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Quase ninguém acredita que possam haver pegadinhas em fundos de renda fixa. Mas sim, mesmo sendo sinônimo de investimento conservador e seguro, as pegadinhas existem e não são poucas!

Então o que devo analisar quando invisto em um fundos de renda fixa? Há risco de perder dinheiro? Tem taxa de administração? Qual a qualidade dos ativos investidos pelos fundos de renda fixa? Qual seu histórico de rentabilidade?

1 – Taxa de administração, a primeira das pegadinhas em fundos de renda fixa

Taxas de administração são cobradas pelos fundos para gerenciar seus recursos. Neste caso, como falamos de renda fixa, vamos aplicar a lógica aos fundos de renda fixa DI. Grandes bancos do Brasil tem trilhões de reais geridos nesses fundos e, muitos deles, com baixo rendimento. Há um banco do qual o fundo rendeu 7,24% em 2015, enquanto a inflação foi de 10,67%. Ou seja, quem investiu nesse produto perdeu para a inflação, reduzindo em 3,43% o poder de compra do dinheiro investido.

Enquanto isso, o fundo cobra uma taxa de administração de 5,5%! Ou seja, de cada R$ 10.000 aplicado, você pagou R$ 550 de taxa para o fundo perder da inflação. Se a taxa de administração fosse de 2,07%, por exemplo, o retorno do fundo seria igual ao da inflação, mantendo, pelo menos, o poder de compra. E 2% já é uma alta taxa de administração!

Esse ponto é muito importante, pois fundos de renda fixa, por terem menos ativos de risco, tendem a render menos que 100% do CDI, sendo que qualquer custo mais elevado compromete sua rentabilidade. Portanto, quando pensar em fundo de renda fixa, uma das principais variáveis a analisar é a cobrança de taxa de administração.

Normalmente, fundos de renda fixa investem a maior parte dos seus recursos em títulos públicos, sendo que você mesmo pode investir nesses ativos, excluindo o custo com taxa de administração e elevando sua rentabilidade líquida.

2 – Crédito privado

Como falamos acima, é muito comum os fundos de renda fixa renderem abaixo de 100% do CDI. Mas, é importante compreender que há ativos de renda fixa com risco, em especial o crédito privado.

Empresas e bancos recorrem com frequência ao mercado financeiro para financiar seus projetos e, uma das formas de financiamento, é a captação de recursos via emissão de títulos.

Dependendo do fundo de renda fixa, ele pode ter títulos de empresas em sua carteira e, de acordo com a estratégia do gestor, esses títulos podem ser de maior ou menor risco. Nada impede que uma empresa não honre os seus compromissos e não pague pelo recurso captado. Com a operação Lava Jato, esse ponto se tornou bem relevante, pois algumas empresas não honraram seus compromissos, comprometendo a rentabilidade dos fundos. Ou seja, o fundo de renda fixa perdeu rentabilidade, e você também.

Fique atento, sempre que a rentabilidade do fundo estiver próxima ou superior a 100% CDI, sendo um fundo de renda fixa atrelado ao CDI, é muito grande a probabilidade de haver crédito privado na carteira, sendo importante você conhecer a qualidade desses ativos.

3 – Inflação, a mais famosa das pegadinhas em fundos de renda fixa

A inflação pode proporcionar dois diferentes riscos para o seu investimento de renda fixa. O primeiro deles foi comentado no item 1, que corresponde ao fundo ter rentabilidade menor que a inflação.

O segundo é o seu fundo ter ativos para se proteger da inflação. Como assim? Imagine que o seu fundo tem títulos públicos que remuneram IPCA + 5%. Você está protegido da inflação e a taxa de juros está estável. Se houver uma disparada da inflação, você permanece protegido contra ela, mas o Banco Central se vê na obrigação de elevar a taxa de juros, supondo, para 6%.

Nesse caso, o título comprado pelo seu fundo rende IPCA + 5%, enquanto o governo está vendendo títulos que pagam IPCA + 6%. Logo, se você quiser vender esses títulos, você vai ter que vender com deságio, pois o governo remunera melhor, o que gera uma desvalorização do título comprado e, consequentemente, um impacto negativo na rentabilidade do fundo.

Os motivos acima explicam a volatilidade que podem ocorrer em fundos de renda fixa dessa natureza, mesmo quando imaginamos que não exista volatilidade na renda fixa.

4 – Prazos

Sabemos que, quanto mais tempo o dinheiro estiver investido, menor será a alíquota de imposto de renda paga sobre a rentabilidade, sendo 15% a menor alíquota, que demanda pelo menos 2 anos de permanência no investimento.

Ao falar sobre rentabilidade, nos remetemos aos conceitos de risco ou prazo. No caso, fundos com crédito privado na carteira tendem a render mais que outros produtos de renda fixa.

Você pode ter menor risco, optando pela compra de CBD, LCI ou LCA, por exemplo, desde que tenham longos prazos de vencimento, o que eleva sua rentabilidade, mas não permite o resgate antes do vencimento.

Alguns fundos podem cobrar taxas de administração diferenciadas, reduzindo a taxa de acordo com o tempo de permanência do investimento. Assim, é importante saber se o seu fundo tem esse ponto no regulamento e se planejar para não resgatar o investimento antes do prazo mínimo necessário para pagamento da menor taxa.

5 – Fundo garantidor de crédito

Muitos produtos de renda fixa tem cobertura do Fundo Garantir de Crédito (FGC), que é de R$ 250.000,00 por CPF/CNPJ e por instituição financeira. Funciona como uma espécie de seguro que cobre o valor aplicado no caso de a instituição financeira não pagar o investidor no vencimento do título, para aplicações em CDB, Poupança e LCI/LCA.

Mas muito cuidado: fundos de investimento não tem cobertura do FGC. Mesmo que o fundo só invista em títulos cobertos pelo FGC, os cotistas não terão essa garantia).

6 – Previdência privada, a maior das pegadinhas em fundos de renda fixa

Com certeza, as maiores pegadinhas em fundos de renda fixa estão nos produtos de previdência privada que, além das taxas de administração, podem cobrar pela taxa de carregamento e pela taxa de saída (a taxa de carregamento pode ser entendida como uma taxa de corretagem).

Como exemplo, há planos de previdência que cobram 2% de taxa de administração ao ano, mais 2% de taxa de carregamento sobre os aportes e até 5% de taxa de carregamento sobre resgates!

Simulando, caso você invista em uma previdência com essas características, se você aportar R$ 1.000 em 01 de janeiro e resgatar o valor em 31 de dezembro, você terá pago R$ 20,00 de taxa de administração, R$ 20,00 de taxa de carregamento de entrada e mais R$ 50,00 de taxa de carregamento de saída, logo, R$ 90,00 de taxas, o que representa 9% do valor investido, somente com taxas! Muito cuidado com esses produtos, leia atentamente o regulamento.

Conclusão

Em se tratando de renda fixa, os melhores produtos são aqueles que rendem próximos a 100% do CDI, com ativos de qualidade em sua carteira, baixa taxa de administração (se for fundo) e que permitam resgatar os recursos a qualquer momento. Esses produtos existem, são oferecidos por diversas gestoras e bancos, normalmente ligados ao risco (crédito privado) ou a restrição de liquidez de produtos de menor risco, como CDB, LCI e LCA.

 

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Par Mais – 10.03.2016

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