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  • 11/07/2019

Carta do gestor: junho/2019

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O Brasil e os brasileiros merecem!

atual situação economica do Brasil

Nos últimos anos, vivemos a maior crise da história econômica brasileira. Perdemos praticamente uma década de crescimento, com o PIB caindo 8% num período de dois anos. O desemprego explodiu, justamente, num momento em que as famílias estavam endividadas após terem sido estimuladas a consumir.

Com a economia encolhendo, a arrecadação caía, mas, mesmo assim, os gastos do governo cresciam. Parte por conta de despesas obrigatórias, parte com subsídios e com a injeção – literalmente – de dinheiro na economia através dos bancos públicos.

Não teve jeito. A conta não fechou e entramos no “cheque especial”. E, como qualquer devedor que está em situação financeira crítica, os juros ficaram altos!

Juro alto é uma das maiores formas de transferir riqueza de poupadores para tomadores! Quem tem dinheiro para investir recebe boas taxas de retorno, enquanto quem tem dívidas paga altas taxas pelo dinheiro captado. E, na prática, isso acaba transferindo renda de pobres para ricos, aumentando a desigualdade.

Depois de bater no fundo do poço, as equipes econômicas comandadas por Henrique Meireles (Ministério da Fazenda) e Ilan Goldfajn (Banco Central) conseguiram trazer a inflação para dentro das metas e reduzir fortemente os juros. Voltou a confiança e, imaginava-se, voltaria também o crescimento. Mas tanto em 2017, 2018 e (provavelmente) em 2019, essas expectativas se frustraram.

Confira a nossa análise semanal do cenário macroeconômico com foco nos investimentos, por Alexandre Amorim, CGA.

Entrou o governo Bolsonaro, mudou a equipe econômica, mas não mudou a forma como a economia vinha sendo conduzida.

Uma das principais diferenças entre o modelo atual e o adotado no início dessa década, era a mão forte do estado na economia. Quem não lembra do PAC (programa de aceleração do crescimento), subsídios a setores industriais e uma outra série de medidas em que o estado injetava dinheiro na economia, tentando gerar demanda. Além de não ter funcionado, a conta surgiu logo e foi muito alta.

Agora não há dinheiro público impulsionando o crescimento. Os balanços dos bancos públicos foram reduzidos, BNDES está devolvendo dinheiro para a união e a expectativa é que o mercado comece a andar com suas próprias pernas. O que é muito interessante – mas demora mais a ter efeitos nos números de crescimento.

Isso, em parte, explica essa demora na retomada do crescimento. O governo também concentrou esforços na aprovação da reforma da previdência e poucas medidas de estímulo foram tomadas até momento.

Agora temos a reforma da previdência – finalmente – passando pelo congresso. Mas não podemos esperar que de uma hora para outra o crescimento volte. Depois dessa fase será necessário tirar do papel uma série de projetos e propostas de estímulo à economia.

Mas há fortes motivos para esperar que teremos pela frente um grande ciclo de crescimento. Os juros estruturalmente baixos, como estamos vendo agora, permitirão as empresas se financiarem a taxas de juros muito mais baixas. Taxas que até pouco tempo só eram acessíveis a um grupo seleto de “escolhidos” pelo BNDES.

Podemos estar diante de um novo ciclo de crédito, com spreads mais baixos, novas emissões de ações e de títulos de empresas. Será o amadurecimento do mercado de capitais brasileiros aproximando-o de mercados de países mais desenvolvidos. E esse salto no mercado de capitais significará maior criação de empresas, expansão do mercado de trabalho e maior criação de riqueza.

Da mesma forma que juros altos transferem renda de tomadores para poupadores, juros baixos servem como um grande estímulo ao investimento na economia real, ao invés de se buscar ganhos em ativos financeiros.

Há uma cultura muito arraigada de que empresários são ruins e que o estado precisa cuidar dos seus cidadãos. Mas o fato é que o dinheiro que o estado dispõe para cuidar dos seus vem da arrecadação de impostos que, por sua vez, aumentam à medida que se gera mais riqueza.

Estamos sim muito confiantes em um novo ciclo de crescimento do país. E dessa vez de uma forma diferente, ocorrendo por méritos próprios e com base muito mais consistente. O Brasil e os brasileiros merecem!

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