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  • 24/07/2012

Fundos de Investimentos: Independentes x Bancos

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O que é alavancagem financeira? Tabuleiro de Xadrez, movendo as peças.

Trataremos nesse artigo das diferenças básicas dos fundos de investimentos entre fundos de bancos e fundos de gestoras independentes.

Para efeitos didáticos, serão considerados:

  • Bancos = bancos de varejo (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, etc…)
  • Gestoras independentes = gestoras independentes + bancos de investimentos (BTG Pactual, BNP Paribas, etc.)
 

O risco dos fundos de investimentos

O primeiro aspecto a ser considerado na diferença entre fundos geridos por bancos e por gestoras independentes diz respeito ao risco. A percepção de risco pelas pessoas é a de que um fundo de um banco possui menor risco do que um fundo de uma gestora independente. ISSO É ERRADO!

Como já foi apresentado em artigos anteriores, o risco de um fundo é dado pela política de investimentos prevista em seu regulamento. Além disso, o patrimônio de cada fundo não se mistura com o patrimônio da instituição. Existem fundos mais arriscados em bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, do que em gestoras independentes.

Para entender melhor esse aspecto, recomendo a leitura do artigo “Como e por que investir em fundos de investimentos?

O importante, no que se refere ao risco, é buscar o fundo adequado ao seu perfil, independente de onde esteja.

O gestor x a marca

Importante observar que o que dá qualidade em termos de performance, a qualquer fundo de investimento, é a decisão do gestor. A figura pessoal do gestor é que carrega grande parte do know-how de investimentos de cada estratégia. Não é a instituição.

Na estrutura de fundos de gestoras independentes é normal a divulgação do nome dos gestores e de um breve histórico profissional. Nos bancos não existe essa transparência. Não se divulga esse tipo de informação.

Todos nós conhecemos as seguintes instituições: Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander, entre outros. Mas raramente ouvimos falar de: Rio Bravo Investimentos, Gávea Investimentos e Quest Investimentos, por exemplo. E quem são os gestores e estrategistas principais dessas empresas?

  • Rio Bravo Investimentos – Gustavo Franco: Foi presidente do Banco Central do Brasil entre agosto de 1997 e janeiro de 1999, tendo sido, nos quatro anos anteriores, diretor da Área Internacional do Banco Central e Secretário Adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Durante o período em que esteve no serviço público, Gustavo Franco teve participação central na formulação, operacionalização e administração do Plano Real. Conduziu diretamente a operação dos mercados, as negociações financeiras internacionais (Plano Brady e acordo com o FMI em 1998), os lançamentos de bônus da República, as reestruturações bancárias (PROES, PROER, privatizações) e os aspectos regulatórios próprios das atividades de bancos centrais.
  • Gávea Investimentos – Armínio Fraga: Foi presidente do Banco Central do Brasil de 01 de março de 1999 a 17 de janeiro de 2003, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Anteriormente, ocupou durante seis anos o cargo de diretor-gerente da Soros Fund Management LLC, em Nova Iorque. Durante 1991-92, Fraga ocupou o cargo de membro da Junta de Diretores e de diretor do Departamento de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil. Fraga também trabalhou na Salomon Brothers, em Nova Iorque, e no Banco de Investimentos Garantia, no Brasil. Lecionou na Escola de Assuntos Internacionais da Universidade de Colúmbia, na Escola Wharton e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, além da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. É Doutor em Economia pela Universidade de Princeton. Obteve seu Mestrado em Economia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1981, onde também se graduou. Em 07 de maio de 2007, o ganhador do prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, disse que a crise enfrentada pelo Banco Mundial poderia acabar com a repartição entre americanos e europeus das presidências da organização e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e indicou Armínio Fraga como um nome que possui os critérios para presidir o BIRD.
  • Quest Investimentos – L.C. Mendonça de Barros: Sócio-fundador, estrategista e CEO da Quest Investimentos. Exerceu o cargo de Ministro das Telecomunicações, Presidente do BNDES e Diretor do Banco Central do Brasil. Foi sócio-fundador do Banco Matrix e Banco Planibanc. PhD em Economia – Unicamp e Bacharel em Engenharia de Produção – USP.

Percebe-se que no mundo das gestoras independentes estão alguns dos nomes mais consagrados do mercado financeiro. Além desses, existem diversos profissionais na indústria de fundos de investimentos igualmente reconhecidos.

Quando um gestor de fundo desponta em um banco de varejo, normalmente é convidado a trabalhar em bancos de investimentos ou gestoras independentes. Saber quem são os gestores, sua trajetória e seus resultados passados, tanto em períodos de fartura no mercado quanto em períodos de crise, é fundamental. Muitas vezes poderemos encontrar excelentes gestores de recursos em gestoras menos conhecidas. Por isso, a aplicação de dinheiro levando em consideração o gestor do fundo é um sinal de inteligência de investimento, mesmo numa gestora menos conhecida.

Já nos bancos, quase não é divulgado quem são os gestores e sua carreira. Utilizam a força da marca como argumento de atração de investidores.

Ao reunir-se com um gerente de banco e comparar seus produtos com produtos de uma gestora independente, ele dirá: “mas aqui é mais seguro!” Isso é apenas um argumento de venda sem fundamento, que é aceito pelos investidores menos preparados.

Custos

Quanto aos custos, normalmente encontramos nos bancos taxas de administração de fundos mais elevadas do que em gestoras independentes. Nos bancos, as taxas podem ser absurdas a tal ponto que a rentabilidade de um fundo de renda fixa pode ser inferior até à da poupança.

Nas gestoras e bancos de investimentos, normalmente as taxas são mais coerentes. Fundos de renda fixa em bancos podem ter taxas de até 5% ao ano. Nas gestoras independentes, essas taxas – para os mesmos tipos de fundos – raramente ultrapassam 1%.

Imagine então pagar 4% em fundos de ações INDEXADOS a um ativo, como fundos Petrobrás ou Vale. Ou seja, você paga 4% ao ano para um sujeito comprar ações de uma única empresa pra você. Isso tem lógica? É racional? Claro que não!

Produtos de varejo x produtos qualificados

Particularmente, entendo que fundos de investimentos de bancos são destinados ao varejo. Uso o termo varejo como a grande massa de pessoas que possui reservas financeiras e que não dispõe de qualquer informação sobre investimentos. É definitivamente um produto para as massas.

Gosto de usar o termo “produtos qualificados” para fundos de gestoras independentes e de bancos de investimentos, pois esses produtos são, quase que na totalidade, os escolhidos pelas camadas sociais mais elevadas e mais conhecedora do assunto.

O que ocorre é que, atualmente, o que chamo de “produto qualificado” está disponível para TODOS os investidores. Não é algo distante nem difícil. É totalmente acessível. Existem fundos em renda fixa com excelente performance, com aplicação inicial de 5 mil reais, com taxas de administração que variam entre 0,5% e 1% ao ano.

Todos os produtos dos bancos de varejo são ruins?

Não. Existem bons produtos de investimentos nos bancos. O que ocorre é que, para acessá-los, é necessário algum conhecimento sobre investimentos. Outro filtro que os bancos fazem é pelo tamanho da aplicação. Muitas vezes o investidor encontrará bons fundos com taxas adequadas para aplicações mínimas de 100 mil, 200 mil ou 500 mil reais.

A qualidade dos produtos de investimentos de um banco de varejo está associada ao “tamanho” do cliente. No universo de investidores “ricos”, as gestoras e os bancos de investimentos são a preferência. Nesse caso, os bancos precisam ser competitivos.

Paradoxalmente, os bancos de varejo não possuem bons fundos de investimentos para o varejo, uma vez que se valem da desinformação do pequeno investidor. E o pequeno investidor, por sua vez, procura o banco de varejo pela mesma desinformação.

Os melhores fundos dos bancos de varejo estão direcionados para as classes média-alta e alta da população, concorrendo aí com as gestoras independentes e com os bancos de investimentos, que são a preferência desse público.

Qual é a sua situação?

Se os seus investimentos atualmente estão acima de 50% aplicados em bancos de varejo, considere que há, de fato, muitas oportunidades de melhoria na sua carteira.

Usando bancos de investimentos e gestoras independentes, seu leque de oportunidades se ampliará consideravelmente, podendo ser traduzido em mais rentabilidade para sua carteira. O objetivo em fundos de renda fixa deve ser de superar o CDI. Em fundos de ações, o objetivo deve ser de superar o IBOV. Não são poucas as gestoras e os bancos de investimentos que você pode ter à disposição.

 

 

Fundos de Investimentos: Independentes x Bancos por André Bona – 24.07.2012

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Comentário(s): 2

       
  1. A diferença entre investir nos produtos financeiros diretamente nos bancos é que as taxas são muito superiores as das gestoras independentes, e as garantias são as mesmas.
    pense nisso.

  2. Muito útil suas informações. Sempre Apliquei no CDI e Fundos do Banco do Brasil.
    Realmente as taxas são muito altas e o retorno não está sendo o esperado. Vou pesquisar mais e tentar uma gestora independente. Poderia me orientar melhor?

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