Calculadora mental – Porque, inconscientemente, tomamos várias decisões irracionais ao lidar com o nosso dinheiro?

  • 25/01/2019
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calculadora mental

Você sabe o que é a “calculadora mental” e como ela afeta a sua vida? É um conceito criado pelo ganhador do Nobel de Economia de 2017, Richard Thaler, que ajuda a explicar porque, inconscientemente, tomamos várias decisões irracionais ao lidar com o nosso dinheiro. Ter ciência dessa nossa irracionalidade pode te ajudar a tomar decisões melhores ao consumir. Entenda esse conceito e como ele funciona.

O que é a “calculadora mental”

A calculadora mental, ou contabilidade mental, se refere a uma tendência das pessoas em separar o seu dinheiro em diferentes categorias, ou “contas mentais”, baseado em critérios completamente subjetivos como a fonte de recebimento do dinheiro ou a sua intenção de uso. O que observamos é que as pessoas tendem a tratar essas diferentes categorias de maneira diferente, o que leva a um comportamento irracional.

Exemplo do “porquinho”

Digamos, por exemplo, que uma pessoa tem um porquinho, ou um pote, no qual ela guarda os seus trocados. Ela vai preenchendo-o com moedinhas e, quando chegar a R$500,00, vai gastar o dinheiro guardado para comprar um calçado novo. Essa pessoa atualmente tem R$100,00 no seu porquinho.

Em um determinado mês a conta do cartão de crédito veio mais alta que o normal, logo essa pessoa não conseguiu pagá-la inteiramente, tendo ficado com um saldo a pagar de R$100,00. O que observamos nas finanças comportamentais é que dificilmente essa pessoa usaria o dinheiro do porquinho para quitar o seu cartão, ainda que isso faça mais sentido.

O dinheiro no porquinho não sofre nenhuma remuneração, enquanto a dívida de R$100,00 no cartão de crédito tem a incidência de juros exorbitantes, logo custará bem mais que R$100,00 para ser quitada. Apesar disso, na cabeça da maioria das pessoas, essas duas contas estão separadas. Caso optasse por pagar a dívida, no final das contas ela não pagaria juros e seria mais fácil guardar para comprar o mesmo calçado, mas essa é uma atitude que dificilmente é tomada.

Exemplo do “cinema”

Outro exemplo muito interessante da calculadora mental foi bolado por pesquisadores da Universidade de Princeton em 1984. No estudo eles questionaram uma série de pessoas quanto à seguinte questão. Imagine, no primeiro cenário, que você foi para a bilheteria de um cinema e comprou por R$10,00 o ingresso para ver um filme, no entanto ao entrar no cinema percebeu que perdeu o seu ingresso.

Já no segundo cenário, imagine que você foi para a bilheteria do cinema, no entanto, ao abrir a sua carteira, percebeu que você perdeu os R$10,00 que havia separado para ver o filme.

O que eles perceberam no estudo é que apenas 46% dos participantes do estudo gastariam outros R$10,00 para comprar outro ingresso para o filme no cenário 1. Apesar disso, 88% dos participantes compraria o ingresso no cenário 2.

Racionalmente falando, a questão nos dois casos é idêntica. Você estaria disposto a gastar R$10,00 a mais do que planejava pelo ingresso? Apesar da perda nos dois cenários ser de R$10,00, o fato de você já ter comprado ou não o ingresso influencia fortemente a decisão.

Os vilões da “Calculadora mental”

Diversas empresas fazem uso do conhecimento em economias comportamentais para estimular o consumo dos seus produtos. Uma das maneiras mais eficientes de “enganar” a sua calculadora é através do uso do cartão de crédito. Diversos estudos já verificaram que as pessoas têm uma tendência muito maior a consumir e se endividar usando cartão de crédito do que dinheiro.

Cartão de crédito

Ao passar um cartão de crédito você está prolongando o prazo no qual você vai desembolsar o dinheiro e adiciona o valor a uma dívida maior, fazendo assim o valor do gasto parecer menor do que é. Esse afastamento faz com que o gasto se destaque menos na sua memória, criando menos barreiras. Digamos que você busque um produto que sabe que custa R$120,00. Caso ele esteja à venda por R$125,00, é mais provável que você pague essa diferença caso o meio de pagamento seja cartão de crédito do que em dinheiro vivo.

Parcelamento

Outro grande vilão da calculadora mental são os parcelamentos. Ao comprar algo parcelado, grande parte das pessoas se atém e presta mais atenção no valor da parcela do que nos juros pagos, por exemplo. Na média, as pessoas analisarão se o valor do parcelamento “cabe no bolso” ou não, independentemente do valor a mais que a pessoa vai pagar de juros. Esse comportamento leva as pessoas a se endividarem e diminuírem a sua renda disponível.

Liquidações

As liquidações são outra questão pensada justamente para enganar a sua calculadora mental. Imagine que você pensa em comprar uma camiseta de R$50,00 e, ao entrar na loja, percebe que está havendo uma liquidação e que ao comprar uma segunda camiseta você ganharia 25% de desconto nas duas! Caso você decida comprar duas camisetas, você terá um desconto em cada uma delas, no entanto você gastará R$25,00 a mais do que esperava inicialmente, ou seja, o seu gasto total será 50% maior.

Conclusão

Todos usam a sua calculadora mental para tomar decisões, o que faz com que as pessoas sejam muito menos racionais do que pensam. Isso é natural e inevitável, no entanto ao pensar melhor nas suas decisões e tendo ciência dessas “armadilhas” podemos evitar gastar mais do que gostaríamos.

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Comentário(s): 9

       
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