Criando Ecossistemas Digitais com o CEO de um unicórnio

  • 19/08/2021
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Na edição do ParMais apresenta da última terça-feira, dia 17/08, nossa CEO Annalisa Blando conversou com Roberto Dagnoni, CEO do Grupo 2TM – um dos maiores unicórnios do Brasil, com empresas como Mercado Bitcoin e a própria ParMais, que uniu forças com o grupo recentemente.

Veja os principais pontos da conversa:

Quem é Roberto Dagnoni

Roberto Dagnoni iniciou sua carreira na área de consultoria e foi sócio da unidade de Outsourcing da Deloitte. Foi CFO em algumas empresas até chegar na CETIP, onde teve seu último cargo como executivo e coordenou o processo de fusão da BMF Bovespa, que originou a B3. Após essa fusão, Dagnoni se desligou da empresa e começou a fazer investimentos em startups, mais focado em fintechs.

Entre essas startups está o Mercado Bitcoin, onde se juntou com o grupo de funders e iniciaram a jornada da criação da holding da 2TM e estão expandindo a atuação em vários ramos de infraestrutura do mercado financeiro com várias iniciativas, entre elas, trazendo a ParMais como gestora de tradicionais em uma das adições mais recentes ao ecossistema que estão montando.

Como o Grupo 2TM e a ParMais se conheceram?

A CETIP era patrocinadora do evento Vertical Fintech da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia) e a ParMais, que tinha uma consultoria tradicional, precisava aprender como inovar essa consultoria, transformando o planejamento financeiro pessoal em sistemas ou plataformas. Dessa forma, a ParMais se tornou um case da Vertical Fintech, conheceu o Roberto Dagnoni e a turma da CETIP e hoje a empresa faz parte do Grupo 2TM.

Como desenvolver ecossistemas digitais fortes de empresas nos momentos atuais?
Para Dagnoni, vivemos um momento único de transformação do mercado financeiro.

“Esse momento de fintech iniciou em 2015, veio se intensificando e continua muito forte. É um incrível para a criação desse ecossistema, pois além do fluxo de venture capital – ou capital de risco – temos uma concentração bancária e de infraestrutura bastante relevante e muitos nichos a serem melhorados em termos de serviços, transparência, qualidade e agilidade. Acredito que há bastante espaço para evolução em todo o ecossistema de fintechs”, afirma Dagnoni.

Quais as principais lições aprendidas sobre empreendedorismo ao longo do período de pandemia? Como fazer empresas crescerem em um cenário tão adverso?

Segundo Dagnoni, tirando o lado difícil e triste de lidar com as perdas, a transformação digital foi muito acelerada.

“Muitos clientes que não eram nativos digitais tiveram que se adaptar aos aplicativos on-line, o que mudou muito a dinâmica e vários negócios foram acelerados”.

Em termos de desenvolvimento do negócio, Dagnoni cita que o Grupo 2TM estabeleceu o modelo “work from anywhere”, tendo agora funcionários em todo o Brasil e até mesmo fora do país.

Qual o segredo por trás da criação de um unicórnio?

No ramo de startups, é comum chamar as empresas que ultrapassem 1 bilhão de dólares de valor de mercado de unicórnios. Atualmente, muito por conta do Mercado Bitcoin, a 2TM está com o valor de mercado de 2,2 bilhões de dólares.

Para Dagnoni, o segredo está em fazer investimentos em momentos de baixa e estar preparado para o momento de crescimento do mercado. Essa foi a estratégia desde 2018, aproveitando o grande crescimento do mercado e acreditando muito no potencial do blockchain.

“O Blockchain vai ser a nova internet do dinheiro, a nova infraestrutura do dinheiro. Imagine que é uma rede descentralizada, global de processamento, e foi o que o bitcoin conseguiu fazer em uma operação 24/7 com liquidação em D+0, ou seja, é um mundo novo, cheio de possibilidades.”

Que lições ambos tiram do Vale do Silício para construir empresas escaláveis?

O Vale do Silício é conhecido mundialmente por abrigar muitas empresas globais de tecnologias e startups, entre elas a Apple, Facebook e Google.

Para Annalisa, o aprendizado foi enorme e as teorias ajudaram bastante para o avanço da empresa.
Para Dagnoni, o que mais chamou atenção foi a qualidade em termos de produto e os testes massivos que são realizados, além da cultura, história e marcos das empresas.

Agora que o Grupo 2TM é um dos maiores unicórnios da América Latina, o que muda?

“A ambição continua muito grande e aumenta a nossa capacidade de entrega. Com uma captação tão relevante, temos mais recursos, mais visibilidade, mais responsabilidade com essa jornada à frente. Acho que os horizontes se ampliam, então temos no nosso planejamento expansão para América Latina.

Acho que ter esse “carimbo”, esse reconhecimento, muda muito a capacidade, a visibilidade, para atração de novos talentos – e talento é o ponto chave. Ter atingido esse marco nos ajuda a trazer mais gente boa para atingir as metas que temos. Estamos muito animados e focados nos desafios”, declara o CEO da 2TM.

Como o aporte da Softbank será utilizado? Quais os projetos?

Dagnoni afirma que o primeiro ponto é o crescimento do time e aumento de oferta de produtos e serviços para a base de clientes.

“Inclusive a aquisição da ParMais é uma dessas etapas, para termos produtos tradicionais e uma gestão qualificada para os nossos clientes. Além disso, existem outros serviços para serem agregados. A plataforma tecnológica é toda proprietária e o desenvolvimento contínuo dessa plataforma é outro pilar, além da expansão internacional.”

Como você enxerga o futuro da economia mundial com a ampliação cada vez maior do uso de criptoativos?

“A frase: “é uma realidade que veio para ficar” resume tudo. Temos o IPO recente da Coinbase, a maior corretora americana, saindo com um valor de mercado superior a NYSE e a Nasdaq, e isso pegou todo mundo de surpresa, principalmente para quem não estava acreditando que uma corretora de moedas pudesse valer mais que uma das bolsas americanas. Esse case mostra na prática todo o potencial para que a gente não tenha que ficar convencendo quem não quer ser convencido.

Neste sentido, estamos muito animados, pois isso vai revolucionar, de fato, o mundo financeiro”, declara Dagnoni.

Qual o perfil do investidor brasileiro e qual o papel que um criptoativo deve ocupar na carteira de investimentos de um cliente de alta renda?

Segundo Dagnoni, o Brasil está passando por um momento que nunca tinha tido antes, com a Selic Baixa – agora subindo, mas passou por um período de juros negativos, com a inflação muito superior à taxa básica – e houve uma corrida por ativos alternativos e as criptomoedas são uma dessas categorias, mas todas as pessoas devem se educar antes de investir.

“A nossa recomendação segue a mesma linha da ParMais. Para as pessoas físicas, que não são investidores qualificados, elas devem ter uma baixa exposição a essa classe de ativos, mas que comecem a aprender e estudar sobre o assunto. Hoje temos simuladores para acompanhar e aprender.

Inclusive a ParMais tem bastante conteúdo de educação financeira, além da BIO Financeira, que avalia a situação patrimonial e familiar de cada pessoa e ajuda a responder essa pergunta, pois para saber quanto ter de cada ativo, depende de cada pessoa e só fazendo a BIO para saber o nível de risco que você está exposto e o seu perfil.

Acredito que os criptoativos estão qualificados dentro dos alternativos, e como qualquer outro ativo, a recomendação é que você estude, aprenda e faça a BIO Financeira para saber a resposta.”

Existem ofertas para investir em criptoativos que oferecem garantia de rentabilidade de 10% ao mês. Como proteger as pessoas?

Nós não acreditamos em nenhuma promessa de rentabilidade. Cada corretora de cripto tem seu livro de precificação, onde podem ocorrer diferenças de preços entre uma corretora e outra, mas a garantia de rentabilidade não existe em nenhuma classe de ativos global e não é diferente em cripto.

“Nossa recomendação é que você não participe de nada que prometa rentabilidade garantida”, destaca Dagnoni.

O que vocês enxergaram na ParMais para integrar esse ecossistema

Principalmente a forma como a ParMais trata os clientes, coisa que não vimos em nenhuma outra gestora, tanto foco nos clientes, tanta transparência e principalmente a busca por essa visão holística do patrimônio do cliente. “A ParMais faz um esforço genuíno para educar o cliente para a melhor composição e alocação para o perfil dele”.

A união com a ParMais é perfeita para trazer para os nossos clientes esse apoio na educação financeira. A ideia é dar escala e tecnologia para a ParMais para que as soluções criadas até agora sejam entregues para milhares de clientes.

Já estão disponíveis ativos aos clientes ParMais? Quais?

A ParMais é uma gestora regulada pela CVM e entende que os criptoativos são uma classe de ativos, assim como os imóveis, reflorestamento, objetos de arte, entre outros, que compõem o patrimônio.

Quando os clientes têm interesse em criptoativos, encaminhamos para o Mercado Bitcoin em um primeiro momento, mas os planos, tão logo a CVM permita, é ter os próprios fundos de criptoativos, sempre pensando na gestão ativa e nos percentuais adequados para cada carteira, considerando a volatilidade. “Estamos muito empolgados para estar nesse mundo de inovação e nessa nova classe de ativos que oferece tantas vantagens”, afirma Annalisa.

Segundo Dagnoni, para os clientes de criptomoedas que têm interesse em investimentos tradicionais agora a indicação é pela ParMais e vice e versa. “A ParMais consegue orientar os clientes que têm interesse na compra de cripto. A integração das plataformas leva um tempo, mas o mais importante é que já temos essa oferta e essa integração total deve vir com o tempo”.

Por que nós temos a impressão de que este investimento em criptomoedas exige capital alto e é interessante para quem não tem lastro financeiro?

Segundo Annalisa, o primeiro passo é ter uma reserva de segurança, pois eventualidades acontecem e a reserva oferece conforto e tranquilidade para todo mundo. “Na nossa visão, é preciso ter lastro financeiro, pois não é recomendável colocar todo o dinheiro em criptoativos”, comenta Annalisa.

Para Dagnoni, o valor elevado das moedas leva a essa impressão de que o investimento exige capital alto, mas é possível realizar a compra fracionada, ou seja, a partir de R$50 é possível realizar a compra desse valor de uma fração dessas moedas.

Qual foi a maior dificuldade imposta pela pandemia e como isso foi contornado?

Dagnoni destaca que o maior desafio foi aprender a recrutar pessoas de forma on-line, ou seja, entrevistar pessoas sem estar com elas ao vivo e o segundo maior desafio foi realizar aquisições de forma on-line, como a negociação da ParMais, por exemplo.

Referente ao maior roubo de Bitcoin feito por hackers recentemente, como o mercado Bitcoin se protege desses ataques?

“Esse roubo recente foi em uma rede descentralizada, que é um modelo bastante diferente de uma exchange centralizada, inclusive nós temos um sistema de custódia que nunca foi alvo de hackeamento”, afirma Dagnoni.

As corretoras digitais poderão tomar o espaço das corretoras tradicionais?

A corretora tradicional tem um modelo de gestão, de agente autônomo de distribuição e acho que neste caso temos que pensar em produto e distribuição.

“Acredito em novos produtos que vêm para um modelo de corretora digital, ou seja, a mudança não está no modelo de distribuição, mas sim em novos produtos e ativos que podem substituir ativos antigos e vai depender se as corretoras tradicionais vão se adaptar e ter esses ativos novos ou se essas novas classes vão ficar somente nas corretoras digitais. Em resumo, é um mercado em transformação,” finaliza Dagnoni.

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