• 21/11/2018

DCI – Alta do crédito puxará CDBs no próximo ano

Uma alta mais consistente do crédito comercial e de pessoas físicas por instituições financeiras puxará a captação de certificados de depósitos bancários (CDBs) no próximo ano. Em 2018 até outubro, há queda de 17,3% dos depósitos remunerados por prazo.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o estoque de papéis de captação bancária recuou R$ 250 bilhões neste ano, do patamar de R$ 1,44 trilhão em dezembro de 2017 para R$ 1,19 trilhão em outubro passado.

“Todos os bancos e as financeiras diminuíram a captação. Não adianta ter dinheiro no caixa se o mercado [empresas e pessoas físicas] não está demandando crédito. A emissão de CDBs, LFs e LCIs só vai crescer – e até de forma rápida – quando houver mais demanda por empréstimos e financiamentos”, argumentou o especialista em investimentos do Banco Ourinvest, Mauro Calil.

Para o diretor de investimentos do Paraná Banco, André Malucelli, a captação do sistema financeiro via depósitos remunerados aos aplicadores voltará no primeiro semestre de 2019. “Na medida em que vai ser retomado o crédito pelos grandes bancos”, prevê o executivo.

O diretor contou que o saldo dos empréstimos pelos bancos está estável desde o final do governo Dilma Rousseff em 2016. De fato, o saldo nominal total de crédito ficou na faixa entre R$ 3 trilhões e R$ 3,15 bilhões nesse período; e em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) até recuou 3 pontos percentuais, de 49,7% para 46,7% do PIB.

“As pessoas estão poupando mais, as empresas diminuíram suas dívidas, e [daqui para frente] existe uma aceitação para a volta do crédito”, aponta André Malucelli.

Com base nos balanços do terceiro trimestre de 2018, nota-se, entre os grandes bancos de varejo, que a Caixa Econômica Federal liderou o movimento de redução de CDBs, de letras financeiras (LFs) e letras de crédito imobiliário (LCIs), ao passo que aumentou a captação via caderneta de poupança, cuja remuneração aos investidores é menor (0,3715% ao mês). “As taxas em letras estavam mais altas”, justificou o vice-presidente de finanças da Caixa, Arno Meyer, ao reportar o balanço à imprensa na semana passada.

Na visão do gestor da ParMais, Alexandre Amorim, a Caixa e os demais bancos de varejo estão segurando as emissões porque não estão precisando de dinheiro para conceder empréstimos e financiamentos. “Não é por acaso que as taxas desses papéis nos grandes bancos são pouco atrativas”, considera o gestor.

As principais instituições pagam aos aplicadores desses papéis entre 80% a 90% da taxa de depósito interfinanceiro (DI) em prazos curtos, de 30 ou 90 dias de permanência, antes da cobrança do imposto de renda sobre ganhos. O juro DI está em 6,4% ao ano, enquanto a poupança remunera a 70% da taxa Selic (6,5% ao ano), mas isenta de impostos.

Pelos dados da Anbima, na média dos últimos 12 meses até outubro, os CDBs pagaram 6,05% ao ano de rentabilidade bruta, ao passo que a caderneta de poupança registrou ganho líquido de 4,74% ao ano.

Na falta de CDBs, LFs e LCIs, Amorim citou que o investidor está migrando para debêntures de infraestrutura, certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e fundos de renda fixa com crédito privado, multimercados e títulos públicos.

Em percepção semelhante, Mauro Calil apontou que os aplicadores estão aportando recursos em CRIs, debêntures de infraestrutura. “Também temos visto movimento para fundos com debêntures de infraestrutura e COE de bolsa de valores com capital protegido”, diz o especialista da Ourinvest.

Taxas da Black Week

Nessa semana de promoções do mercado financeiro, o Paraná Banco lançou CDBs de liquidez diária a taxa de 105% do DI; CDB de 1 ano a 110% do DI; e CDBs com prazo de 2 anos a 112% da taxa DI. “Os bancos médios continuam emitindo para gerar empréstimos consignados”, destacou o diretor André Malucelli.

O Banco Inter divulgou a LCI de 90 dias a 95% do DI, e a LCI de 180 dias, a 96% do DI, ambas sem IR. Na Órama, o destaque são as letras de câmbio (LC) – de captação por financeiras. A LC da BRK Financeira de 727 dias promete DI mais 2% ao ano; a LC da Dacasa Financeira para 1.447 dias promete juros de 11% ao ano; já a LC da Facta Financeira garante 130% do DI para o prazo de 1.805 dias (5 anos).

 

Confira a matéria na íntegra: https://www.dci.com.br/financas/alta-do-credito-puxara-cdbs-no-proximo-ano-1.759518

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