O IBOVESPA e os últimos 10 anos

  • 19/10/2017

Desde o impeachment de Dilma Rousseff e da mudança da equipe econômica, a bolsa de valores brasileira vem tendo forte valorização. Nesse período a alta do índice se aproxima dos 100% e, recentemente, foi registrada a quebra do maior valor histórico já atingido pelo IBOVESPA. Isso tem feito com que muitos investidores se perguntem se a bolsa já está valorizada demais ou se ainda existe espaço para mais altas.

A valorização do IBOVESPA depende de vários fatores, mas há algumas coisas bem interessantes sobre o mercado de investimentos e de renda variável que devem ser levados em consideração. Para isso, vamos fazer algumas comparações de como era o mercado a 10 anos atrás, quando o Índice atingia os 73.000 pontos e agora, quando esta marca foi superada.

IBOVESPA – Alocação de fundos de investimento – 2007 x 2017

A indústria de fundos de investimento em 2007 tinha pouco menos de 2 trilhões de reais investidos. Esses recursos eram distribuídos da seguinte forma: 47% em Renda Fixa, 15% em Ações, 24% em Multimercados, 8% em Fundos de Previdência e o restante em outros tipos de ativos.

Hoje em dia essa indústria dobrou de tamanho, tendo quase 4 trilhões de reais sob gestão, no entanto os fundos de Ações NUNCA voltaram ao que eram em 2007.

Há 10 anos atrás haviam 302 bilhões investidos em fundos de ações e hoje são apenas 173 bilhões, uma queda de 43% no período, fazendo com que os fundos de ações representem hoje apenas 4% do total investido em fundos.

grafico açoes

IBOVESPA – Alocação de fundos de pensão – 2007 x 2017

A situação com os Fundos de Pensão é semelhante. Em 2007 os recursos dos fundos eram distribuídos da seguinte forma: 57% em Renda Fixa, 37% em Ações, 3% em Imóveis e o restante em outros ativos. Hoje o investimento em Ações representa apenas 17% da carteira das Fundações, não tendo voltado ainda ao total que era investido em 2007 apesar do crescimento de 77% do patrimônio destes fundos no período.

grafico fundos de pensao

Liquidez do mercado e queda dos juros

Em outubro haverá o vencimento de mais de 78 bilhões de reais aplicados em LTNs (Letras do Tesouro Nacional) e em abril de 2018 há um novo vencimento de mais de 90 bilhões. Tendo em vista a expectativa da queda de juros para patamares em torno de 7%, a renovação desses títulos não trará remunerações tão atrativas quanto os que estão vencendo, o que pode fazer com que os investidores busquem novas opções de investimento.

Conclusão

Apesar das altas recentes, os números mostram que o investimento em renda variável ainda está muito abaixo do que era a 10 anos atrás, época em que o Ibovespa apresentava a mesma pontuação atual. Isto quer dizer que, caso voltasse o mesmo percentual de 2007, o mercado de renda variável seria de aproximadamente 700 bilhões de reais.

E a motivação para que este capital de fato volte a ser investido em ações pode vir da combinação da queda da taxa de juros, do aumento da confiança no crescimento econômico e da maior confiança de vários investidores institucionais que ainda não retornaram aos níveis de 10 anos atrás.

Com a queda na taxa de juros a tendência é que estes investidores busquem mais esse tipo de investimento e atualmente há espaço para que eles aumentem suas alocações. Estes são investidores de peso, tendo um patrimônio relevante, portanto esse movimento de volta pode fazer com que o Ibovespa se valorize ainda mais.

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