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  • 15/02/2012

O que os corretores de mercado de ações não dizem ?

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O que os corretores de mercado de ações não dizem ?

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A atuação do Agente Autônomo de Investimentos, figura que veio para substituir os conhecidos Corretores de Ações (e por isso mesmo continua sendo conhecido por esta ‘alcunha’), é cercada de polêmicas.

Criado para ser uma ferramenta de capilarização do mercado, o corretor é normalmente a pessoa mais próxima a quem se interessa em investir em ações.

Ele atua como um representante das corretoras, tendo como função a distribuição dos produtos e serviços oferecidos por elas. Sua remuneração provém, em grande parte, de uma parte da corretagem gerada na movimentação dos clientes. Por ser desta forma, a remuneração dos corretores é proporcional a movimentação de recursos dos clientes, ou seja, quanto mais operações realizadas, maior o ganho do corretor.

Justamente por isso, sua função se restringe a simples apresentação destes produtos e serviços, sendo vetado ao mesmo qualquer tipo de análise, indicação e ou parecer a respeito das operações. Também é vetado ao corretor ser preposto e/ou procurador de clientes para emitir ordens.

Essa atuação irregular dos corretores vem sendo alvo de constante preocupação da CVM (órgão regulador do mercado) e de críticas de profissionais do mercado.

Transcrevemos abaixo texto de César Locatelli, que traduz a realidade na maior parte dos casos entre o relacionamento cliente x corretor. Uma coisa é certa, se o seu corretor não se encaixa nas questões levantadas abaixo, provavelmente você está sendo assessorado por um bom profissional. (Alexandre Amorim, CNPI-T)

12 coisas que seu corretor de ações não vai te dizer (César Locatelli)
 1. Que a Corretora ganha mais se você ficar comprando e vendendo o tempo todo.

A Corretora não ganha se você ganhar e não perde se você perder. Ela ganha por negócio que você faz, quanto mais negócios mais corretagem. Há, portanto, um conflito de interesses implícito. Isso quer dizer que todos os corretores vão induzi-lo ao erro? Não. Mas é bom lembrar-se sempre que seus interesses não estão alinhados com aqueles de seu corretor. O próprio faturamento da Bolsa depende do volume de negócios.

2. Que o poder dos controladores das empresas no Brasil ainda é excessivo.

Houve um longo tempo em que muito dos investidores brasileiros decidiram não operar com ações. E o motivo era que os acionistas majoritários, aqueles que detinham a maioria das ações ordinárias e, por isso, controlavam a empresa, ganhavam muito em detrimento dos acionistas minoritários. Com o Novo Mercado e as iniciativas de governança corporativa muito se avançou para um tratamento mais igualitário. Não há dúvida, entretanto, que estamos longe de um equilíbrio justo. Prepare-se, então, para ver o grupo controlador agir contra seu interesse.

3. Que ninguém, e muito menos o corretor, sabe para onde vão os preços das ações.

Entenda que seu corretor cumpre suas ordens, ele não assume risco. Ir atrás de dicas mirabolantes é um caminho bem curto para se perder dinheiro. Assumir que você não tem ideia do que vai ocorrer com os preços é um exercício de humildade saudável para seu bolso. Não se esqueça nunca que tem muita gente que se dedica a acompanhar o mercado e operar o dia todo, todos os dias. A chance de você reagir mais rápido do que eles ou saber usar melhor as indicações que o mercado te dá é igual a zero.

4. Que o desempenho de uma ação depende de muito mais coisas do que o desempenho da empresa.

Você já ouviu as reclamações de que a empresa está super bem, mas o preço das ações não reage? E não reage por conta da taxa de juros assustadoramente alta que ainda temos, porque a Grécia quebrou, porque o PIB da China vai crescer mais lentamente, porque derrubaram as torres gêmeas e assim por diante. É preciso lembrar que são pessoas que dão as ordens de compra e venda e está ficando cada vez mais evidente que não se pode contar com grande dose de racionalidade nessas decisões. O humor coletivo pode virar, por exemplo, com uma cara torta de qualquer Greenspan da vida, ex-presidente do banco central americano

5. Que dinheiro que você não pode perder não pode ir para a bolsa.

Não jogue na bolsa seu padrão de vida. Se você está poupando para comprar algo em dois ou três anos simplesmente fuja da bolsa. Os juros brasileiros continuam fazendo a festa de quem tem dinheiro guardado. Não caia na tentação de tentar a sorte na bolsa com dinheiro que você não pode perder. Quer fazer uma fezinha? Há outros lugares, que você conhece, onde se torna mais explícito que você está apostando e, com grande probabilidade, vai perder.

6. Que mais importante do que vender corretamente você precisa comprar corretamente.

Você já reparou que sempre que a bolsa desaba aparecem inúmeros analistas alertando para não vender na baixa? Eles geralmente não te orientam na entrada e pedem que segure o prejuízo com mãos fortes. Mais prudente é identificar os recursos que quer ter na bolsa e ir comprando aos poucos ao longo de um, dois ou mais anos. A chance de você entrar num pico, ponto que dificilmente será atingido de novo no curto prazo, é muito menor quando se compra em pequenas parcelas.

7. Que as maiores possibilidades de ganho estão no longo prazo.

Se você me perguntar o que considero longo prazo para a bolsa, eu te diria 10 anos. Entrando com volumes baixos em relação ao que você tem de liquidez, de modo espaçado e com horizonte longo, podem te fazer ter alegrias. Não é uma certeza, mas uma possibilidade com muito maior chance do que tacadas curtas e dicas quentes.

8. Que ninguém conta quando perde.

Seu vizinho, seu cunhado e seu colega de trabalho já te falaram das invertidas que tiveram na bolsa? Aposto que nem seu corretor contou sobre os clientes dele que deixaram muito dinheiro na bolsa. Esconder as fraquezas é muito frequente, em nossas relações sociais. No Brasil, fala-se muito pouco de dinheiro e de dinheiro perdido na bolsa, simplesmente, não se fala. Você fica seduzido pelo ganho fácil que imagina que o outro teve.

9.  Que a esperança está no lugar do medo e vice-versa

Quando ganhamos qualquer troco, ficamos com um medo enorme de devolver esse ganho para o mercado. Quando temos prejuízos, ficamos sentados nele com a esperança de recuperar.  O resultado é  pequenos lucros, por sair muito rápido, e grandes prejuízos, por demorar muita a sair. Deixar o lucro crescer e cortar rápido os prejuízos pode dar melhor resultado. Foi um grande investidor americano do começo do século passado, Jesse Livermore, quem observou essa tendência desastrosa que todos temos.

10. Que você deve duvidar de tudo o que escuta e lê

Tenha um pé atrás com gente, como eu, que ousa ficar te dizendo faça isso e não faça aquilo. Talvez a única diferença seja que esse escriba não tem nenhum conflito de interesses com você. Lembre-se, também, que há muitas notícias plantadas, em vários órgãos de comunicação, para fazer os investidores se encantarem com dadas empresas.

11. Que você não deve acreditar em grandes tacadas.

Muitos incautos acham que com uma grande operação farão o lucro da vida. Muito melhor que isso é buscar realizar não um, mas uma série de investimentos, graduais, responsáveis, diversificados e sem esperança de quintuplicar o dinheiro de uma vez.

12. Que ficar em casa operando no Home Broker, pode ser um passatempo muito dispendioso.

É uma delícia operar. Dizíamos, em nossa mesa de tesouraria de um grande banco, que o mercado era um mega vídeo-game. A adrenalina de estar no risco, a alegria de ganhar, a satisfação de ver sua opinião virar lucro, tornam a atividade muito prazerosa.  Mas, e quase sempre tem um mas, é caro. Porque você vai perder mais do que ganhar. Se quiser tentar mesmo assim, use o método adequado para cassinos: estabeleça que vai pagar por uma diversão e limite quanto vai perder.

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O que os corretores do mercado de ações não dizem por Equipe Par Mais – 15.02.2012

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