• 03/12/2018

Giro Financeiro – DC: do Estado para o particular

Nos anos 1990, ter uma linha telefônica era sinal de riqueza. O valor da linha era proporcional à demanda por ela e era necessário aguardar, às vezes, por anos para se comprar uma. Era um bem tão procurado, que a linha telefônica era incorporada no patrimônio do indivíduo, declarado no imposto de renda, se comparando com imóveis e automóveis. Para se ter uma ideia da tamanha carência de linhas, basta lembrar que muita gente vivia (bem) só da renda de alugueis de linhas telefônicas.

E o que mudou para que hoje praticamente todos tenham acesso a uma linha telefônica? Ficamos ricos? Não! Foi só o Estado brasileiro privatizar o Sistema Telebras e deixar na mão da iniciativa privada. Graças à livre concorrência, o sistema telefônico se modernizou e se tornou acessível.

Agora, depois de quase duas décadas, um novo programa de privatizações voltou a ser montado. Vale lembrar que no governo Fernando Henrique Cardoso mais de 80 empresas foram privatizadas. Quem tem mais de 30 anos se lembra da privatização da Vale do Rio Doce. Foi um tumulto enorme, gerou muita polêmica, mas, hoje, a Vale é um sucesso, emprega mais de 73 mil pessoas e gera bilhões de reais em impostos.

Sou extremamente favorável à diminuição do Estado na economia. O Estado deve proteger as liberdades civis, segurança, paz e justiça. Deve também promover a saúde e a educação como direito social de cidadania. Deve ter excelência nessas áreas. Não deve perder tempo, foco e recursos dos nossos impostos em mais de uma centena de estatais. Uma porta aberta, ou melhor, escancarada, para distorções salariais e administrativas, barganhas e troca de favores, cabides de empregos e corrupção. Claro que temos empresas de grande capital econômico e humano, mas sabemos que o Estado não é um bom gestor e elas são exceção.

Por meio da recém-criada Secretaria-Geral de Desestatização e Desmobilização, do futuro Ministério da Economia, do governo Bolsonaro, pretende-se colocar em prática uma revolução nesta área, e uma extensa lista de empresas estão na mira da privatização. Ao que tudo indica, as estatais deficitárias, que exigem mais subsídios do Tesouro Nacional, serão prioridade. E o que se comenta também é que empresas como a Eletrobras, Serpro, Correios e Dataprev estão no topo da lista para serem privatizadas. Quanto à Petrobras muito se comenta, mas a grande aposta é que as áreas de prospecção e de inteligência da empresa não serão privatizadas. Intocáveis são mesmo somente a Caixa, Banco do Brasil e Furnas, segundo fontes do governo de transição.

Que bom que vamos parar com esse egocentrismo nacional. Basta olharmos para o mundo e vermos que países desenvolvidos como a Suíça têm pouquíssimas estatais e a potência da América possui menos de 20. Vamos acreditar em um novo Estado que realmente cumpra o seu papel com os cidadãos brasileiros.

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