Giro Financeiro DC: especial é o seu dinheiro

  • 23/04/2018

Semana passada, a Febraban anunciou novas regras para o uso do cheque especial. A partir de julho, se um correntista utilizar mais de 15% do limite do cheque especial disponível por 30 dias o banco terá de oferecer ao cliente uma alternativa de crédito mais barata para que ele possa parcelar essa dívida. Além disso, o banco será obrigado a alertar o correntista que “entrar” no cheque especial e informar que ele está utilizando o limite especial da sua conta e que se trata de uma linha de crédito temporária. Também ficou acertado que os bancos terão de deixar visualmente mais claro em seus extratos o valor do limite para que o correntista não confunda o valor do limite com o seu saldo.

Muito se falou dessas medidas. Alguns alertaram para um possível superendividamento dos usuários do cheque especial, pois a cada mês seriam criadas novas dívidas. Outros, que o endividamento do cheque especial iria reduzir, mas o endividamento das famílias ficaria no mesmo!

As críticas podem até fazer sentido, mas sem dúvida alguma, achei essas medidas superimportantes e benéficas. E fica aqui meus parabéns ao Banco Central, porque foi graças à sua forte pressão que as regras vão melhorar.
Ora, qualquer medida que ofereça aos correntistas uma redução de taxa de juros é sempre boa, ainda mais se tratando de juros absurdamente altos, que podem chegar a 450% ao ano! Além disso, achei excelente a obrigação dos bancos em alertar seus correntistas sobre a utilização do “cheque especial” porque milhões de pessoas o utilizam por puro descuido. Muitas pessoas têm duas ou até três contas bancárias, não fazem os controles devidos e acabam entrando no cheque especial sem necessidade. Mas o motivo mais relevante é que estamos colocando em pauta o endividamento pessoal. É evidente que problema de base é a falta de educação financeira.

Ninguém em sã consciência paga juros porque quer. O cheque especial nasceu como fruto da hiperinflação e foi a solução encontrada pelos bancos às empresas para liberar crédito. Quando os bancos perceberam o filão desta linha de crédito, popularizaram o cheque especial e até o tornaram um símbolo de status: quanto maior o limite, mais “poderoso” o correntista se sentia.

Como mudar essa realidade? Como fazer com que o uso do cheque especial seja o menor possível?
Oferecendo conhecimento sobre finanças pessoais aos correntistas. Sabemos o quanto técnicas de finanças podem mudar a relação das pessoas com o dinheiro. Se o banco, ao fornecer uma nova linha de crédito, solicitasse aos correntistas a realização de um curso online sobre como sair das dívidas, como controlar despesas, ensinar sobre as taxas de juros e suas implicações. Sei que o que sugiro é um tanto utópico, pois estas medidas reduziriam o lucro dos bancos, mas não vou desistir, até porque, ainda assim, os bancos teriam bons resultados. Enfim, ainda temos muito chão pela frente, mas há de chegar o dia em que especial mesmo será o nosso dinheiro e não o limite do cheque.

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