Carta do gestor: agosto 2020

  • 14/08/2020
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Chegamos ao fim de julho e, assim, encerramos o semestre mais estranho e tumultuado que nossa geração já viveu. Ninguém poderia imaginar que o mundo iria literalmente parar por conta de uma doença – isso mostrou nossa vulnerabilidade. Por outro lado, ninguém poderia imaginar que passaríamos meses trabalhando de casa, na maioria dos casos, mantendo a produtividade de antes – isso mostrou que a tecnologia já mudou nossas vidas (ao melhor estilo “Jetsons”).

Num breve retrospecto, iniciamos o ano num clima bem mais tranquilo. China e EUA finalmente haviam chegado a um acordo comercial e, por ser ano de eleição, não se esperava nenhuma grande polêmica de Donald Trump. Mas, no segundo dia do ano, os EUA foram acusados de um atentado contra um líder iraniano, gerando apreensão no mundo e, dias depois, um vírus diferente, identificado pela primeira vez em dezembro de 2019, começa a se propagar rapidamente na China.

Aqui no Brasil o clima era de otimismo. Agenda reformista na pauta, inflação baixa, taxas de juros baixas e clima de otimismo no mundo empresarial. Nosso congresso se mostrava muito mais responsável – parecia que finalmente tinha entendido que o problema fiscal brasileiro era sério e que a solução era, de fato, diminuir o tamanho paquidérmico do estado brasileiro.

Confira a nossa análise semanal do cenário macroeconômico com foco nos investimentos, por Alexandre Amorim, CGA.

O ano parecia promissor!

Mas, quando os números da doença na China davam sinais de controle, começou a disseminação na Europa, de forma mais rápida e com letalidade superior às informações e estatísticas que se tinham até então – que se limitavam a província chinesa de Wuhan.

Aí a história é conhecida. Na falta de informações, a solução foi parar o mundo. As consequências seriam piores? Ninguém sabe, mas era necessário agir rápido.

No início da pandemia, as previsões foram catastróficas. Com poucos dados disponíveis, as previsões feitas projetavam quedas imensas na atividade econômica, claro, com todas as consequências nefastas para a sociedade.
E isso acabou motivando a rápida reação dos governos e bancos centrais. A injeção de dinheiro na economia aconteceu de forma rápida, agindo para apoiar tanto pessoas como empresas a atravessar a crise com os menores impactos possíveis.

Nisso, passaram os meses de março e abril. Para maio, era esperada a diminuição da curva de contágios na Europa. E isso foi se confirmando, com a curva praticamente controlada no fim do mês. Isso, somado aos resultados econômicos, que vieram ruins – mas não tão ruins como esse havia previsto – começou a trazer maior ânimo aos investidores.

Na economia, tivemos recuperação rápida dos mercados, motivada pela expectativa de que as coisas possam voltar ao normal, mas principalmente, pelo grande volume de dinheiro disponibilizado pelos Bancos Centrais.

Aqui no Brasil temos – como sempre – nossos problemas particulares. O congresso, que vinha surpreendendo pelo seu senso de responsabilidade, descobriu uma nova “torneira” que poderia ser aberta sem culpa – o chamado orçamento de guerra. De uma hora para outra, o antigo senso “com uma boa desculpa se pode gastar” voltou a fazer parte do contexto. Várias outras disparidades apareceram no período. Enquanto o setor privado pode reduzir salários, carga horária e dispensar funcionários temporariamente, os funcionários públicos foram blindados. Mais do que isso, vários setores públicos estão parados até hoje – cinco meses após o início da pandemia.

Entramos nessa crise de uma forma relativamente confortável e, pela primeira vez na história, pudemos acompanhar as economias desenvolvidas e baixar as taxas de juros em meio a uma crise. Devemos manter esse cenário de inflação e juros baixos por um bom período. No mês de julho, a retomada das negociações em torno da reforma tributária também surpreendeu e, quem sabe, ainda seja possível engatilhar a reforma administrativa. Mas na outra ponta, as preocupações com a responsabilidade fiscal também começam a rondar, com o receio em torno do teto dos gastos.

Temos um cenário desafiador para os próximos meses. Retomada da atividade econômica, discussão sobre orçamento, eleições americanas… Tudo isso pode e deve trazer certa volatilidade aos mercados, especialmente depois da forte retomada que tivemos nos últimos meses.

O cenário de juros baixos deve motivar os investidores a continuarem o movimento de migração das carteiras e se desvincular do famoso “percentual do CDI”. E esse é um dos lados positivos disso tudo – o amadurecimento dos investidores e a melhor definição das carteiras de investimento. Sem falar no fato de que o Brasil deixa de ser o paraíso dos rentistas sem risco.

E que o segundo semestre nos faça esquecer de todos os receios e medos que nos afligiam nos primeiros seis meses do ano.

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