Pedro Barbosa, Sócio da STK Capital: a crise não resiste a um bom trabalho

  • 28/10/2015
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Pedro Barbosa, Sócio da STK Capital: a crise não resiste a um bom trabalho

Os últimos tempos tem sido muito difícil para os gestores de investimentos, especialmente em relação as estratégias com ações. Apesar do cenário macroeconômico ruim, a STK Capital tem surfado esse momento como poucos – o que vem sendo demostrado no desempenho dos fundos da casa. Pedro Barbosa, sócio da STK Capital vai nos falar um pouco sobre o momento atual do mercado e as perspectivas para o futuro. Confira:

 

PAR MAIS: Há tempos o mercado de ações vem sofrendo forte volatilidade. Como, em meio a esse cenário, o gestor deve agir para evitar a paralisia e identificar boas estratégias?

PEDRO BARBOSA: A resposta é focar no longo prazo.  A bolsa de valores é o único mercado que quando entra em promoção os clientes saem correndo da loja.  É preciso pensar que o mundo não vai acabar, selecionar as empresas que conseguirão sobreviver a fase difícil e que sairão mais fortes depois da crise.  Em geral, o mercado precifica bem a falta de visibilidade e joga o preço das companhias para baixo como se a crise fosse permanente.  É como a projeção fosse em linha reta.  Em tempos bons, é como o futuro fosse sempre positivo e, em contra partida, em tempos ruins é como o futuro fosse sempre tenebroso.  O fato é que existe um ciclo econômico e os agentes tem dificuldade de olhar através do ciclo.  A capacidade de geração de caixa, boa gestão e alinhamento com os investidores são características chaves para STK.  Esses são os atributos que nós buscamos.

Nós temos uma enorme preocupação em proteger o capital, e não expor os investidores à riscos desnecessários.  Por isso, nesses momentos elevamos a barra de qualidade e mantemos a carteira defensiva até ganhar maior visibilidade, mas sem deixar de fazer o nosso trabalho que é escolher empresas promissoras.  O nosso trabalho é olhar em detalhes os números financeiros, conversar com os gestores, e projetar a geração de caixa e vendas.  Quando encontramos algo que é realmente irresistível, compramos e colocamos na carteira.  Tem algumas situações que, como diz o ditado, “é impossível se afogar numa piscina vazia”.

 

PAR MAIS: Com a alta recente do dólar muito tem se falado que as ações brasileiras estão ficando baratas para o investidor estrangeiro. Você concorda com a afirmação?

PEDRO BARBOSA: Sim, mas o grau de sensibilidade ao dólar depende muito da empresa.  Por exemplo, uma empresa de serviços 100% no Brasil, também teve a sua capacidade de gerar caixa no futuro impactada pelo o câmbio mais desvalorizado.  Essa empresa tem que valer menos, mesmo em Dólares.  No mundo real as empresas são uma combinação disso, algumas tem insumos em Dólar, mão-de-obra em Real, exporta para o exterior, etc.  Tem uma parte da receita que é serviço e outra parte é “tradeable”, outras tem dívida em Dólar, ou mesmo podem ter caixa ou receitas futuras em Dólar.    Ou seja, isso é o nosso trabalho:  estudar os balanços e fazer todas essas contas, para entender qual empresa está barata e qual está cara.

 

PAR MAIS: Algum evento específico poderia gerar algum forte movimento na bolsa (para cima ou para baixo)?

PEDRO BARBOSA: Desde do ano passado eventos macroeconômicos e políticos estão dominando o cenário.  Ano passado foram as eleições no Brasil e esse ano a crise de governabilidade do governo Dilma.  Um eventual “impeachment” poderá ser um catalizador de uma alta mais forte da bolsa, assim como uma guinada para o populismo do governo Dilma, com a queda do ministro Joaquim Levy, pode ser um catalizador para preços significativamente mais baixos.

 

PAR MAIS: A mudança recente da legislação brasileira tornou mais acessível aos brasileiros investir em ativos no exterior. Mesmo com a alta recente do dólar este tipo de investimento continua sendo atraente?

PEDRO BARBOSA: Sim, porque (todas) as melhores empresas do mundo não estão no Brasil.  É uma oportunidade para investir em empresas com alto crescimento, em setores que não existem no Brasil, como alta tecnologia por exemplo.  A oportunidade de diversificar internacionalmente faz o investidor ficar menos dependente do Brasil e do cenário macroeconômico e político doméstico.  O investidor fica menos exposto à gestão e ao risco PT.  Outra forma de pensar, é que a cesta de consumo do brasileiro tem cada vez mais produtos importados:  iPhone, carro, viagem internacional, computador, etc.  Faz sentido deixar uma parte em Dólar, sim.

 

PAR MAIS: O cenário econômico e político interno ou a fraca economia mundial. O que deve ditar os rumos do mercado nos próximos meses?

PEDRO BARBOSA: O cenário Global é o pano de fundo, mas os fundamentos específicos do país podem ser dominantes e fazer o Brasil não participar ou participar parcialmente de uma recuperação.  Os nossos fundamentos são o que definem se seremos um país líder que atrai o capital internacional, ou ficamos para trás como um país pouco atraente.  Existe uma competição pelo o capital internacional entre os países emergentes.  Geralmente, quando os Estados Unidos aumenta juros, o capital sai dos países emergentes e voltam para as econômicas desenvolvidas.  Essa tendência pode ser totalmente neutralizada pelos fundamentos específicos do país.  Por isso vale à pena estar com o dever de casa feito.  O que não é o caso do Brasil agora.

 

Entrevista realizada com Pedro Barbosa, Sócio da STK Capital – 28.10.2015

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