• 27/04/2018

Série Estratégias de investimento: Renda fixa

investimento em renda fixa

Iniciando a série, vamos falar de um dos investimentos mais comuns que existem e que está na carteira de todo tipo de investidor, independente do perfil e do valor do patrimônio. Especialmente no Brasil, justamente por sermos um país com juros historicamente altos, boa parte do mercado de capitais está justamente concentrado nessa classe de ativo. Nesse artigo falaremos um pouco sobre ela, a renda fixa.

O que é a renda fixa?

Se for para dividir os investimentos em dois grandes grupos, poderíamos classificar entre renda fixa e renda variável. A Renda variável normalmente é confunda com o mercado de ações, mas não é só isso – temos os mercados de câmbio, commodities e derivativos e uma infinidade de estratégias que se formam a partir disso. Em renda variável, não é possível ter certeza de qual será a rentabilidade, mas isso é tema para outros artigos da série. Já na renda fixa, a rentabilidade do investimento é definida no momento da aplicação. E na renda fixa, sempre existem ao menos duas partes – o investidor (que passa a ser credor) e o tomador (que passa a ser o doador). Portanto, a renda fixa está sempre atrelada a títulos de dívida, podendo ter as suas particularidades de acordo com a emissão.

Os emissores de renda fixa podem ser públicos ou privados. Títulos públicos são aqueles que são emitidos por países, estados ou cidades, sendo mais comuns no Brasil os títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional. Na prática estamos falando de títulos como o Tesouro SELIC, Tesouro IPCA+, Tesouro Prefixado e outros. Já títulos privados são aqueles emitidos por qualquer agente privado da economia, empresas grandes ou pequenas e instituições financeiras. Nesse grupo estão as debentures, CDBs, LFs, LCIs, CRIs e vários outros títulos.

Todo título de renda fixa paga juros, sendo a forma e maneira de pagamento geralmente acordados na emissão do título. O título pode pagar uma taxa pré-fixada, como 10% ao ano, que não vai variar e traz previsibilidade ao seu fluxo de pagamento. O título pode também ser pós-fixado, tendo o seu rendimento definido por exemplo pela taxa SELIC ou o CDI. O título pode ainda pagar uma taxa real, ou seja, uma taxa acima da variação da inflação, como por exemplo, IPCA + 5%.

Existem dois fatores principais na determinação da taxa de um título. O primeiro é a percepção de risco de crédito do emissor. Quanto mais endividado ou pior forem as condições do emissor da dívida, maior o risco para quem vai comprar o título, logo o emissor deve oferecer taxas maiores para aumentar a sua atratividade. O segundo fator é a duração do título. Quanto mais longo for o vencimento do título, menor a previsibilidade da situação futura do emissor da dívida e maiores são as incertezas. Essa é a justificativa para que títulos mais longos tenham taxas maiores que títulos mais curtos.

Vantagens da renda fixa

As principais vantagens são a sua previsibilidade e o seu baixo risco. Justamente por terem regras específicas é relativamente simples prever quanto um ativo de renda fixa vai render se levado até o seu vencimento. Outra questão muito importante é o seu baixo risco em comparação a outros tipos de ativo. Por mais que o risco de crédito seja algo importante e que alguns títulos tenham volatilidade considerável, esses riscos ainda costumam ser bem menores do que os riscos de outras classes de ativos. É por isso que os investimentos em Renda Fixa são alguns dos investimentos mais seguros possíveis. Isso faz com que eles sejam ideais para investidores com aversão a risco, investidores que querem diminuir o risco do seu portfólio e ainda como investimento de curto e curtíssimo prazo.

Desvantagens da renda fixa

Apesar de serem pouco arriscados, os títulos de renda fixa não são livres de risco. O principal deles é o risco de crédito, que é o risco do emissor não pagar o que deve, dando um calote no seu credor. A análise dos indicadores e ratings do emissor assim como a oferta de garantias adicionais ajudam muito a mitigar esse risco, no entanto ele está sempre presente.

Outra desvantagem diz respeito ao retorno da renda fixa. Por serem ativos com menos risco os títulos de renda fixa apresentam também um retorno potencial menor do que outros tipos de investimento. Isso pode fazer diferença, especialmente no longo prazo.

IMPORTANTE: nem só quem compra títulos como CDBs, LCIs e Debêntures é investidor em renda fixa. A poupança é um tipo de renda fixa e a grande maioria dos fundos ofertados pelos grandes bancos tem em suas carteiras ativos de renda fixa. Especialmente em relação aos fundos, o risco que o investidor corre não está ligado a instituição que vende o fundo, mas sim aos títulos que o gestor do fundo comprou. Também, vale ressaltar que o banco ou instituição financeira não podem garantir a rentabilidade caso haja qualquer tipo de perda na carteira do fundo.

Estratégias em fundos de renda fixa

Renda Fixa Pós-Fixado

Os fundos de renda fixa pós-fixados são alguns dos fundos de menor risco do mercado. Esse tipo de fundo consiste, basicamente, nos fundos Referenciados DI que buscam obter rendimento atrelado à variação periódica do CDI ou da SELIC. Esses fundos costumam ser extremamente líquidos e de volatilidade quase nula. Eles podem aplicar majoritariamente em títulos pós-fixados do governo, podendo ainda ter alguns títulos de crédito privado para obter prêmio acima do índice. Esses fundos são muito indicados para a parte conservadora da carteira de investimentos e para composição da reserva de segurança.

Renda Fixa Prefixado

Estes são fundos de renda fixa atrelados à rentabilidade de títulos pré-fixados. Esses fundos costumam ter como benchmark o IRFM, mas podem seguir algum outro índice prefixado. A composição desses títulos também é principalmente de títulos públicos, mas podem ter títulos privados que tragam algum prêmio. O IRFM é um índice composto pela rentabilidade dos títulos prefixados do governo de diversos vencimentos, portanto fundos prefixados com estratégia ativa podem ficar over ou under em algum vencimento específico para tentar ter rentabilidade melhor do que o índice. Esses são fundos ideais para quando se tem uma perspectiva de queda na taxa de juros. Nessa situação a sua rentabilidade tende a ser superior à do CDI, no entanto estes são fundos muito mais voláteis.

Renda Fixa Inflação

São fundos compostos por títulos atrelados à inflação. O benchmark desses fundos costuma ser o IMA-B. Como os títulos apresentam um prêmio com relação à inflação, eles são fundos indicados para se proteger de uma alta inflacionária. Por serem títulos de duração mais longa eles também apresentam bom desempenho em cenários de queda da taxa de juros. A estratégia desse título também pode ser ativa ou passiva.

Renda Fixa Crédito Privado

Investem principalmente em títulos de crédito privado. Nesse tipo de fundo é muito importante a análise e expertise em crédito privado do gestor. São fundos que costumam ter baixa volatilidade e rendimentos atraentes, porém tem mais risco de crédito que outros fundos de renda fixa. Eles ainda podem ser subdivididos em Investment Grade ou High Yield. Os fundos de crédito privado Investment Grade são fundos compostos apenas por títulos de baixo risco de crédito, portanto devem ter títulos com rating alto pelas principais agências do ramo. Já os fundos High Yield são compostos por títulos de médio ou alto risco de crédito, sendo mais arriscados mas com rendimento potencial maior. Esses são fundos interessantes para quem quer uma rentabilidade maior que a do índice, com pouca volatilidade, e estão confortáveis em correr o risco de crédito.

Conclusão

Fundos de renda fixa são ideais tanto para quem está começando a investir como investidores mais sofisticados. Eles podem ser fundos de baixo risco e alta previsibilidade, neste caso sendo os fundos mais adequados para o curto prazo devido à sua baixa volatilidade. É possível também investir em fundos com estratégias ativas atrelados a índices prefixados ou de inflação, buscando ganhos expressivos em determinados cenários.

Fique atento à série “Estratégias de Investimentos” para saber mais sobre outros tipos de estratégias.

 

Onde você está, aonde quer chegar?
Nossa função é tornar sua jornada mais rápida e mais rentável. Escolhemos com você os investimentos que precisa, alinhados às suas necessidades. Clique aqui.

Resumo
Série Estratégias de investimento: Renda fixa
Nome do artigo
Série Estratégias de investimento: Renda fixa
Descrição
Fundos de renda fixa são ideais tanto para quem está começando a investir como investidores mais sofisticados. Eles podem ser fundos de baixo risco e alta previsibilidade, neste caso sendo os fundos mais adequados para o curto prazo devido à sua baixa volatilidade.
Autor
Nome do editor
Par Mais

CATEGORIAS BLOG

CATEGORIAS BLOG

Deixe seu comentário