• 26/11/2018

Giro Financeiro – DC: Chicago Boys

Milton Friedman, prêmio Nobel de Economia, dizia que “os governos nunca aprendem, são as pessoas que têm de aprender”. Também são dele outras frases gloriosas: “Nada é mais permanente do que um programa temporário de governo” e “Se você coloca o governo federal para administrar o Saara, em cinco anos haverá escassez de areia”. Friedman, um dos mestres da Escola de Chicago, é até hoje o mais influente economista do pensamento liberal. sendo considerado por muitos o maior economista do século XX.

A Escola de Chicago, formada pelos pensamentos econômicos dos professores do Departamento de Economia da Universidade de Chicago, defende o mercado livre com a total desregulamentação dos negócios. Prega que o mercado deve ser completamente desamarrado da presença dos governos. Resumindo, a Escola de Chicago é o templo econômico do liberalismo. Essa escola e suas doutrinas são tão relevantes e respeitadas, que desde a implantação do Nobel de Economia em 1969, nada menos que 30 de seus economistas já foram laureados com o grande prêmio.

Completamente oposto às políticas econômicas adotadas pelos governos Lula e Dilma, o liberalismo econômico é a base do pensamento do futuro ministro do Planejamento, o Chicago boy Paulo Guedes. Vale lembrar que, no governo Dilma, o também Chicago boy Joaquim Levy foi ministro da Fazenda em 2015, mas não conseguiu mudar o modelo de gestão econômica até então adotada, de total descontrole dos gastos públicos e forte influência do governo na economia, que, entre outras trapalhadas, chegou a interferir diretamente nas tarifas da energia elétrica e do petróleo e implementou a “economia criativa”, também conhecida como “as pedaladas da Dilma”. Agora, Levy, que é doutor pela Universidade de Chicago, deixa o Banco Mundial (Bird) e volta como presidente do BNDES.

Para área econômica mais liberalistas foram recrutados. Roberto Castello Branco ocupará a presidência da Petrobras. Ele tem pós-doutorado pela Universidade de Chicago e passagens pela diretoria do Banco Central e da mineradora Vale. Roberto Campos Neto vai presidir o Banco Central e, apesar de não ser expoente da Escola de Chicago, possui a herança genética e intelectual de um dos maiores economistas liberais do nosso país, seu avô, Roberto Campos. Vale destacar, ainda, a manutenção de Mansueto Almeida, na Secretaria do Tesouro Nacional. Servidor de carreira do Instituto de pesquisas econômicas aplicadas (Ipea), não é um Chicago Boy, mas é uma das maiores autoridades em finanças públicas do país.

A proposta da equipe é uma gestão estruturada na simplificação tributária, na diminuição da burocracia, no combate ao corporativismo e em uma drástica redução da presença do Governo na economia. Se tiverem êxito, podemos entrar um círculo virtuoso jamais visto em nosso país. Não será uma tarefa fácil, mas como dizia o mestre Friedman, “não existe almoço grátis”.

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