Giro Financeiro – DC: decisões de compras

  • 19/02/2018

Vivemos num mundo motivado pelo consumo. Muitas vezes nem percebemos e somos levados por apelos publicitários, pela sedução das mensagens ou mesmo por não resistir a uma compra não planejada “muito importante”. O que não refletimos é sobre o impacto que uma simples decisão de compra pode fazer no nosso futuro financeiro.

Em diversas palestras, cursos e conversas, toda vez que cito exemplos práticos as pessoas se identificam. Se sentem até um pouco incomodadas, porque percebem o quanto é importante projetarmos financeiramente nossas decisões de compra.

Uma simples troca de carro, por exemplo. Fazendo uma conta simples, se um indivíduo deixar de trocar o seu carro, no valor de R$ 65 mil, todos os anos e passar a trocar a cada três anos, com a condição de, ao final do primeiro e do segundo ano investir a diferença. Considerando uma taxa de 10% ao ano, em dez anos ele teria por volta de R$ 74,4 mil. Em 20 anos, mais de R$ 256 mil e em 30 anos R$ 716 mil.

Outro exemplo: uma compra de algum objeto de desejo de R$ 5 mil, que pode ser um relógio, uma superbolsa, uma viagem, etc. Se esse sujeito realizar esse gasto a cada três anos (e aplicar esse dinheiro no final do primeiro e no final do segundo) ao invés de gastar todos os anos, em 10 anos ele teria R$ 57,1 mil, em 20 anos, R$ 203 mil e em 30 anos R$ 579 mil!

Porque então, mesmo quando temos isso claro em nossas mentes ainda sucumbimos ao consumo supérfluo?

Hipótese 1 – por status!

Nossa sociedade nos mede, nos rotula pela quantidade de bens que possuímos. Pelo carro que dirigimos, pelo relógio que usamos, pelos lugares que fomos viajar. As redes sociais fortaleceram ainda mais este lado negativo da sociedade de consumo. Não basta só aparentar “felicidade” nas fotos e vídeos. Ser “feliz”, com a imagem da Torre Eiffel ao fundo, dá muito mais status que na cozinha das nossas casas.

Hipótese 2 – por falta de educação financeira!

Como desconhecemos os conceitos básicos da educação financeira, a decisão de compra é feita sem reflexão, de forma irracional. Ao ser racional temos clareza que os R$ 716 mil que podemos acumular devido à simples opção de deixar de trocar de carro todos os anos, para trocar a cada três anos, nos garantirá uma renda de R$ 10 mil mensais por mais de 7 anos (aqui considerei uma taxa de 5% ao ano)! E mantendo o mesmo conforto, a mesma segurança, só afetando um pouquinho o nosso famoso “status quo”.

Ou não seria ambas as hipóteses?

“Consumismo é o ato de comprar o que você não precisa, com o dinheiro que você não deveria gastar ou que não tem, para impressionar pessoas que você não conhece, a fim de tentar ser uma pessoa que você não pode ser ou não é”. Esta famosa descrição do consumismo resume muito bem algumas das nossas decisões de compras. Mas sabemos que podemos mudar isso. Podemos reprogramar nossa mente e tornar as nossas decisões de compras em ações a nosso favor. Busque racionalizar e pôr na balança os ganhos imediatos versos os ganhos futuros. Reflita sobre os apelos e a sedução do consumo imediato e o quanto é desejável um futuro mais confortável financeiramente. Invista em você.

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