de 10 meses de contribuição ao INSS antes de solicitar o benefício.

O benefício tem prazo de pagamento de 120 dias. Para quem trabalha com carteira assinada, o auxílio maternidade terá o mesmo valor da sua remuneração atual. Já para os contribuintes individuais, o cálculo levará em conta o salário de referência da contribuição, ou seja, se a pessoa contribuir sobre o salário mínimo de R$1.045,00, receberá este salário por mês pelo prazo do benefício.

Neste link do site do INSS é possível verificar todos os benefícios disponíveis.

Conclusão

O INSS é responsável por controlar e realizar o pagamento das aposentadorias no Brasil. Ele também tem a função de gerenciar e liberar os benefícios dos contribuintes da Previdência Social.

Contribuir para o INSS muitas vezes é visto com reticência por ser algo obrigatório e, por possuir um teto máximo de renda relativamente baixo, não é considerado importante no complemento de renda na aposentadoria.

No entanto, o INSS possui diversos benefícios que garantem proteções importantes para qualquer pessoa. Outro fator relevante é que o INSS tem caráter vitalício, ou seja, independentemente de quantos anos você viverá após a aposentadoria, o benefício estará garantido.

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Comentário(s): 20

       
  1. Olá, eu desde 04/2019 eu estou contribuindo com o mínimo, só que em 08/2020 eu pulei sem querer, e contribui em 09/2020.
    Quando foi em 10/2020 arrumei um temporário que teve recolhimento por 3 meses, e após isso eu não contribui mais, a pergunta é…. eu posso gerar essa guia de 08/2020 e 02,03 e 04/2021 e regularizar isso?

    Obrigada

    1. Karina, bom dia!
      Há sim a possibilidade de recolhimento referente a meses anteriores, mas antes, é de suma importância entender a modalidade na qual você irá realizar o recolhimento. O contribuinte facultativo, aquele no qual não se faz necessário a comprovação de renda, possui limite de recolhimento de até 6 meses, ou seja, a guia não pode ter vencimento maior que esse período.
      Já para a modalidade contribuinte individual, não há limite de tempo, porém, antes de efetuar o recolhimento, é preciso checar se existe ou não a necessidade de comprovar o vínculo trabalhista junto ao INSS, pois esse tipo de recolhimento exige comprovação de renda. Portanto, tome cuidado, pois o recolhimento individual poderá lhe gerar impostos e outras complicações.
      Sugerimos procurar um advogado previdenciário ou o próprio INSS para analisar seu caso, entender os riscos e a viabilidade de você recolher de forma retroativa.
      Sucesso!

  2. Bom Dia, Obrigada pelo retorno!
    Então, pagando mais 12 anos eu estaria com 62 anos e 35 anos de contribuição, daí teria direito a aposentadoria por tempo de contribuição? Correto?
    E se eu quiser me aposentar por idade tb só aos 62 anos, mas o tempo de contribuição que tenho já dá direito?

    1. Regisne, bom dia!
      Com 62 anos de idade e 35 anos de contribuição, a mulher passa a ter o salário benefício de 100% da média das contribuições. Conforme mencionamos anteriormente, com as novas regras da previdência privada, será necessário tempo de contribuição e idade. Sugerimos consultar um advogado previdenciário para lhe ajudar a definir a melhor estratégia devido ao período de transição, já que você possui 22 anos de contribuição.
      Sucesso!

  3. Olá,
    Primeiramente parabéns pelo excelente post!
    Tenho 50 anos e 22 anos de contribuição clt. Atualmente contribuo como individual Cod 1007 = R$ 220,00/mês. Minha dúvida é: Vale a pena continuar pagando?
    Ainda há possibilidade de eu me aposentar por tempo de serviço?
    Ou somente por idade ?
    Desde já agradeço o retorno.

    1. Regiane, boa tarde!
      De acordo com as novas regras da previdência social, para receber o benefício de aposentadoria é preciso ter tempo de contribuição e idade, sendo que no caso de mulheres são 62 anos. O prazo mínimo de contribuição é de 15 anos, para ter direito a 60% do benefício, onde a cada ano de contribuição adicional se acrescenta 2 pontos percentuais, atingindo 35 anos de contribuição terás 100% da média das contribuições. Não podemos esquecer que além do benefício da renda por aposentadoria o INSS possui outros benefícios que deverão ser levados em consideração na hora da análise. Caso tenha interesse em fazer o cálculo, um advogado previdenciário ou até mesmo o órgão poderá auxiliá-la.
      Até mais!

  4. Bom dia,eu tenho 44 anos e tenho 30 anos na profissão de mecânico,e tenho 17 anos de contribuição, eu posso pagar o INSS dos anos q trabalhei sem carteira assinada para somar até os 30 anos q tenho de profissão?

    1. Wellington, boa tarde!
      Respondemos também pelo e-mail [email protected]
      Há sim a possibilidade de recolhimento referente a meses anteriores, mas antes, é de suma importância entender a modalidade na qual você irá realizar o recolhimento. O contribuinte facultativo, aquele no qual não se faz necessário a comprovação de renda, possui limite de recolhimento de até 6 meses, ou seja, a guia não pode ter vencimento maior que esse período, logo, não há como recolher, por exemplo, contribuições referente a Janeiro/2020 por já ter ultrapassado esse limite de tempo. Já para a modalidade contribuinte individual, não há limite de tempo, porém, antes de efetuar o recolhimento, é preciso checar se existe ou não a necessidade de comprovar o vínculo trabalhista junto ao INSS, pois esse tipo de recolhimento exige comprovação de renda. Portanto, tome cuidado, pois o recolhimento individual poderá lhe gerar impostos e outras complicações.
      Sugerimos procurar um advogado previdenciário para analisar seu caso, entender os riscos e a viabilidade de você recolher de forma retroativa. Às vezes, essa estratégia não trará o resultado que você espera.
      Sucesso!

  5. Ola, boa noite!
    Minha dúvida é: tenho 37 anos e apenas 12 anos de contribuição. Vale a pena pagar mais 17 anos pelo INSS como Trabalhador Avulso?
    Obrigada pela oportunidade de auxiliar com está dúvida!

    1. Ariane, boa tarde!
      De acordo com as mudanças da nova regra da previdência social, você precisa de mais três anos para atingir o tempo mínimo de contribuição que são de 15 anos, para ter direito a 60% do benefício, somado a idade que no caso das mulheres são 62 anos. Para receber 100% do benefício, será necessário contribuir por 35 anos, sendo que para cada ano de contribuição adicional se acrescenta 2 pontos percentuais. Questão importante a ser analisada no momento da decisão entre continuar contribuindo ou não, é que, além da renda, o INSS proporciona outros benefícios, como auxílio doença, incapacidade, entre outras, sendo que para cada benefício é preciso atender aos requisitos necessários. A disciplina de construir esta reserva para o futuro e a taxa real líquida em que este valor estará sendo aplicado, devem fazer parte desta reflexão.
      Até mais!

  6. Boa noite,
    Contribuo desde agosto de 2020 com a alíquota de 20% como facultativo p minha filha q é estudante, pagava R$ 209,00 e agora R$220,00.Com a mudança das regras em q não será mais contado o tempo de contribuição e sim a idade, vale a pena continuar contribuindo com alíquota de 20% ,uma vez q minha filha tem apenas 20 anos , não seria melhor a simplificada ou não há vantagem em contribuir?

    1. Marcia, boa tarde!
      Com as mudanças da nova regra da previdência social, o contribuinte precisa ter pelo menos 15 anos de contribuição (para novos ingressantes 20 anos) e no caso das mulheres 62 anos de idade. Sendo que os 15 anos de contribuição, corresponde a 60% do benefício, para receber 100% do benefício é preciso ter 35 anos de contribuição, lembrando que para cada ano de contribuição adicional se acrescenta 2 pontos percentuais. E conforme escrevemos no artigo, além da renda, o INSS proporciona outros benefícios, como auxílio doença, incapacidade, entre outras, onde para cada benefício é preciso atender os requisitos necessários.
      Sucesso!

  7. Boa noite
    Tenho 42 anos e 19 de contribuição. Baixei o aplicativo “Meu INSS” para simular minha aposentadoria e não tenho mais direito a aposentadoria. Por que continuar pagando o INSS?

    1. Delton, boa tarde!
      Não conseguimos entender o motivo de você não ter mais direito. Sugerimos procurar um advogado especialista nesta área para analisar seu caso em específico e lhe orientar da melhor forma possível.
      Até mais!

  8. Boa tarde!

    Parabéns pelo post.

    Contribuo mensalmente como pró-labore de sócio de uma empresa que tenho com base no teto do inss. Esse valor será contabilizado como contribuição para minha aposentadoria contando da mesma forma como seu eu fosse funcionário clt de uma empresa, também contribuindo com o teto?

    Obrigado!

    1. Daniel, bom dia.

      Sim, a contribuição será contabilizada para o cálculo da sua aposentadoria.

      Sucesso!

  9. Boa noite
    Tenho 46 anos e 25 de contribuição.Vale a pena continuar pagando a previdência como facultativo ou melhor usar esse dinheiro em outra aplicação?

    1. André, boa tarde!
      Pelo aplicativo “Meu INSS” é possível simular a aposentadoria já de acordo com as novas regras da Previdência. Dessa forma, você terá uma previsão de renda futura e um bom embasamento para a tomada de decisão. Baixe o aplicativo gratuitamente no Google Play (download para Android) ou na App Store (download para IOS).
      Até mais!

  10. BOM DIA,SOU FUNCIONÁRIO PUBLICO GANHO EM MÉDIA DOIS SALÁRIOS MÍNIMOS,POSSO CONTRIBUIR A PARTE COMO AUTÔNOMO PARA AGREGAR VALOR NA APOSENTADORIA?

    1. José, boa tarde!
      Com as novas regras para aposentadoria, sugerimos você procurar um advogado especialista nesta área, pois ele poderá fazer os cálculos e lhe indicar a melhor opção. Devido as mudanças, em algumas situações como por exemplo, o prazo de contribuição, poderá não compensar. Talvez o caminho possa ser uma previdência privada. Até mais!

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