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  • 04/02/2019

Giro Financeiro – DC: vieses perigosos

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O blog da Comissão de Valores Imobiliários (CVM) descreve com muita propriedade diversos vieses comportamentais, alguns já citados anteriormente. Nesse artigo, trago aqueles que, a meu ver, são os mais perigosos: aversão à perda, confirmação e autoconfiança excessiva. Vale lembrar que vieses nada mais são do que erros sistemáticos de julgamento e análise, ou seja, nosso cérebro cria atalhos de julgamento para simplificar uma tomada de decisão. Quando sucumbimos a eles na hora de decidir sobre um investimento, geralmente perdemos dinheiro.

Como sabemos, a dor da perda é imensamente mais intensa do que a alegria do ganho. O viés de aversão à perda leva um investidor ficar com papéis que claramente não terão ganhos futuros. O medo de concretizar a perda é maior do que sentir a dor da escolha equivocada. O mesmo viés que faz com que investidores abram mão de investimentos promissores pelo receio de perder o que já ganhavam. Para superá-lo, a informação é a melhor barreira.

Nossa mente busca economizar energia, então, se nos defrontamos com informações discrepantes das nossas crenças, tendemos a ignorar. Nem dedicamos um tempo para analisá-las. O novo ou uma perda passada assusta. O viés da confirmação explica por que tantos investidores, mesmo tendo outras opções mais vantajosas, se mantêm nas mesmas instituições financeiras e com os mesmos assessores. Explica também a aversão a uma modalidade de investimento que, no passado, o investidor obteve perda e, hoje, seria uma boa opção de ganho. É na pesquisa, comparação e no diálogo que está o antídoto para esse viés.

A autoconfiança excessiva é um viés que faz as pessoas acreditarem que estavam absolutamente certas. Logo, se ocorrer algum fator negativo, é porque foi causado por fatores externos, incontroláveis. Os que sofrem desse viés têm a forte convicção que sabem o necessário, não precisando de ajuda para nada. Para combater esse viés, é necessário analisar friamente como anda a autoconfiança, a confiabilidade das fontes e os custos dos investimentos, pois os que sofrem desse mal tendem a negociar com maior frequência do que o normal.

Isso tudo ocorre, e já foi amplamente comprovado cientificamente que detestamos perdas, não gostamos de reconhecer que erramos, que somos seres limitados e “egoístas” (ainda bem que foi com ele…), e ainda que não gostamos nem um pouco de pensar e tomar decisões reflexivas. Em contraponto, amamos desconsiderar as consequências das nossas decisões, preferimos continuar acreditando que sempre ganharemos.

Por tudo isso, é fundamental termos consciência que tendemos a ser dominados por esses vieses e ficarmos vigilantes, para que sempre que tomarmos decisões em nossas vidas e em nossos investimentos, refletirmos se estamos usando a razão ou a emoção, que sempre estará acompanhada de um viés comportamental.

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