• 17/05/2018

O GLOBO – Saiba onde investir de acordo com o prazo da aplicação

É preciso planejamento na hora de fazer um investimento para realizar o sonho

RIO — Apesar de o Comitê de Política Monetária ter mantido o juro básico da economia em 6,5% ao ano, a taxa está no seu menor patamar histórico. Com os juros baixos, o brasileiro terá de mudar seus planos e se acostumar a aplicar em investimentos um pouco mais arriscados, se quiser obter um retorno maior. Analistas alertam, porém, que tão importante quanto avaliar o risco é observar o prazo desses investimentos. Ou seja, é preciso saber em quanto tempo se quer resgatar os recursos para tomar uma decisão correta sobre como aplicar o dinheiro. Prática que, dizem os especialistas em finanças pessoais, não é comum entre os brasileiros.

A regra básica é: quanto maior o tempo em que o dinheiro ficar aplicado, mais risco é possível correr. Antes, é claro, é preciso conhecer seu perfil de investidor. Há desde os mais agressivos até o mais conservadores.

Feito isso, o próximo passo é olhar para o futuro e planejar seus gastos e investimentos. O plano é fazer uma viagem daqui a um ano? Trocar de carro em cinco anos? Ou ter recursos para pagar a faculdade do filho? De acordo com o horizonte, a estratégia de investimento muda. Em mais uma reportagem da série sobre educação financeira, veja aqui a orientação dos especialistas para se planejar de acordo com o prazo em que se quer investir.

  • FUNDO DE EMERGÊNCIA
  • QUANTO MAIOR O PRAZO, MAIOR O RETORNO
  • INVESTIR COM FOCO EM 1 ANO
  • INVESTIR COM FOCO EM 5 ANOS
  • INVESTIR COM FOCO EM 10 ANOS
  • INVESTIR COM FOCO EM 15 ANOS

FUNDO DE EMERGÊNCIA

“Antes de pensar na rentabilidade, é preciso criar um fundo de emergência” – Arquivo

Antes de pensar no futuro, é preciso garantir o presente. Analistas são unânimes: é preciso sempre ter um fundo de emergência para cobrir algum gasto pontual a curto prazo. Ou seja, ainda que se tenha um sonho de consumo lá na frente — a compra de um imóvel, uma festa de casamento, etc. — é indispensável ter disciplina e separar parte da poupança para um possível contratempo.

— Antes de fazer aplicações com foco a rentabilidade e nos sonhos, é preciso ter um dinheiro guardado para alguma emergência, como um problema de saúde — afirma Annalisa Dal Zotto, planejadora financeira e sócia da Par Mais.

Quem compartilha da mesma opinião é Arthur Moraes, professor da B3 Educação. Ele indica que, para pensar em aplicações mais rentáveis, é preciso ter cautela.

— A partir do momento que a reserva de emergência está aplicada em um fundo de alta liquidez, como o Tesouro Selic, a pessoa pode começar a procurar o retorno em outras aplicações. Para isso, entretanto, é necessário planejamento e um pouco de conhecimento sobre investimentos — pontuou Moraes.

QUANTO MAIOR O PRAZO, MAIOR O RETORNO

“Aplicações a longo prazo ampliam os ganhos ou reduzem eventuais perdas” – Richard Drew / AP

O tempo trabalha a favor do investidor. Quanto maior o período em que o dinheiro fica aplicado, maior a chance de ampliar os ganhos ou reduzir eventuais perdas.

— Aplicações de longo prazo são corrigidas por juros sobre juros, e isso faz com que a quantia investida trabalhe mais e melhor a seu favor. Quando se tem mais tempo para resgatar o montante, é como se seus investimentos ficassem mais seguros — explica Thiago Nigro, planejador financeiro e autor do canal O Primo Rico. — Caso o mercado passe por algum momento de turbulência, embora não seja uma regra absoluta, ele leva cerca de cinco anos para se recuperar. Caso a aplicação seja de longo prazo, o investidor consegue recuperar o que foi perdido com esse abalo no mercado.

Annalisa Dal Zotto, planejadora financeira e sócia da Par Mais, ressalta que investir em longo prazo não significa investir todo o dinheiro em aplicações com baixa liquidez:

— No longo prazo, não é interessante que o investidor trave todos os seus investimentos em aplicações de baixa liquidez, que só permitem que o dinheiro seja movimentado ao fim de um longo prazo. É recomendável diversificar as aplicações do que depositar todas as economias em uma única aplicação. Caso haja qualquer problema, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) cobre depósitos de até R$ 250 mil por cliente.

INVESTIR COM FOCO EM 1 ANO

“Para fazer uma viagem dentro de um ano, a indicação é não arriscar muito” – Pedro Teixeira / Agência O Globo

Com a reserva de emergência já constituída e com o objetivo em mente, é hora de começar a traçar quais cenários são os melhores para alcançar o objetivo, levando em consideração o prazo para o resgate da quantia. Para uma pessoa que deseja usar o dinheiro daqui a um ano, os especialistas recomendam que não sejam feitas aplicações agressivas, uma vez que o prazo é curto e a pessoa não pode ficar refém de uma volatilidade do mercado.

Além disso, é preciso ficar de olho em aplicações que sejam isentas de Imposto de Renda (IR), o que pode acabar corroendo um pouco os ganhos. Para este cenário, o planejador financeiro Thiago Nigro recomenda investir em Letras de Crédito Imobiliário (LCA) ou Letra de Crédito do Agronegócio (LCI), que apresentam boa rentabilidade e são isentas de IR.

Se o objetivo for fazer uma viagem ao exterior, a planejadora financeira Annalisa Dal Zotto sugere aplicar também aplicar também fundos cambiais, cuja maior parte dos recursos são investidos em moeda estrangeira. Assim, o investidor diminui o risco de ver sua poupança em reais corroída por uma eventual perda no valor da moeda em relação ao dólar, euro ou outra divisa do país para o qual se vai viajar. Além disso, ela indica que, como o prazo não é muito longo, o viajante deve fazer pequenas compras da moeda oficial do país para onde vai viajar.

— Como o prazo é curto, também é interessante ficar atento à compra da moeda estrangeira. Embora não seja uma aplicação, é preciso ir comprando aos poucos para evitar pagar muito caro pela moeda por ter deixado essa tarefa por último, quase na data do embarque.

INVESTIR COM FOCO EM 5 ANOS

“Antes de escolher a aplicação, é preciso ficar de olho se há cobrança de Imposto de Renda (IR)” – Arquivo

Para quem tem um sonho a médio prazo, como comprar um automóvel dentro de cinco anos, a estratégia indicada pelos planejadores é investir em títulos do Tesouro atrelados à inflação ou em Certificados de Depósito Bancário (CDB) com vencimento próximo à data estipulada inicialmente. Eles ressaltam que o prazo de cinco anos não é tão grande, por isso não permite muitas aventuras no mercado.

— Dependendo do rendimento e do prazo para resgate da quantia, uma alternativa pode ser pegar o dinheiro do CDB e fazer um novo investimento na mesma aplicação. Isso evita riscos de volatilidade e garante um rendimento bom — explicou Annalisa Dal Zotto.

INVESTIR COM FOCO EM 10 ANOS

“Para quem deseja comprar um imóvel, a indicação é diversificar as aplicações” – Márcio Alves / Agência O Globo

Quando o prazo para realizar o sonho aumenta, como comprar um imóvel dentro de dez anos, a possibilidade de diversificação dos investimentos também é maior. Algumas alternativas podem ser investir em fundos imobiliários ou em ações.

— Como o prazo é longo, caso o mercado de ações passe por alguma turbulência, o investidor tem chances de recuperar o que foi perdido e continuar com uma boa margem de rentabilidade — explica Thiago Nigro.

INVESTIR COM FOCO EM 15 ANOS

“Poupar para pagar a faculdade dos filhos requer planejamento” – Adriana Lorete / Agência O Globo

Para quem pensa em poupar para um prazo um pouco maior, como pagar a faculdade dos filhos daqui a 15 anos, as recomendações incluem fundos imobiliários e ações, como no horizonte de 10 anos. Os fundos de previdência privada, que muitas vezes são oferecidos como alternativa para esse prazo, nem sempre são atrativos, pontua Annalisa Dal Zotto:

— Previdência privada não é uma alternativa muito vantajosa por causa das taxas embutidas na aplicação. Uma possível saída é investir em títulos públicos com aportes mensais. Caso o valor pago pela transferência entre contas seja caro, é possível juntar os valores por alguns meses e fazer menos aportes. Mas isso não significa que a quantia investida deve ser menor — afirma.

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