Carta do gestor: abril 2021

  • 19/04/2021
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Ainda na encruzilhada

Mesmo depois de um ano declarada a pandemia de coronavírus, o mundo ainda vem sendo fortemente impactado por eventos relacionados ao problema sanitário.

Ainda temos a doença aumentando em vários lugares do mundo. A Europa, apesar de ter sido a primeira a iniciar as campanhas de vacinação, ainda não conseguiu aplicar a vacina em um percentual significativo de sua população. Com isso, muitos países ainda sofrem com a curva de contágios elevada. A Índia começa agora a sofrer com a segunda onda, com número de contágios expressivamente maior do que na primeira. Apesar disso, o número de mortes decorrentes do vírus é muito menor atualmente.

No Brasil, o pico de contágios percebido no início do ano parece começar a ficar para trás e a lotação hospitalar também começa a dar sinais de melhora. A vacinação, apesar de mais rápida que em muitos países, ainda fica aquém do que poderia ser.

Na outra ponta estão países como EUA, Inglaterra e Chile, que conseguiram montar campanhas de vacinação eficientes e devem conseguir imunizar toda a população adulta nos próximos meses.

Portanto, ao que tudo indica, o problema sanitário deve ser controlado em breve e, com isso, teremos a retomada de alguns setores da economia que ainda dependem da livre circulação de pessoas, como turismo, lazer e eventos esportivos, por exemplo.

E na ponta da retomada, deveremos ver os EUA. Muito provavelmente veremos o país crescendo em ritmo igual ou maior do que a China pela primeira vez em décadas. A junção de medidas de estímulo com a campanha de vacinação fará com que as pessoas possam circular – com dinheiro para consumir – em um ambiente em que empresas e governo estarão investindo fortemente.

E com a maior economia do mundo crescendo a números relevantes, muitas outras economias serão levadas a reboque.

Confira a nossa análise semanal do cenário macroeconômico com foco nos investimentos, por Alexandre Amorim, CGA.

Mas isso tem suas consequências. Mesmo com o Banco Central americano insistindo que a inflação do país não é motivo de preocupação, o tema começou a acender a luz amarela para vários analistas e investidores.

Esse ritmo de crescimento pode fazer os EUA subirem os juros em breve, fazendo com que as taxas do tesouro americano tenham altas significativas, impactando não só os mercados de juros de países emergentes, mas também os mercados de câmbio e bolsa. Isso tudo apesar da insistência do FED em afirmar que não fará nenhum movimento relevante no médio prazo e que também não tomará nenhuma medida que não seja noticiada com muita antecedência ao mercado.

Se o clima tem sido de preocupação com o crescimento no mundo, no Brasil, as coisas têm sido um pouco diferentes. Diferentes do resto do mundo, mas muito parecidas com o que sempre vimos por aqui. Estamos amarrados no problema fiscal, com um congresso insistindo que o “bolso” não tem fundo e que sempre é possível tirar dinheiro extra de algum lugar. Por sua vez, a presidência parece cada vez mais amarrada ao legislativo e propensa a atender seus desejos.

A falta de compromisso do executivo e do legislativo com o problema fiscal, um STF legislando (na maioria das vezes a pedido do próprio legislativo), decisões polêmicas da suprema corte, causando ainda mais insegurança jurídica, falhas de comunicação e falta de planejamento – entre outros problemas – são um prato cheio para um clima de tensão que não se dissipa. Passa uma crise, começa outra! Nunca há um momento de calma.

Isso tudo acaba criando um clima de tensão e maquiando os pontos positivos que poderiam ser observados. O resultado do ano de 2020 foi melhor do que se esperava, tanto em relação ao crescimento como em relação ao endividamento. Temos várias pautas sendo encaminhadas pelo congresso, que ficam fora dos holofotes, mas são de grande importância para a economia brasileira.

Se conseguirmos emplacar algumas das reformas (talvez ao preço do estouro do teto de gastos) e com a imunização da população andando, ainda é bem possível que possamos surfar a onda de crescimento que vem se formando no mundo. Apenas para se ter uma ideia, o valor dos pacotes de estímulo americano é equivalente a mais de quatro vezes a dívida total brasileira. É muito dinheiro em circulação, estimulando a economia e o crescimento.

Se considerarmos também que os preços dos ativos brasileiros precificam um cenário catastrófico, qualquer notícia positiva pode ser interessante.

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