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  • 12/08/2019

CORREIO DA BAHIA – Quatro em cada dez pessoas estão com o nome negativado por conta do crediário

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Muitas vezes ele parece inofensivo, principalmente quando o parcelamento é tão extenso que se perde de vista. Mas cuidado: de inocente o crediário não tem nada.  Uma pesquisa recentemente divulgada pelo SPC aponta que, no Brasil, quatro em cada dez pessoas foram negativadas por causa de parcelas não pagas do crediário. 

A favor desse grupo está o fato de que é mesmo difícil de resistir ao assédio de vendedores que nos seguem peas lojas prometendo altos descontos e longos prazos de pagamento logo na primeira compra. Quem nunca? É é aí que mora o perigo descrito na pesquisa do SPC.   

Especialistas em finanças pessoais listaram cinco armadilhas que podem transformar o crediário de pequenas e suaves parcelas em um problema no orçamento.

Entre os riscos apontados estão o custo efetivo da dívida, os longos prazos de parcelamento e a utilização de várias modalidades de crédito ao mesmo tempo. 

“Quantos crediários eu tenho? Quantas prestações pendentes para pagar?”, questiona  o educador financeiro do SPC Brasil e do Portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli. Ele mesmo responde: “Muitas pessoas não consideram isso como dívida e só entendem (a situação) quando o crédito está negativado”. 

Consumo

Outro dado que chama atenção é que roupas, calçados e acessórios são os bens mais adquiridos no crediário. Em média, consumidores dividem as compras em seis parcelas. Atualmente, os entrevistados para a pesquisa possuem, em média, crediário aberto em duas lojas, sendo que 40% foram convencidos  após receber ofertas. 

“É um crédito rápido, prático e olho no olho. A dica é controle. Claro que a gente quer que as pessoas consumam, mas não dá para se endividar por conta de uma roupa ou um tênis a mais. É preciso saber usá-lo”, acrescenta o especialista. 

AS CINCO PRINCIPAIS ARMADILHAS DO CREDIÁRIO

1. Crédito fácil

Entrar na loja, ver, querer comprar, aproveitar o crediário. A modalidade não exige muita burocracia, a consulta do CPF é feita em minutos e de lá o consumidor sai com um cartão e uma sacola de compras. Segundo o cofundador do BEM Financeiro, Adenias Gonçalves Filho,  o consumidor conclui negócios sem sequer saber o valor dos juros que está se comprometendo a pagar. Todo crédito fácil, geralmente custa caro. “Cuidado com as armadilhas que essa forma de pagamento traz nas entrelinhas. Analise minuciosamente cada detalhe das opções de compra e especialmente os termos do contrato que está aceitando”, diz. Antes de fazer uma compra a prazo, o consumidor deve comparar o preço do produto não só à vista, mas também à prazo. “Ao ter consciência do valor acumulado nas compras parceladas a pagar dentro de cada mês e associadas aos demais compromissos correntes, certamente, você pensará por mais de uma vez, antes de fazer uma nova compra parcelada”, aconselha Gonçalves.  

2. Prazos longos

Era uma vez uma parcela pequena que se tornou uma dívida gigante. Muita gente já deve ter tomado esse susto quando atrasou alguma fatura do crediário. Isto porque ao parcelar em inúmeras vezes fica aquela sensação de que vai caber. Mas na hora que o salário bate, não dá. O conselho do diretor de produto e tecnologia do Guiabolso, Julio Duram, é prestar atenção no preço final da compra parcelada. “É como se você ganhasse um bolo com fatias a menos por causa dessa compra dividida em parcelas. O cuidado precisa ser com o total da renda consumido com essa parcela”, afirma. O número de parcelas, o preço baixo de cada uma delas e a possibilidade de retirada imediata do produto parece uma maravilha, mas nem sempre é. “O canto da sereia é se iludir com a possibilidade de pagar um pouquinho por mês, um valor que é menor do que o de um cafezinho por dia. É bom lembrar que com o acúmulo de gasto pequeno em gasto pequeno o volume de despesas pode superar facilmente o  rendimento total no mês”, acrescente Duram.  

3. Custo efetivo

A parcela pequena diluída em várias vezes pode até causar aquela falsa sensação de que se está pagando pouco. Mas o risco de pagar além do que devia mora logo ali no custo efetivo total desta dívida. Segundo a educadora financeira da Dsop, Cintia Senna, a orientação é observar  se há alguma exigência de seguros e cobrança de taxas de abertura do crediário. “Questione, pergunte, compare. Verifique em reais o quanto está pagando de juros”, orienta. Antes mesmo de aceitar a adesão ao crediário, vale analisar se há mesmo necessidade de contratá-lo. “Não compare só o valor da parcela, mas o valor total deste gasto e analise se ele realmente cabe no seu bolso”. O custo efetivo total, geralmente, leva em conta não só as taxas de juros ou cobrança de multas por atraso, mas também as taxas de administrativas pela oferta daquele crediário e também os custos de anuidade do cartão. “Em torno de 30% do nosso consumo pode ser reduzido e direcionado para nossos desejos. O crediário não é a  única alternativa de pagamento”, pontua.  

4. Uso de várias modalidades de crédito ao mesmo tempo 

Vários cartões de crédito, várias faturas a pagar. E várias parcelas destes inúmeros cartões, então, não vão passar despercebidos na hora de fechar a conta. “Se não tiver um orçamento familiar planejado, as pequenas parcelas do crediário poderão estourar o seu controle financeiro. É preciso estabelecer um limite, se não o consumidor realmente fica refém destas dívidas”, afirmar o educador financeiro Edval Landulfo. E se a tentação a uma promoção ou liquidação for muito grande e difícil de resistir, deixe os cartões em casa. Inclusive, o das lojas onde tem crediário. “Costumo dizer que os nossos desejos são ilimitados e a nossa   renda, ao contrário, é limitadíssima. Seja prudente e liste os itens realmente necessários através de uma ordem de prioridades. A pesquisa de preços é essencial. Compre sempre no dinheiro e pechinche por bons descontos”. 

5. Apelo do consumismo  

Ainda que o valor daquela compra total não caiba no bolso, as pessoas acabam achando que parcelando elas podem pagar. Dentre os riscos do consumismo, o principal deles é o endividamento. “Nesse momento, o consumidor esquece que tem outros compromissos e aí ele assume esse compromisso para realizar um desejo de consumo. Normalmente as lojas, para vender mais, abaixam a régua do cartão de crédito e ofertam esse credito numa boa e o consumidor acaba ganhando esse crédito acima do que ele realmente pode pagar”, observa o planejador financeiro da Par Mais, Jailon Giacomelli.  Antes de ceder à tentação – seja por uma blusa nova ou pelo último tênis que tem grande poder de sedução na vitrine da loja -, é necessário  ter muito claro não o que quer ganhar, mas quanto de fato se tem no bolso e até onde se gasta.  “Pondere, avalie como está sua vida financeira. Veja  se você está ali na loja só pelo calor da emoção, deixando a racionalidade de lado. Isso porque é uma tragédia anunciada quando se usa a emoção para lidar com o seu dinheiro”, afirma.

SERASA INDICA PERFIL FINANCEIRO

 O Serasa Consumidor acaba de lançar uma ferramenta gratuita que ajuda o consumidor a avaliar qual o seu perfil financeiro. A Calculadora de Crédito tem como objetivo avaliar como as pessoas estão lidando com sua renda. E não vai dar para omitir – e nem mentir. Isto porque a inteligência artifical aplicada à ferramenta  irá duvidar de suas respostas, indicando que algo deu errado. 

“A calculadora funciona a partir de 16 perguntas simples. Ao final, elas recebem o resultado, que pode ser um de quatro perfis financeiros (organizado, digital, exibido ou deixa a vida me levar). Para cada um deles, há dicas financeiras”, explica a especialista do Serasa Consumidor, Joyce Carla. 

Seja para sair das dívidas, organizar o orçamento ou ter mais cuidado com os gastos, o conhecimento do perfil financeiro é fundamental para qualquer consumidor, como reforça a própria Joyce. “Ao ter esses números, temos como pensar em que estamos gastando mais e onde podemos economizar, ou se é possível fazer uma renda extra, ou ainda negociar empréstimos e dívidas para não ficar pagando juros desnecessariamente”. 

A principal orientação para equilibrar o perfil financeiro com o padrão de vida é conhecer os próprios ganhos e gastos. “Muitas vezes, nós fazemos as contas de cabeça e esses números não fecham na realidade. O caminho para resolver isso é colocar as contas no papel e  acompanhar quanto de fato ganha e quanto de fato se paga em cada uma das contas”, aconselha a especialista.


Confira a matéria na íntegra: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/quatro-em-cada-dez-pessoas-estao-com-o-nome-negativado-por-conta-do-crediario/

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