Carta do gestor: junho 2020

  • 16/06/2020
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Depois da tempestade, a bonança?

Não há dúvida que essa pandemia vai gerar uma série de mudanças. Desde pequenos hábitos pessoais com limpeza, como apertos de mão e abraços, até as mudanças nas formas de trabalhar ou fechar negócios a distância. Não é a toa que as palavras mais citadas nos últimos tempos sejam “novo normal”.

Mais do que mudanças, algumas sequelas também ficarão. Houve recordes de destruição de empregos, de quedas na atividade econômica e de quebras de empresas. Consequentemente, perdas generalizadas na geração de riqueza e massa salarial. Isso tudo é muito ruim e os efeitos a longo prazo ainda não podem ser conhecidos.

Por isso também, uma das perguntas que mais se fazia era qual seria (ou será) o formato da retomada. Se seria em forma de “V” (cai e retorna rápido), formato de “L” (cai e retorna devagar) ou em “W” (cai e oscila até retomada). Depois do otimismo visto nas últimas semanas de maio chegou a se falar em forma de “T”, ou seja, um tipo de flash crash que cai rápido e retoma na mesma velocidade.

O fato é que as notícias foram boas nas últimas semanas. Redução drástica dos casos na Europa, estabilização da curva nos EUA, saída gradual do isolamento social e retomada da economia. Até os dados econômicos que, apesar dos números negativos, vieram melhores do que as projeções – e, portanto, acabavam sendo lidos como positivos. Não se pode esquecer também das pesquisas que indicam que uma vacina ou remédio estão muito próximos de serem disponibilizados.

Tudo isso, catalisado pela injeção de dinheiro nas economias (também em volume recorde) promovida por governos e bancos centrais, acabou fazendo o mercado ter um forte impulso a partir da metade de maio.

Poderíamos até citar todos os problemas brasileiros mas, ao menos por enquanto, não estão tendo grandes efeitos no mercado. Talvez o fato que mais tenha mexido com os nervos do mercado tenha sido a tal divulgação da reunião ministerial, que antes da divulgação, a imprensa tratava como um vídeo bomba, mas que depois de liberado, acabou tendo o efeito inverso. O discurso forte, reiterando alguns princípios de campanha, deu ânimo aos mercados – possivelmente por ter afastado de vez (ao menos por enquanto) o receio de mudanças na política econômica e na autonomia de Paulo Guedes.

Confira a nossa análise semanal do cenário macroeconômico com foco nos investimentos, por Alexandre Amorim, CGA.

E quando veremos a retomada da economia?

Essa resposta continua difícil. Considerando as curvas de contágio no hemisfério norte, a crise realmente tem começo meio e fim. Também, o remédio econômico (injeção de dinheiro) vai surtir efeito positivo.

Com isso, pode-se justificar o movimento de otimismo visto nas últimas semanas. Mas muitas questões ainda geram dúvidas – quais empresas terão problemas, quais setores serão mais afetados e qual impacto no longo prazo teremos com todo esse aumento de dívida dos países.

Importante frisar também que esse modelo de taxas de juros baixas – que já era uma realidade no mundo, mas agora veio para ficar no Brasil – vai mudar o perfil dos investidores. A era de ganho fácil com a renda fixa ficou pra traz e isso pode gerar um grande fluxo de dinheiro para a economia real. Seja com investimento direto em empresas, imóveis e empreendimentos, seja através do próprio mercado financeiro com investimento em ativos como ações, debêntures, fundos imobiliários e de crédito.

Como em todas as crises, temos oportunidades. Ainda existe uma grande dose de risco e a volatilidade ficará presente por um bom tempo. Mas não há como fugir – teremos que nos adaptar a esse “novo normal”.

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