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  • 09/06/2015

Inflação: o futuro não é surpreendente, apenas previsível

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Inflação

Desemprego e inflação no Brasil crescem lado a lado: uma breve análise sob a ótica da curva de Phillips.

Nas Ciências Econômicas existe uma área de pesquisa denominada de Macroeconomia, responsável por estudar as variáveis agregadas da economia, tais como inflação, crescimento econômico, juros e desemprego. A interação entre essas diversas variáveis e a relação que mantêm entre si é crucial para a determinação das políticas econômicas de um país. Dentre os diversos estudos e conclusões alcançados em quase um século de disciplina, uma ganha destaque pela simplicidade e validação dos seus resultados, mesmo tendo sido originalmente formulada há mais de 50 anos.

A Lei de Phillips é uma homenagem ao pesquisador que primeiro publicou sobre o tema, Alban Phillips. Ela relaciona duas importantes variáveis econômicas: inflação e desemprego. Originalmente formulada em 1958, alguns conceitos foram ajustados ao longo dos anos para se aproximar mais adequadamente aos dados empíricos, mas ainda assim mantendo-se sua essência. A Lei de Phillips estipula que existe uma correlação negativa entre inflação e desemprego em uma economia. Sendo assim, os formadores de política econômica conseguiriam no curto prazo, manter artificialmente níveis baixos de desemprego através de uma elevação na taxa de inflação. Nesse processo, o banco central expande a base monetária, o que consequentemente fomenta a atividade econômica, reduzindo o nível de desemprego.

No entanto, nem tudo é tão simples. O processo funciona razoavelmente bem no curto prazo, porém, à medida que vão ocorrendo as renovações nos contratos de trabalho, a crescente inflação é incorporada nas expectativas salariais. Nesse momento, começa a interromper o fluxo de crescimento de empregos, pois à medida que os salários são reajustados para cima, diminui a oferta de trabalho, logo, no longo prazo esse processo de crescimento da taxa de inflação para diminuir o nível de emprego cessa, voltando novamente ao nível de crescimento e desemprego “natural” da economia, mas agora com uma inflação elevada. Para reverter esse processo, diminuindo a taxa de inflação, o caminho é um tanto indigesto, passando quase que necessariamente por um aumento do nível de desemprego.

 

É nesse contexto que se encontra o Brasil. A inflação anual, que alcançou seu nível mais alto nos últimos 10 anos no começo de 2015, começou a ser contida por um incremento na taxa básica de juros desde o inicio do ano. Como consequência, o nível de desemprego já começa a se elevar, consequência claro da retração econômica, processo esse que só tende a se manter, pelo menos nos próximos meses, enquanto a inflação vem recuando consistentemente.

A taxa de desemprego no Brasil que alcançou um dos menores níveis no fim de 2014, mostrando-se ter sido artificialmente administrado pelo governo federal através da elevação da base monetária do país, agora cobra seu preço.

Embora nem sempre precisa, e levando as peculiaridades intrínsecas a cada economia, a Lei de Phillips fornece um bom arcabouço para analisar o cenário econômico brasileiro no momento. Enquanto o combate à inflação permanecer, e é necessário que permaneça, devemos esperar uma taxa de desemprego ascendente no curto prazo e, criando as condições necessárias para que em um próximo momento, as atribuições todas que cabem ao banco central determinar estejam bem dimensionadas para que o país possa novamente voltar a crescer.

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Inflação: o futuro não é surpreendente, apenas previsível por Guilherme Alano – 09.06.2015

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