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  • 14/12/2018

Risco de crédito: como analisá-lo e reduzi-lo

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Risco de crédito é o risco de perda resultante do não cumprimento do pagamento de um empréstimo. Basicamente, é o risco de alguém que emprestou dinheiro, não receber de volta conforme combinado, ou seja, nas datas corretas e com pagamento de juros. Veja aqui como analisá-lo e reduzir esse risco.

Investimento em capital x Investimento em dívida

Quando falamos do mercado de capitais, existem basicamente duas grandes classificações para os ativos financeiros: capital ou dívida.

No caso do capital, você busca um retorno sobre o capital investido em algum empreendimento, cujo melhor exemplo seria o de ser sócio de uma empresa. Nessa situação, a remuneração de quem investe em capital se dá na forma de dividendos, que nada mais é que a distribuição do lucro de uma empresa, e na valorização da empresa conforme a percepção do mercado. Esse costuma ser um investimento mais arriscado, porém com um retorno potencial maior. Como principal exemplo desse tipo de investimento temos as ações.

Já no caso do investimento em dívida, o investidor empresta dinheiro para um determinado agente econômico, acordando previamente os detalhes do pagamento desse valor, como o número e valor das parcelas, a taxa de juros, entre outros detalhes. Nesse caso, o investidor passa a ser credor da dívida. O credor tem prioridade de pagamento sobre quem investe em capital, tendo, portanto, um risco menor, no entanto o seu rendimento é limitado ao que foi acordado no empréstimo. Como exemplos desse tipo de investimento temos os títulos do tesouro direto, CDBs de bancos, debêntures, FIDCs, entre outros.

No caso de quem investe em capital, não há que se falar de risco de crédito pois, sendo sócio de uma empresa, você não tem direito a juros nem prioridade de pagamentos. Por mais que a expectativa seja de valorização da empresa e de geração de lucro, não existe uma obrigatoriedade que isso aconteça. O principal risco nesse caso é de mercado.

Já no caso de quem investe em dívida, existe um contrato que prevê o pagamento conforme o acordado, podendo inclusive ser cobrado judicialmente. Sendo assim, o risco de crédito vale para o investimento em dívida. É importante notar que títulos de dívida podem também ter risco de mercado, ou seja, de ter volatilidade e sofrer variações de acordo com o mercado, como acontece por exemplo com os títulos públicos pré-fixados. Essa variação, no entanto, não necessariamente afeta o risco de crédito, que é o do devedor não honrar com a sua obrigação.

Agências de rating – Agências de classificação de risco de crédito

Para ajudar na decisão de alocação do investidor, diversas emissões contam com relatórios emitidos por agências de rating. Como exemplos desse tipo de agência temos a Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch, que são as três maiores do mundo nesse segmento.

Elas são agentes econômicos independentes que, com base nas informações relativas à emissão, à empresa, ao mercado e outros que forem relevantes, emitem um parecer quanto ao risco de crédito de determinado título ou empresa. Como esses relatórios são emitidos por agências independentes, especializadas na análise desse risco, eles são considerados como forte referência do risco de crédito de determinado título. Ainda assim o ideal é a análise desses relatórios conjuntamente com outras informações disponíveis.

Tipos de risco de crédito

Como foi dito anteriormente, qualquer ativo que seja uma dívida está sujeito ao risco de crédito, no entanto o risco de crédito de um título público federal e de um FIDC, por exemplo, são bastante diferentes. Sendo assim, é preciso diferenciar o risco de crédito dos diferentes ativos, pois quanto maior for o risco de crédito, mais importante é a análise prévia ao investimento. Outro ponto importante é que o retorno dos ativos de créditos costuma ser diretamente proporcional ao seu risco de crédito, logo, quanto maior o risco de crédito, maior o retorno.

Baixíssimo risco de crédito

Globalmente falando, o ativo que na maioria das hipóteses é considerado praticamente “livre de risco” são os títulos da dívida pública federal americana. Tendo em vista que o governo dos Estados Unidos, em última instância, pode simplesmente emitir dólar para pagar sua própria dívida, o seu risco de crédito é quase nulo.

No caso do Brasil, o ativo com menor risco de crédito sãos os títulos públicos federais que são negociados no Tesouro Direto. Assim como no caso dos Estados Unidos, isso se dá pela percepção que o estado brasileiro tem mais recursos para honrar a sua dívida do que qualquer outro agente econômico no mercado local.

Baixo risco de crédito

Depois dos títulos públicos federais, os ativos considerados com menor risco de crédito são aqueles emitidos pelas grandes instituições financeiras e que possuem garantia pelo FGC: a poupança, os CDBs, LCIs, LCAs, DPGEs, LFs, entre outros ativos.

Essa baixa percepção de risco se dá porque os bancos tem uma alta capacidade de gerenciar a sua dívida, emprestando menos dinheiro ou balanceando as suas emissões. Além disso, o Banco Central monitora constantemente a saúde financeira de todos os bancos e o FGC dá garantias para esses ativos, o que diminui consideravelmente a chance do credor não ser pago. Com risco de crédito maior, mas também baixo, estão esses mesmos ativos que são garantidos pelo FGC com emissão de bancos menores.

Médio risco de crédito

Um pouco acima na escala de risco de crédito estão os títulos de grandes empresas, com rating elevado, como por exemplo algumas debêntures. Cada agência de rating tem a sua escala, mas todas elas têm uma linha de corte, que costuma se chamar de Investment Grade ou grau de investimento. Basicamente isso significa que a agência de rating avaliou que existe um baixo risco de não-pagamento dessa dívida. Ainda assim, tendo em vista que os meios e as garantias dessas operações são inferiores aos citados anteriormente, o seu risco de crédito é considerado maior.

Alto risco de crédito

Os títulos com alto risco de crédito são aqueles considerados pelas agências de rating como de “grau especulativo”. Esses são os títulos cuja nota é inferior ao grau de investimento, tendo, portanto, um risco maior de não pagamento. Apesar de ter um alto risco de crédito, esses títulos costumam ter remunerações muito superiores aos títulos anteriores, por isso atraem investidores dispostos a tomar mais risco.

Altíssimo risco de crédito

Esses são títulos de dívida que estão prestes a sofrer default ou então já sofreram. Como a probabilidade de não pagamento é muito alta, eles geralmente são negociados a uma fração do valor originalmente acordado, aumentando muito o potencial de retorno do título. A cobrança desse tipo de ativo geralmente se dá judicialmente.

Gerenciamento do risco de crédito

O gerenciamento do risco de crédito é uma tarefa importantíssima para qualquer gestor de um portfólio de créditos ou ainda de investidores que investem em títulos de dívida mais arriscados. O ideal para gerenciar esse risco é analisar minuciosamente os detalhes da emissão antes do investimento e tentar diversificar a carteira da melhor maneira possível. Investindo em múltiplos títulos de empresas, setores e até mesmo países diferentes ajuda a mitigar o risco de algum evento ter um forte impacto na sua carteira.

Conclusão

O risco de crédito é o risco de um devedor não honrar com as obrigações de pagamento de um empréstimo. Ele existe em qualquer título de dívida, no entanto pode variar muito de acordo com o emissor e as suas garantias. A análise minuciosa dos detalhes do ativo e a diversificação em títulos com características diferentes é uma ótima maneira de gerenciar o risco de crédito.

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Resumo
Risco de crédito: como analisá-lo e reduzi-lo
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O risco de crédito é o risco de um devedor não honrar com as obrigações de pagamento de um empréstimo/investimento. Ele existe em qualquer título de dívida, no entanto pode variar muito de acordo com o emissor e as suas garantias. A análise minuciosa dos detalhes do ativo e a diversificação em títulos com características diferentes é uma ótima maneira de gerenciar o risco de crédito.
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