Fundos de gestores independentes ficam à frente dos grandes bancos

  • 20/10/2016

fundos de gestores independentes

Fundos de investimentos representam uma ótima maneira de ter acesso a uma carteira diversificada de investimentos. Além disso, possuem toda uma equipe por trás da gestão dos ativos. Existe uma grande diversidade de fundos de investimentos disponíveis no mercado, mas os fundos de gestores independentes muitas vezes se destacam em relação aos de grandes bancos. Descubra o porquê neste artigo.

O risco dos fundos de investimentos

O primeiro aspecto a ser considerado na diferença entre fundos geridos pelos grandes bancos e por gestoras independentes diz respeito ao risco. A percepção de risco pelas pessoas em geral é a de que um fundo de um grande banco possui menor risco do que um fundo de uma gestora independente, cujo nome não é tão conhecido. Essa é uma visão equivocada!

O risco de um fundo de investimento é dado pela política de investimentos prevista em seu regulamento e também pelos produtos que compõem a carteira. Por exemplo:

  • risco pela política de investimentos: se o fundo se propõe a investir em ações, por exemplo, então a cota do fundo está exposta às variações do mercado de bolsa de valores; se o fundo é cambial, então há o risco de desvalorização ou valorização da moeda.
  • risco relacionado aos produtos da carteira:  mesmo que a política do fundo seja de ter investimentos conservadores em termos de volatilidade da cota, existem outros riscos, como o risco de crédito, que envolvem os produtos que compõem a carteira do fundo. Por exemplo, se um fundo de renda fixa compra debêntures de uma empresa que vem a dar calote, as cotas do fundo sofrerão uma queda na mesma proporção que a participação das debêntures na carteira do fundo.

Mas talvez uma das coisas mais importantes a saber é: o patrimônio do fundo não se mistura com o patrimônio da instituição, ou seja, o fundo não tem nenhuma garantia do banco ou instituição financeira que faz a sua gestão/administração. Para você ter uma ideia, existem fundos mais arriscados em bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, do que em gestoras independentes!

Veja no gráfico a seguir o caso de um fundo de renda fixa do Banco do Brasil que possuía debêntures da empresa OI. A OI entrou com um pedido de recuperação judicial e com isso se tornou uma “má pagadora” aos olhos do mercado, ou seja, quem detinha dívida da empresa precisa considerar a possibilidade de não receber o dinheiro. Como o fundo era um desses “detentores de dívida da Oi”, a cota do fundo teve uma queda em junho de 2016 em aproximadamente 1% de um dia para o outro. Isso é o equivalente a mais de um mês de rendimento para esse fundo, considerando o período próximo a este fato.

O importante, no que se refere ao risco, é buscar o fundo adequado ao seu perfil, independente de onde esteja.

Os fundos de gestores independentes vs. a marca dos grandes bancos

Importante observar que o que dá qualidade em termos de performance a qualquer fundo de investimento, é a decisão do gestor. A figura pessoal do gestor é que carrega grande parte do know-how de investimentos de cada estratégia. Não é a instituição.

Na estrutura de fundos de gestoras independentes é normal a divulgação do nome dos gestores e de um breve histórico profissional. Nos bancos não existe essa transparência. Não se divulga esse tipo de informação.

Todos nós conhecemos as seguintes instituições: Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander, entre outros. Mas raramente ouvimos falar de: Garde Asset Management, Gávea Investimentos e Adam Capital, por exemplo. E quem são os gestores e estrategistas principais dessas empresas?

Garde Asset Management – Marcelo Giufrida, CFP®: Possui mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro onde se destaca a atuação no CCF como responsável pela área de Asset Management no Brasil e Argentina, pela área de Previdência e Investidores Institucionais, e pelo Brazilian Desk do banco em New York. Foi o presidente da asset management do banco BNP Paribas no Brasil. Nessa época acumulou as funções de diretor, vice-presidente, presidente do Conselho de Autorregulação de Fundos e presidente da Anbid, sendo responsável pela fusão com a Andima, resultando na Anbima. Foi o primeiro presidente da Anbima, de 2009 a 2012.

Gávea Investimentos – Armínio Fraga: foi presidente do Banco Central do Brasil de 01 de março de 1999 a 17 de janeiro de 2003, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Anteriormente, ocupou durante seis anos o cargo de diretor-gerente da Soros Fund Management LLC, em New York. Durante 1991-92, Fraga ocupou o cargo de membro da Junta de Diretores e de diretor do Departamento de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil. É Doutor em Economia pela Universidade de Princeton. Foi indicado, em 07 de maio de 2007, por Joseph Stiglitz (nobel de economia) como um nome que possui os critérios para presidir o BIRD.

Adam Capital – Márcio Appel, sócio fundador: foi diretor do Safra Asset Management, responsável pela gestão dos fundos do Banco de 2008 a 2015. Foi também Head do Santander Asset Management (2001 – 2008). Atuou na Tesouraria do Banco Bozano Simonsen (1995-2000). Formado em Engenharia Eletrônica no ITA, com MBA pela University of Michigan, foi também diretor da Anbima de 2007 a 2012.

Percebe-se que no mundo dos fundos de gestores independentes estão alguns dos nomes mais consagrados do mercado financeiro. Além destes, existem diversos profissionais na indústria de fundos de investimentos igualmente reconhecidos.

Já nos bancos, quase não é divulgado quem são os gestores e sua carreira. Utilizam a força da marca como argumento de atração de investidores.

Custos: seria mais caro investir em fundos de gestores independentes?

Quanto aos custos, normalmente encontramos nos grandes bancos de varejo taxas de administração de fundos mais elevadas do que em fundos de gestores independentes.
Nas gestoras independentes e bancos de investimentos, normalmente as taxas são mais coerentes. Fundos de renda fixa nos grandes bancos chegam a ter taxas de até 5% ao ano. Já em fundos com gestores independentes essas taxas – para os mesmos tipos de fundos – raramente ultrapassam 0,5%.

Veja um exemplo considerando o fundo “BB Referenciado DI 500”, do Banco do Brasil; e o fundo “Brasil Plural Yield Referenciado DI”, da casa gestora Brasil Plural. As informações a seguir foram retiradas das respectivas lâminas dos fundos de investimentos analisados.

BB RF Referenciado DI 500:

  • Aplicação mínima: R$ 500;
  • Taxa de administração: 2% ao ano;
  • Objetivo: o fundo tem como objetivo superar o CDI;

Brasil Plural Yield RF Referenciado DI:

  • Aplicação mínima: R$ 3.000;
  • Taxa de administração: 0,3% ao ano;
  • Objetivo: acompanhar a variação do CDI;

Veja no gráfico a seguir uma simulação de R$ 100 investidos em cada um dos fundos durante os últimos 5 anos (de outubro de 2011 até outubro de 2016).

O fundo do Banco do Brasil perde rentabilidade devido à taxa de administração, que nesse caso é de 2% ao ano, contra 0,3% da taxa de administração do fundo da Brasil Plural. A diferença de quem investiu no fundo da Brasil Plural contra quem investiu no fundo do Banco do Brasil foi de 9,55%. Levando em conta que durante o período analisado neste exemplo (últimos 5 anos) a rentabilidade anual do fundo Brasil Plural Yield Ref DI foi de 10,67%, isso significa que quem investiu no fundo do BB, em 5 anos, perdeu quase 1 ano de rentabilidade! Essa diferença se dá basicamente pela diferença de taxa de administração.

Além disso, ao longo dos anos essa diferença apenas se amplifica, devido ao efeito dos juros sobre juros.

Fundos de gestores independentes são acessíveis a todos?

Atualmente, existem fundos de gestores independentes com ótima rentabilidade e histórico de gestão disponíveis para todos os investidores. Não é algo distante nem difícil. É totalmente acessível. Existem fundos de renda fixa, por exemplo, com excelente performance, aplicação inicial de 5 mil reais e taxas de administração que variam entre 0,15% e 0,8% ao ano.

Todos os produtos dos bancos de varejo são ruins?

Não. Existem bons produtos de investimentos nos bancos. O que ocorre é que um dos filtros que os grandes bancos de varejo fazem é pelo volume da aplicação dos clientes. Muitas vezes o investidor encontrará bons fundos com taxas competitivas apenas para aplicações mínimas de 100 mil, 200 mil ou 500 mil reais.

A qualidade dos produtos de investimentos de um banco de varejo está associada ao “tamanho” do cliente. No universo de investidores com maiores volumes de recursos, as gestoras independentes e os bancos de investimentos são a preferência. Nesse caso, os grandes bancos precisam ser competitivos.

Paradoxalmente, os bancos de varejo não possuem bons fundos de investimentos para o varejo, uma vez que se valem da desinformação do pequeno investidor. E o pequeno investidor, por sua vez, procura o banco de varejo pela mesma desinformação.

Qual é a sua situação?

Se a maior parte dos seus investimentos está aplicada em bancos de varejo, considere que há, de fato, muitas oportunidades de melhoria na sua carteira.

Usando bancos de investimentos e gestoras independentes seu leque de oportunidades se ampliará consideravelmente, podendo ser traduzido em mais rentabilidade para sua carteira.

Conte com o apoio da Par Mais quando o assunto é cuidar dos seus investimentos. Conheça o nosso serviço “Meus Investimentos”.

Par Mais – 19.10.2016

A Par Mais Empoderamento Financeiro tem um propósito claro: fazer com que as pessoas mudem sua relação com o dinheiro para alcançar a liberdade e serem mais felizes. Os especialistas da Par Mais desenvolveram um método que visa tornar qualquer pessoa capacitada a ter o controle das suas finanças. Conheça os nossos serviços. Clique aqui.

Resumo
Fundos de gestores independentes se destacam frente aos dos grandes bancos
Nome do artigo
Fundos de gestores independentes se destacam frente aos dos grandes bancos
Descrição
Fundos de gestores independentes dependem da decisão do gestor e não da instituição. Por isso são melhores que os fundos dos grandes bancos
Autor
Nome do editor
Par Mais

Deixe um comentário

    • Ricardo
    • 08/04/2017
    Responder

    Onde podemos encontrar o nome (pessoa física) do gestor do fundo quando são divulgados?

      • Par Mais
      • 10/04/2017
      Responder

      Ricardo, você encontra a informação do gestor, e também dos demais agentes do fundo (administrador, distribuidor, custodiante e auditor independente) na lâmina do fundo ou no próprio informativo mensal emitido pela gestora (asset).

    • Rossana
    • 03/08/2017
    Responder

    Queria investir em gestora independente mas meu pai me aconselhou a procurar um banco, por sorte vim pesquisar antes… Muito esclarecedor, continuarei minhas pesquisas mais confiante no que quero!

      • Par Mais
      • 04/08/2017
      Responder

      Rossana, ficamos contentes que o conteúdo tenha ajudado.
      Estamos à disposição.

    • Raphael
    • 17/08/2017
    Responder

    Excelente o texto, parabéns! Como eu consigo descobrir onde posso comprar determinado fundo? É só através da corretora? Eu estou pesquisando fundos usando ferramentas não ligadas a corretoras que pesquisam em um número maior de fundos, mas achando um fundo não consigo descobrir onde posso comprar cotas.

    Obrigado!

      • Par Mais
      • 17/08/2017
      Responder

      Raphael, obrigado pelo seu comentário!
      O único jeito de saber é através das corretoras. Em alguns casos, elas disponibilizam a lista de fundos no próprio site, sem necessidade de criar um cadastro.
      Outra forma é entrar em contato direto com o fundo, porém pode ser um pouco mais trabalhoso. Se você quiser uma análise dos fundos que você está procurando, fique a vontade de mandar um e-mail para [email protected] que ficaremos contentes em ajudar.
      Ficamos à disposição.

    • Claudionor
    • 22/09/2017
    Responder

    Interessante a matéria, caso o BB venha a lançar os fundos de gestores independentes, dependendo das condições ofertadas, não será necessário mudar as aplicações deste banco.

      • Par Mais
      • 28/09/2017
      Responder

      Claudionor, obrigado pelo seu comentário, ficamos contentes que você tenha gostado do conteúdo.
      Exatamente, o banco tem essa opção de lançar um produto que investe em fundos de gestores independentes.