Carta do gestor: novembro 2020

  • 17/11/2020
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O que o futuro nos reserva?

O ano de 2020 tem sido um ano difícil, o que não é novidade para ninguém. A pandemia não estava nos planos e, apesar de todo mundo ter se acostumado com o tal “novo normal”, ninguém ainda sabe ao certo o que o futuro próximo nos reserva.

Nos mercados, claro, a incerteza sempre se traduz em volatilidade. E tem sido assim desde fevereiro. Depois dos tombos dos primeiros meses e da recuperação dos meses seguintes, os mercados estão um pouco mais calmos – mas ainda muito vulneráveis. Parte disso, por conta das incertezas, mas ainda potencializado pela alta liquidez que intensifica a “dança das cadeiras” a qualquer possibilidade de mudança de cenário.

A segunda onda da Covid-19 na Europa e os números insistentemente ascendentes nos EUA têm sido o grande fator de incerteza. Porém, as medidas de restrição adotadas nessa segunda onda estão sendo mais brandas e com efeitos menores sobre a economia, com os impactos mais concentrados no setor de serviços.

A proximidade de uma vacina, portanto, deve ser o grande impulsionador dos mercados. Apesar de tantas notícias promissoras em relação aos testes, a logística e a dinâmica de vacinação ainda são incertas e não existe muita expectativa em relação a imunização em massa.

Confira a nossa análise semanal do cenário macroeconômico com foco nos investimentos, por Alexandre Amorim, CGA.

A eleição americana também foi outro ponto chave nesse fim de ano. A vitória de Joe Biden já era esperada pelo mercado, mas não era garantida. Também se esperava uma eleição com margens apertadas e possibilidade de contestação. Por enquanto, o cenário que se traça é positivo para o crescimento – Biden eleito com um discurso conciliador e sem maioria no congresso – o que limita os “anseios esquerdistas” do partido democrata e faz com que Biden se aproxime mais de uma posição de centro.

Por fim, temos o Brasil, que teve uma recuperação econômica que não se imaginava nos tempos “tenebrosos” do início da pandemia. Apesar de todos os ruídos, a renda média da população não sofreu alterações significativas – nas classes mais baixas houve aumento – e os empregos foram mantidos. Por outro lado, o problema fiscal se agravou e a cadeia de consumo se alterou de forma considerável.

Enquanto o setor de serviços sofreu expressivamente, alguns setores de varejo receberam uma demanda inesperada e, em alguns casos, com uma oferta debilitada.

O resultado disso pode ser visto atualmente na falta de diversos produtos e na pressão sobre a inflação.

Mas o que esperar daqui para frente?

Apesar de todas as incertezas em relação à dinâmica da COVID, espera-se um desfecho – ou pelo menos uma melhora significativa – em breve. Isso deve ter algum impacto no setor de serviço – afinal de contas, as pessoas estão ansiosas para voltar a vida normal.

A eleição americana também deve ter impactos positivos sobre o mercado, pois aparentemente, Biden terá um governo muito mais previsível e conciliador, o que tira o peso das turbulências sobre o comércio mundial e, consequentemente, sobre o desenvolvimento das economias. Com isso, os países emergentes podem sair ainda mais favorecidos.

O mundo ainda mantém suas taxas de juros baixas, assim como as expectativas sobre a inflação. Além disso, a abundância de dinheiro nos mercados deve permanecer, favorecendo ativos de risco e o crescimento econômico.

Aqui no Brasil, mais uma vez estamos numa encruzilhada. Ainda temos um campo fértil para o crescimento e, na ponta oposta, as decisões cruciais nas mãos dos políticos. Aparentemente e apesar de todos os sinais contraditórios, todos eles sabem – legislativo e executivo – que tudo o que não precisamos é de uma nova crise, seja econômica ou de confiança.

Por fim, ainda temos a vacina e, ao que tudo indica, uma imunização em massa ainda não está no preço dos ativos.

Portanto, como sempre, estamos em frente a uma bela onda que se forma após uma grande tempestade. Para surfá-la, será necessário muito mais do que coragem, precisaremos de responsabilidade.

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