Impacto econômico das epidemias mundiais

  • 10/03/2020
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Impacto econômico das epidemias mundiais

Considerando desde o início dos anos 2000, algumas epidemias mundiais causaram impactos significativos na vida das pessoas e também na economia.

O novo vírus da família Coronavírus, que começou a circular na China no final de 2019 e foi batizado recentemente de COVID-19, está causando fortes impactos econômicos, principalmente depois que começou a se espalhar para outros países. As bolsas mundiais estão caindo e os investidores parecem estar vivendo uma crise sem precedentes.

Além do Coronavírus, outro fator que influenciou fortemente a queda das bolsas mundiais foi a guerra do petróleo. No dia 09 de março de 2020, o Ibovespa fechou em queda de 12,17%, chegando aos 86.067 pontos. Esse foi o pior pregão da bolsa desde setembro de 1998, quando o índice recuou 15,82%.

A principal preocupação econômica em relação ao novo Coronavírus é a velocidade de transmissão e o amplo alcance geográfico do vírus. Além disso, as medidas de combate têm gerado preocupação em relação ao impacto que isso vai ter no crescimento da economia mundial, considerando que as medidas normalmente envolvem isolamento de pessoas, regiões ou cidades inteiras e fechamento de negócios e empresas.

Porém, a doença não é tão mortal quando comparada a outros vírus, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em 2003, o H1N1 em 2009 e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), em 2012. Enquanto o COVID-19 registra a taxa geral de mortalidade de 2,3%, o risco de morte no caso da SARS era de quase 10%, da H1N1 de cerca de 35% e da MERS alternava entre 20% e 40%, dependendo da localidade.

Conheça algumas epidemias mundiais, como a SARS em 2002, a H1N1 em 2009, o EBOLA em 2013 e a MERS em 2015 e como elas afetaram a população mundial.

SARS – Severe Acute Respiratory Syndrome

A SARS, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave, é considerada a primeira doença transmissível grave do século XXI. A doença foi causada pelo Coronavírus SARS e se disseminou rapidamente para países na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia.

O surto foi detectado pela primeira vez no final de 2002 na China, e entre 2002 e 2003 foram registrados mais de 8 mil casos e cerca de 800 mortes no mundo todo. Desde 2004, nenhum caso de SARS foi relatado mundialmente.

H1N1

A pandemia mundial de influenza pelo vírus H1N1, inicialmente conhecida como gripe suína, teve os primeiros casos registrados no México em março de 2009 e vitimou cerca de 18,5 mil pessoas.

A doença foi causada por uma cepa do vírus H1N1 da influenza A, que é geneticamente uma combinação dos vírus da influenza suína, aviária e humana.

No Brasil, foram registradas 2.060 mortes em 2009 por causa da doença, quando a vacina ainda estava em desenvolvimento.

EBOLA

O surto de Ebola iniciou no final de 2013 na República de Guiné e se espalhou rapidamente para os países vizinhos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foi a maior epidemia de febre hemorrágica em termos de pessoas afetadas, números de mortos e extensão geográfica.

Até fevereiro de 2015, a doença tinha infectado mais de 23 mil pacientes, resultando em cerca de 9 mil mortes.

MERS

A Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) é uma doença respiratória aguda grave causada pelo Coronavírus MERS (MERS-CoV).

A MERS-CoV foi identificada pela primeira vez em 2012, na Arábia Saudita. Em 2015, houve o registro do primeiro caso da doença na Coreia do Sul e posteriormente em países do Oriente Médio, na Europa e na África. De 2015 a 2019, quase 900 pessoas morreram em decorrência do vírus em diversos países.

CORONAVÍRUS – COVID-19

Os primeiros casos do COVID-19 foram descobertos em 31/12/2019 na China. No início de janeiro, foi descoberto que se tratava de um novo tipo de vírus, da família Coronavírus. Esse grupo inclui vários tipos de vírus já existentes no Brasil, responsáveis pelos resfriados comuns, mas também incluem vírus como o SARS e MERS.

A epidemia foi declarada pela OMS como “Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional”. É possível acompanhar a propagação do vírus pelo mundo através deste link.

As consequências econômicas do novo Coronavírus ainda não são totalmente conhecidas. Porém, as epidemias de SARS e MERS tiveram impacto negativo nas bolsas mundiais durante os períodos de surtos das doenças. Confira como o Ibovespa, Dow Jones, S&P 500 e Ouro Futuro reagiram a essas epidemias:

Gráfico - Impacto das epidemias no Ibovespa
Gráfico - Impacto das epidemias no S&P500
Gráfico - Impacto das epidemias no Dow Jones
Gráfico - Impacto das epidemias no Ouro futuro

Antes do COVID-19, cujas consequências ainda não são totalmente conhecidas, a epidemia que teve o maior impacto negativo nas bolsas mundiais durante o século XXI foi a SARS, em 2002. Os índices americanos S&P 500, que inclui as cotações das 500 empresas de maior valor na bolsa americana e o Dow Jones, que avalia as 30 maiores ações industriais dos EUA tiveram quedas de aproximadamente 26% e 23% respectivamente. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice brasileiro, acumulou quedas de quase 15%.

As epidemias de H1N1 em 2009 e Ebola em 2014, apesar de terem feito um alto número de vítimas fatais, não tiveram um impacto muito significativo nas bolsas mundiais e não registraram quedas no período.

Durante o surto de MERS em 2015, os índices S&P 500 e Dow Jones tiveram quedas de aproximadamente 9%. O Ouro Futuro caiu 7,45%. Enquanto isso, no Brasil, o Ibovespa chegou a recuar 14,60%, entretanto, nessa época vivíamos toda instabilidade do processo de Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Nesses períodos de incerteza, muitas vezes os investidores acabam “fugindo” para aplicações consideradas seguras, como o ouro. Durante o surto de SARS, em 2002, enquanto as bolsas mundiais caíam significativamente, o ouro teve uma valorização de 11% no mesmo período, tornando-se uma excelente ferramenta para reduzir a volatilidade de uma carteira.

Saiba mais: A importância de investir em ouro – como se proteger das crises internacionais?

Conclusão

A epidemia de SARS foi a que teve maior impacto negativo nas bolsas mundiais. O índice americano S&P 500 teve queda de aproximadamente 26% e o Dow Jones de quase 23%. Aqui no Brasil, o Ibovespa acumulou queda de 15% no período.

Apesar de terem feito um alto número de vítimas, as epidemias de H1N1 e Ebola não tiveram um impacto significativo nas bolsas mundiais.

Quedas de aproximadamente 9% foram registradas nos índices S&P 500 e Dow Jones durante o surto de MERS. No Brasil, o Ibovespa recuou 14,60% no período, mas o principal motivo foi o processo de Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O surto do novo Coronavírus, que iniciou na China e está se espalhando mundialmente, ainda não deu uma dimensão dos impactos econômicos. Ainda não é possível saber quais serão as consequências da doença no mundo. Porém, ao que tudo indica, não será muito diferente do que aconteceu nas outras epidemias. Haverá um impacto significativo, mas tudo seguirá normalmente após isso.

Além do novo Coronavírus, a guerra do petróleo também influenciou fortemente a queda das bolsas mundiais no período, fazendo com o que o Ibovespa tivesse queda de mais de 12% em apenas um dia.

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