Cuidado com os certificados de operações estruturadas - COE

Se tem uma coisa que banco sabe fazer é encontrar formas de ganhar dinheiro. E como vivemos em um mundo onde a criatividade dos banqueiros não tem limites, produtos complexos para os clientes, mas que são benéficos para os bancos, surgem a todo momento. Nos últimos meses começaram a aparecer para os clientes de bancos e corretoras os chamados COE - Certificados de Operações Estruturadas. Esse tipo de produto já existe há muitos anos nos EUA e na Europa, lá eles são conhecidos como Notas Estruturadas.

O COE – Certificado de Operações Estruturadas – é um tipo de investimento recente no mercado brasileiro. Em tese, é um instrumento que tem a proposta de ser flexível, pois mescla investimentos de renda fixa e renda variável (ações, derivativos) na composição da sua carteira. Além disso, é estruturado com base em cenários de ganhos e perdas.

São os bancos que emitem o COE, e eles são registrados na Cetip, que é a entidade autorizada e preparada para realizar o depósito e a liquidação do investimento. O COE tem uma data de vencimento, valores mínimos de aporte, indexador e cenários pré-definidos de ganhos e perdas para cada tipo de investidor. Todos os detalhes de um COE constam no Documento de Informações Essenciais (DIE) que deve ser apresentado ao investidor obrigatoriamente.

O COE pode ser emitido em duas modalidades:

  • Valor Nominal Protegido: com garantia do capital investido;
  • Valor Nominal em Risco: existe possibilidade de perda até o limite do capital investido

A maioria dos COEs emitidos no varejo tem sido na modalidade de Valor Nominal Protegido, e esse é maior argumento de venda das corretoras. É crucial saber que no COE o imposto de renda incide sobre o lucro, da mesma forma que ocorre na renda fixa, ou seja, pela tabela regressiva. Normalmente o banco e a corretora apresentam somente a rentabilidade bruta para o investidor, o que pode passar a sensação de um falso ganho para o cliente.

Como o COE é emitido por um banco é fundamental que o investidor confie no banco. É importantíssimo também saber que o COE não possui garantia do FGC, ao contrário de quando você investe em um CDB, LCA ou LCI. Dessa forma isso é mais um incentivo para o banco captar recursos entre pessoas que já possuem algum investimento no banco. Ou seja, se você já possui uma carteira de investimentos consolidada no banco, você pode receber uma oferta para migrar parte dos seus recursos para um COE. Porém, muitas vezes esta oferta não estará alinhada ao seu perfil e objetivos, pois o COE trata-se primeiramente de um investimento de interesse para o banco.

Em um caso recente de um COE ofertado, para o cliente obter o ganho máximo era preciso que 5 ações de setores diversos estejam com um preço igual ou superior ao de hoje, daqui a dois anos. Tendo em vista o risco inerente ao mercado de ações, são grandes as chances de alguma dessas empresas obter um desempenho ruim e suas ações estarem abaixo do preço atual daqui a dois anos. Nesses dois anos o investidor ficara com o dinheiro parado e terá a perda certa da inflação do período.

Um resumo de como o banco estrutura o COE:

O banco capta, por exemplo, R$ 15.000,00 e pode aplicar R$ 13.157,90 em um CDB Prefixado que paga 14% a.a.  Esse investimento garante o capital protegido do cliente.

E os R$ 1.842,10 restantes? Uma parte o banco usa para pagar a corretora. E o restante do valor é aplicado em uma estrutura de derivativos com vencimento nas datas de resgate do COE. Essa complexa operação, que não entraremos em detalhes, é o que proporciona os cenários de ganhos e perdas do cliente final. Só para exemplificar a complexidade dos derivativos, na própria DIE o emissor do COE costuma usar o termo “instrumentos de derivativos têm sua natureza complexa.”

Resumidamente na estrutura do COE a única certeza é que o banco captou um recurso com baixo custo e quem vendeu o COE ganhou uma boa comissão (geralmente entre 2%-3% do valor investido). O cliente pode ter sido exposto a um risco muitas vezes que nem conhece, sem a garantia do FGC e ainda vai ter a perda certa da inflação no período.

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