Carta do gestor: julho 2021

  • 20/08/2021
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Seguimos cautelosos e buscando atingir as metas

Ano passado o mundo foi sacudido com a pandemia e 2021 veio como o ano da esperança de retorno à normalidade. De fato (aos poucos), a vida está voltando ao normal, mas a economia continua com muitas incertezas e volatilidade. Por isso, nesta carta, vamos trazer uma breve retrospectiva do que aconteceu na economia e no mundo ao longo de 2021, para que você entenda melhor o cenário atual de investimentos.

A vacinação no Brasil iniciou de forma atrapalhada, com uma boa dose de disputa política e muito mais lenta do que poderia ter sido. Logo após o início da vacinação, houve a explosão da segunda onda da doença, muito mais letal e abrangente que a primeira.

Ao mesmo tempo, tivemos aumento dos ruídos políticos, a demissão atabalhoada do presidente da Petrobras e o desentendimento cada vez maior entre os três poderes. Por outro lado, uma vitória do governo na eleição das presidências do Congresso trouxe esperança na continuidade da agenda de reformas.

Junto a isso, a discussão sobre a persistência da inflação mundial e o impacto nos juros ganhou força, gerando mais volatilidade.

Confira a nossa análise semanal do cenário macroeconômico com foco nos investimentos, por Alexandre Amorim, CGA.

No Brasil, a inflação também mostrou sua cara e, já perto do segundo semestre, foi agravada com a expectativa da crise hídrica, que leva a utilização de energia mais cara das termelétricas e, consequentemente, o aumento de preços.

Para conter esse movimento, o Banco Central reviu sua política e iniciou um ciclo de aumento na taxa básica de juros, a Selic.

No ritmo atual, caminhamos para fechar o ano com a Selic entre 7,5% e 8% e a inflação entre 7% e 7,5%, com os juros acumulados no ano pouco acima de 4% – isso porque a taxa básica de juros começou o ano em 2%, o que leva o acumulado do ano para um valor mais baixo. Portanto, para a grande maioria dos investidores, o momento é de perda para a inflação.

Com isso, é importante apontar que passamos por três fases distintas que influenciam o ciclo dos investimentos:

  1. Inflação baixa e juros baixos: cenário de 2020 que fez os investidores buscarem tomar mais risco que o de costume.
  2. Inflação alta e juros baixos: cenário do final de 2020 e de boa parte de 2021, onde a inflação passou a ser pressionada. Durante esse período, o juro real ficou negativo e qualquer fundo de renda fixa que usualmente marcava resultado acima do CDI, manteve o histórico, mas ficou muito para trás da inflação, marcando perda no poder de compra.
  3. Inflação pressionada, juros em alta: cenário atual, onde o Banco Central ataca a inflação subindo a taxa de juros. O mercado precifica hoje juros de 8% para o próximo ano e aguarda uma inflação de 4% para 2022. Nesse cenário, o CDI volta a ser interessante para gerar carrego e servir de colchão para as carteiras.

No Brasil, como sempre, precisamos ter muito controle sobre as emoções na hora de adequar as estratégias. É muito comum (especialmente por aqui) o mercado ser tomado por um poder irracional, onde a emoção prevalece sobre os fundamentos.

Assim, reforçamos que seguimos com um viés otimista para as empresas, que vem apresentando resultados e crescimento excelentes e não estão sendo precificadas de acordo.

Por outro lado, é necessária a revisão da relação de risco e retorno quando comparamos com a atratividade dos investimentos atrelados ao CDI, nesse momento em que a taxa básica volta a ter uma boa dose de juro real (acima da inflação).

Estamos buscando as oportunidades que esses momentos de volatilidade nos trazem e reavaliando as alocações para repor nos portfólios a perda para a inflação que esse momento único na história acabou nos trazendo.

Portanto, como sempre, cautelosos – seja com a euforia, seja com o pessimismo – e buscando atingir as metas traçadas com o mínimo de risco.

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