Carta do gestor: fevereiro 2021

  • 16/03/2021
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Um passo para frente, um passo para trás

Começamos nossa última carta usando a frase de Tom Jobim “o Brasil não é para amadores”. Mas na data, a toada era de esperança, já que temos – mais uma vez – um cenário externo favorável ao crescimento, um provável ciclo de valorização de commodities e, apesar de estarmos em uma grande encruzilhada, a eleição no congresso deixou o caminho aberto para se colocar de volta na mesa a agenda de reformas.

Mas neste último mês, o cenário ficou muito mais desafiador. Bolsonaro sempre teve seus “rompantes populistas”, mas a impressão é que, no caso da Petrobras, ele foi longe demais. Tentou recuar, jurou que não faria intervenções em estatais, apresentou os projetos de privatização da Eletrobrás e Correios, mas de fato, a confiança dos investidores foi abalada.

A reviravolta na Lava Jato com a decisão do Ministro Fachin – que antecipou o cenário de eleições de 2022 – colocou ainda mais lenha na fogueira. Mesmo considerando a alta rejeição de Lula (e também de Bolsonaro), tudo que não precisávamos nesse momento era mais uma fonte de estímulo à tendência populista de Bolsonaro.

Soma-se a isso, ainda, a situação sanitária. Enquanto no mundo todo as curvas de contágio têm caído abruptamente, vivemos o pior momento da pandemia aqui no Brasil – isso mesmo depois da enxurrada de dinheiro público colocada no ano passado para medidas de combate e prevenção à pandemia.

Portanto, estamos ainda vivendo as consequências da pandemia, com diversas medidas de restrição, mas com um cenário de desconfiança e inflação alta que obrigarão o Banco Central a mudar sua política de juros e manter-se vigilante ao câmbio.

Confira a nossa análise semanal do cenário macroeconômico com foco nos investimentos, por Alexandre Amorim, CGA.

Como sempre, o mercado antecipa os fatos e, não raro, exagera na dose. As mudanças nas projeções nas últimas semanas demonstraram isso. As projeções de SELIC e IPCA para 2021, apesar de terem muitos disparates, foram todas revistas consistentemente para cima.

Na prática, continuamos na mesma encruzilhada. Ainda há chances de se colocar em discussão as pautas e reformas que interessam – talvez tendo o próprio congresso (coordenado pelo centrão) como protagonista. Talvez também, a polarização para as eleições de 2022 abra espaço para o mesmo centrão viabilizar uma candidatura mais reformista.

De fato, o Brasil não é para amadores.

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