A emissão e controle das moedas e as Criptomoedas

Tecnologia Par Mais

Desde os tempos antigos, nisso eu digo, desde o seu surgimento, a moeda é emitida e controlada por alguém. Ou era um império, ou um reinado, e atualmente, são os governos através dos Bancos Centrais que exercem essa função.

Inicialmente o homem praticava a arte do escambo. Com a moeda ainda não presente, trocava-se aquilo que você tinha em excesso por algo que outro tinha, talvez também em excesso, e que você precisava. Por exemplo: trocar o que sobrou da minha plantação de tomate por um pouco do trigo do vizinho para fazer uma pizza marguerita.

Entretanto, em algumas situações, uma pessoa poderia ter algum bem mas não está interessado no bem do outro. Um produtor de raquete de tênis gostaria de trocar seus produtos por sorvete, mas o sorveteiro não quer uma raquete de tênis, porque seu esporte era o futebol americano.

O próximo estágio foi a constituição de moedas-produtos, ou Moeda-Mercadoria, como é chamado. Esse caso é quando um produto em questão era tão valioso que era aceito por todos. Um bom exemplo dele é o ouro, que ainda é bem valioso até hoje. Outro exemplo bem interessante é o sal, que era bem valioso por ser usado como tempero e conservante para carnes, e por isso foi muito usado no império romano para pagar os soldados. Não é a toa que seu uso na antiguidade repercute culturalmente até hoje, afinal, a cada mês de trabalho recebemos o nosso salário.

Esse produto desejado acabava se tornando meio que uma moeda. O produtor de raquetes poderia trocar suas raquetes por sal e depois sal por sorvete.

No passar do tempo, os metais foram se tornando mais valiosos, e aos poucos, foi se criando o conceito de pequenos blocos de metais com valor. Por exemplo: pratos, jóias, etc. Por fim, esses metais (principalmente ouro e prata) foram transformado nas moedas, um pouco parecido com as que conhecemos hoje.

Finalmente conhecemos a moeda em papel, que seria um recibo de armazenamento de ouro ou materiais de valor. Alguém guardaria meu ouro em segurança e me daria uma nota para garantir que eu possuo aquele ouro, enquanto essa pessoa ficava com a detenção dos meus bens.

Atualmente, podemos ver tudo isso já digitalizado. Podemos passar um mês inteiro sem sequer pôr a mão em uma moeda ou uma cédula. Tudo acontece em nossos smartphones, netbanking e com comprar com cartão de crédito.

Até que então surge um novo modelo de moeda. Um modelo que não foi transformado de físico para digital. Um modelo que já nasceu digital, sem cédulas e sem o cunho de moedas no modo físico. Todas as transações são completamente digitais.

As criptomoedas

Então que surge o Bitcoin (Ƀ), uma criptomoeda. O que ela tem de diferente das outras? Antes de falar de Bitcoin, é interessante dar uma olhada na situação atual do mundo (Ou pelo menos antes do surgimento de tantas criptomoedas).

Hoje as moedas são de um país, ou de um conjunto deles. Estão diretamente ligadas a eles. É aí que o Bitcoin se diferencia das outras moedas. Porque o Bitcoin, não tem dono. Não é de ninguém. O Bitcoin que você compra, é seu. Mas a rede de Bitcoin não tem dono. ninguém é dono do blockchain dos Bitcoins.

Quando o Bitcoin foi criado, por Satoshi Nakamoto (Que ninguém sabe quem é, se é uma pessoa ou organização), ele foi criado utilizando tecnologia peer-to-peer. Essa tecnologia permite que o gerenciamento do sistema seja feito de modo difundido, ou seja, eu posso instalar em meu computador um software que transforma ele em um peer e deixar ele ajudando a processar a rede de Bitcoins. E talvez até posso ganhar uns microbitcoins, através de um processo que se chama minerar.

Ser criado dessa maneira fez com que ele seja inatingível. Ao menos bem díficil de se atingir.

Se eu quiser chantagear o dono da rede: não sei quem é. Se eu quiser derrubar os servidores: torrent tá aí pra provar que é difícil parar o peer-to-peer.

Neste caso, fica difícil se um país quiser barrar completamente o Bitcoin dentro de suas fronteiras.

E as outras criptomoedas?

Desde o surgimento do Bitcoin outras criptomoedas tem surgido no mercado, como por exemplo Aeon, Ethereum, Monero, etc.

Entretanto, apesar da maioria dessas novas moedas focar a descentralização, nem todas são pública, ou sem dono, como é o caso do Bitcoin. Muitas deles são de alguma pessoa/corporação que resolveu entrar nesse mercado. O livro razão pode não ser público e as operações, mais um vez, como é o caso dos bancos, voltarem a ser privados e fechados.

Ainda é muito cedo para falar em futuro, mas acredito fortemente que nossas próximas gerações vão presenciar grandes eventos nessa área. Boicotes contra o Bitcoin, contra outras moedas ou até essas pessoas/corporações que estão criando essas novas moedas com tanto poder.

O que vai acontecer quando uma corporação conseguir lançar uma criptomoeda que venha a ganhar grande poder no mundo? Competindo diretamente com moedas controladas por grandes países?

  • 10/10/2017